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Galões de água

31/03/2017 - Por Jornal Semanal
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Gustavo Griebler*
 
Após uma falta de luz que teimava em não voltar mesmo com ligações à companhia de energia elétrica, peguei-me pensando por diversas vezes em um texto que já havia pensado muito também antes inclusive do acontecido. Martha Medeiros, em meados de um setembro florescente de 2014, escreveu que no Japão, em uma falta de água, deixaram na porta dos moradores galões de água para a madrugada, quando aconteceria a interrupção do fornecimento. Na casa de uma brasileira, esta (que é relatada por Martha) falou que não era necessário, que não ocuparia a água de madrugada, mas os japoneses - possivelmente da companhia de água - que entregavam os galões falaram que era necessário sim.
Me peguei comparando com o cenário brasileiro. Quando isso aconteceria por aqui? A luz se vai, a água é cortada, sem mais nem menos. E nossa conta está em dia. Nenhum galão de água à nossa porta ou então velas e lanternas. Quando solicitei a ligação da luz quando me mudei de cidade, demorou quase uma semana tão somente para um procedimento de mais ou menos dez minutos. A explicação? Uma fila e os procedimentos que eram necessários para isso. Está bem. Entendo. Mas esta burocracia é temerária. Até ligar a luz, praticamente impraticável ficar em casa. Hotel, volta para casa e por último no escuro mesmo.
Recentemente, a concessionária de água da cidade começou a fazer obras nas redes de esgoto. Eles praticamente interditaram uma rua da cidade, fazendo desvios. Problema é que esta via é muito utilizada para acesso a escolas e quartel da cidade. Eu a uso. E perco no mínimo cinco minutos fazendo desvios. Fui avisado sobre isso em algum momento para me organizar antecipadamente no trajeto casa-trabalho? Não. Nestas obras, inclusive, isentariam os moradores que tivessem ligações irregulares se estes se regularizassem. É o que falava numa rádio em que veicularam propaganda sobre as obras. Eu, na minha inocência, achei que "gatos" pudessem existir somente na rede elétrica e na televisão paga. Não na água. Mas até nisso o brasileiro já deu um jeito. Jeito de burlar o sistema.
Por que no Brasil, me pergunto, as coisas não podem ser como no Japão? Por que as coisas não são planejadas? Por que "se apaga tanto incêndio"? Talvez tudo passe pela educação ou a falta dela. O caminho é longo para se educar e ensinar um povo. Mas é possível. Contudo, as pessoas precisam cooperar. Eu faço a minha parte. Mas não posso fazer por todos. Posso influenciar e dizer como. Mas não fazer. O Brasil tem tudo e muito mais para ser a principal potência mundial: agricultura, pecuária, recursos naturais, indústrias, praias belíssimas, clima agradável, mão de obra forte, cérebros que acabam indo embora daqui pela falta de investimento e oportunidade. Tem-se tudo por aqui, mas não se faz valer. Um dia fará? Talvez! Depende das novas gerações, dos novos políticos que tomarão o lugar da velha guarda. Tenho esperança. Ela não morre. Afinal, sou brasileiro. Não desisto.

* Mestre em Educação nas Ciências - UNIJUÍ. Licenciando em Formação de Professores para Educação Profissional - UFSM. Editor-chefe da Revista Eletrônica Argentina-Brasil de Tecnologias da Informação e da Comunicação. Docente de Ensino Básico, Técnico e Tecnológico e Coordenador Geral de Ensino Substituto do Instituto Federal Farroupilha - Campus Avançado Uruguaiana




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