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O "SANTO DE BARRO" A COPA E AS ELEIÇÕES

03/10/2014 - Por Jornal Semanal
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Passada a Copa do Mundo e em meio à campanha eleitoral das Eleições 2014 surge à imperiosa necessidade de reavaliarmos nossas convicções naquilo que arquitetamos para nós e para nossos filhos, especialmente, naquilo que esperamos dos líderes que elegemos, da sociedade que almejamos e de nós mesmos.

Depois do vexame da Seleção Brasileira na Copa do Mundo e diante dos diagnósticos do insucesso oficialmente apresentado - e, aceitos pela maioria - se constatam com maior força de quão grande são nossas esperanças em soluções calcadas nas individualidades em detrimento das soluções conjuntas, ou seja, basta trocar o técnico.

Já em relação às eleições, nossa sociedade incide no mesmo equívoco em relação à escolha de nossos governantes. Na verdade, buscamos uma pessoa milagrosa, um "santo de barro" que resolva todos nossos problemas, tal seja, basta trocar o presidente, o governador, o prefeito, etc. e tudo estará consertado. Urge ressalvar que com isso não se pretender defender a reeleição em qualquer nível, pelo contrário, um mandato de 5 anos seria suficiente para fechar um ciclo administrativo diligente.

No entanto, num País rico e de Povo pobre temos que refletir sobre nossas mazelas que advém especialmente de nosso posicionamento frente à corrupção arraigada em todas as classes sociais. Na verdade, em nosso meio social o "EU" é infinitamente maior que o "NÓS", e quando apenas uma pessoa ou grupo decide, viceja com força as possibilidades da corrupção e o enfraquecimento do coletivo.

É certo que as individualidades são falíveis, exatamente, porque lhes falta à essência calcada no conjunto, tal seja, no coletivo. Quebrado o encanto, seja depois de uma desclassificação no futebol ou depois da derrocada de um presidente, governador, prefeito, etc., resta o povo desesperançado, culpando, o santo quebrado, quando na verdade, a culpa do fracasso está mais na crença no santo errado, do que propriamente na qualidade da argila do santo.

Sem cair em descurada heresia, cumpre aclarar que em nossa cultura o "santo de barro" é a designação empregada para descrever uma crença no vazio, sem consistência e longe dos desígnios divinos. E é justamente esta crença vazia que lançada numa pessoa ou tão somente em um indivíduo é que conduz a sociedade a caminhos errôneos.

Tanto na Seleção Brasileira quanto na condução dos destinos de nosso País, não basta trocar os "homens", não basta trocar o presidente ou o técnico, se o esquema que governa a nação é superior às forças dos partidos políticos e dos governos, no caso, do futebol é superior ao técnico e a torcida. Trata-se de um "Poder" que não tem cor, tampouco partido político, mas comanda independentemente do partido político ou dirigente, tal seja, é um "poder camaleão" que verte em todos os governos e em todas as épocas.

Como já dito, tanto a organização do futebol quanto a organização da política brasileira reflete muito daquilo que somos como sociedade, daquilo que somos enquanto atores sociais na sua mais recôndita organização, tal seja, na igreja, na escola, no trabalho, etc. A construção de benesses sociais é esperada como um milagre celestial que não tem nenhuma ligação com a construção terrena de nossos sonhos, tal seja, nosso povo espera mais dos milagres dos "santos de barro" de que de suas próprias forças.

É verdade, que a idolatria de jogadores, cantores, políticos faz parte do cotidiano de todas as nações do mundo, uns mais outros menos, no entanto, quanto mais avançado a compreensão e o nível cultural de um povo, menos suscetível está em votar em ídolos e em milagreiros, tal seja, os ditos "santo de barro".Nas eleições deste ano são centenas de registros de candidaturas de jogadores, cantores, humoristas e outros que tem como única virtude serem conhecidos do público. Mas para representar nosso povo basta ter sido famoso? Não precisa ter experiência no trato da república?

Em nosso atual estágio cultural transluz cotidianamente a necessidade frenética de elegermos ídolos milagrosos, tanto, no futebol como na política e, acreditarmos na vitória de um homem só, do presidente ao jogador, e o pior, não precisa ser virtuoso, mas sim, popular. No entanto, não basta trocar o "santo de barro", que logo adiante se quebrará mais uma vez e continuaremos crendo no vazio das individualidades, mas sim, apostarmos na construção de uma sociedade forte pela educação individual, mas calcada firmemente no saber coletivo.

Juarez Antônio da Silva
Advogado OAB/RS nº 47.483
Especialização Direito Eleitoral
www.juarezsilvaadvogados.com.br




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