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Deboche bilionário

20/04/2017 - Por Jornal Semanal
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Vilson Antonio Romero*

Quem assiste aos vídeos dos depoimentos das delações premiadas, liberados pelo STF, fica estupefato com a desfaçatez, o deboche e o escárnio com que os depoentes, mandatários maiores da empreiteira, e seus prepostos, tratam o Estado brasileiro e seus propósitos.
Há um intenso e inapagável ar de menosprezo ao governo e suas estatais e à parte podre da plêiade política que, desavergonhadamente, se vendeu por milhares ou milhões de dólares, euros ou reais.
A que ponto chegou a latrina pública onde vicejam as pragas purulentas da corrupção?
Enoja ao cidadão comum saber que durante os últimos 30 anos a "res publica" foi loteada, fragmentada, repartida por uns poucos cidadãos desprovidos de todo e qualquer pudor e caráter. Por mais que possamos contar, no presente caso, com uma lista onde consta menos de 10% dos atuais congressistas, sempre cheirará de forma nauseabunda todo o antro circundando os Salões Verde e Azul do Parlamento Nacional.
A lama também escorre entre as pernas dos Dragões da Independência perfilados, descendo inclemente na rampa do Palácio para a Esplanada dos Ministérios.
Um governo que se pretendia cercado de notáveis, viu-se ilhado num covil de notórios. Notórios investigados e, previsivelmente, indubitáveis réus. E se espraia pelo Brasil o serpenteante réptil que já se apossou, em contas preliminares, de mais de US$ 3,3 bilhões, algo como R$ 10 bilhões, em propinas, superfaturamentos, licitações combinadas, caixas dois ou três, enfim, operações escusas e criminosas.
Dinheiro suficiente para muitas bolsas-família, creches, estradas asfaltadas, escolas, infraestrutura, investimentos e segurança pública melhor para toda a enjaulada população.
Vamos sangrar dolorosamente durante muito tempo, talvez décadas, antes que este buraco de esgoto seja tampado. Mas, pode ser somente o início do desvendamento de muitos outros que vicejam ainda e não foram trazidos à luz do sol.
O brasileiro, graças ao Senhor, ainda tem uma arma na mão: o título de eleitor. No ano que vem, temos que empunhar com seriedade esta munição e disparar com certeza e tirocínio. Aprendamos a votar melhor e extirpar este tecido político canceroso. Este cancro que necrosa a Nação brasileira. E que destrói a esperança de milhões de brasileirinhos que já nascem num mar de corrupção e desalento

*Jornalista, auditor fiscal, presidente da Anfip e conselheiro da Associação Brasileira de Imprensa.
Vilsonromero@yahoo.com.br
FONTE: WWW.ESPAÇOVITAL.COM.BR




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