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Entre linhas e agulhas, mulheres conservam uma tradição familiar

29/09/2017 - Por Jornal Semanal
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Formado há pelo menos 33 anos, grupo reúne 12 mulheres, na sua maioria parentes, que se dedicam em manter viva a arte do bordado
Semanalmente, nas tardes de quarta-feira, um grupo de mulheres se reúne para bordar, colocar os papos em dia e celebrar a amizade. As 'Bordadeiras de Esquina Araújo' é formado por 12 mulheres, que, a cada encontro, consolidam ainda mais a união e a integração entre as participantes.
Uma das fundadoras, Nélia Bigolin Marasca, 85 anos (completados em 7 de setembro), ainda é participante ativa. Ela conta que o grupo existe há pelo menos 33 anos, e desde então, a maior finalidade é estreitar as verdadeiras amizades. 
Tudo começou com a participação das mulheres em cursos de bordados da Emater, em Esquina Araújo, localidade do interior de Independência. 
Quando os cursos terminaram, Nélia e umas amigas, tiveram a ideia de continuar se reunindo para bordar, conversar e se divertir. "No início, marcamos os encontros todas as quintas, cada vez em uma casa diferente. A anfitriã era responsável por fazer o chimarrão e oferecer o lanche. Com o tempo, umas saíram, outras permaneceram, e outras entraram e o grupo foi aumentando", recorda.
Atualmente, o grupo se reúne nas quartas, entre as 14 e 17 horas. A maioria das mulheres reside em Esquina Araújo, mas tem participantes de Três de Maio e Independência.
A vó Nélia, como é chamada, gosta muito de fazer parte do grupo e manter viva a tradição do bordado entre as familiares. "Somos muito unidas. É muito divertido, fizemos brincadeiras, bordamos, comemos e tomamos mate. E assim vamos seguindo. Espero que por muitos e muitos anos". 

'Se não existisse o grupo, não teríamos essa frequência de nos encontrar'
Tão bom quanto bordar, é conversar e estar entre as amigas. E o melhor de tudo, é que dá pra fazer tudo ao mesmo tempo nas tardes de quarta, avaliam as participantes. Entre elas, Estela Marasca e Meri Marasca, integrantes há mais de 20 anos, quando foram morar em Esquina Araújo.
Estela conta que quando casou, foi morar em Esquina Araújo, e o grupo já existia, com muitas participantes. "Em casa, eu não tinha o costume de bordar, embora minha mãe sempre incentivasse as artes. Quando tinham os cursos da Emater, a gente fazia os macramês, trabalhos com folhas de jornal e de bananeira, além de artesanato em geral. Mas o interesse do bordado surgiu no grupo. Aprendi vagonite, macramê, hardanger, bordado em tapetes", explica.
Já Meri recorda que, inclusive, quando foi professora ensinou muitas alunas a fazer macramê e hardanger. "Eu tinha alguma experiência e compartilhei o que sabia com as demais. Sempre fui e, continuo sendo, participante assídua. Não marco nada para as tardes de quarta. Vir ao grupo é meu compromisso, é a prioridade nesse dia", afirma. 
A mais nova integrante do grupo é Rosvane Pires, de Independência, que participa há cerca de três meses. Ela lembra que um dia, quando estava visitando a amiga Sandra Marasca, esta comentou que participava de um grupo de mulheres que fazia bordados em tapetes e outras artes. "Eu pensei, seria interessante aprender", lembra, ressaltando que já fazia trabalhos em vagonite e ponto cruz, além de tricô e crochê. 
Rosvane comemora ter seu nome "aprovado pelo grupo", mesmo não sendo parente de nenhuma delas. "Comecei a frequentar os encontros e, para mim, fazer bordados é uma forma de terapia, faz muito bem para a mente e ajuda a se desestressar".
Luzia Kehrwald Marasca, 33 anos, é a mais jovem integrante. Ela participa há 7 anos. Ela brinca que quis impressionar a sogra, se interessando pelos bordados. 
Para a jovem, a ideia do grupo é se reunir, conversar, dar risada. "Dificilmente, uma vai passear na casa da outra, então, se não existisse o grupo, não teríamos essa frequência de nos encontrar". 
Elas brincam que, teve até quem dissesse que algumas delas não iriam conseguir bordar, porque não tinham paciência. Mas, depois de um tempo, aprenderam e até bordam muito bem, avalia a vó Nélia.
"Quando eu entrei, as mulheres até fizeram uma aposta, que eu não iria conseguir bordar", conta Sandra Marasca, que já conseguiu fazer alguns trabalhos de bordado. 
Festa de São João já é tradicional no grupo, com direito a decoração, 
vestimenta e culinária típica junina

Festas e ações sociais
Além dos encontros, elas organizam festas, eventos sociais e atividades beneficentes.
Este ano, um dos destaques foi a festa junina, que reuniu mais de 70 pessoas, a maioria, familiares e convidados, que participaram caracterizados tipicamente. 
Já estão na agenda, a organização de uma festa do "preto e do branco", uma excursão para o Paraguai e a festa solidária de Natal em Esquina Araújo, reunindo as crianças da localidade. 
Alguns eventos têm caráter social, em que são arrecadados alimentos e doações para serem destinados à escola de Esquina Araújo.
O grupo já desenvolveu, duas vezes, um brechó com intuito de arrecadar fundos para a decoração de Natal da comunidade e, também, um bazar beneficente.
Elas afirmam que, "as bordadeiras não se limitam somente a bordar, mas, também, a fazer um trabalho social, em prol da comunidade onde estão inseridas".

Uma das fundadoras, Nélia Marasca, 85 anos (completados dia 7 de setembro), 
é uma participante ativa e uma grande incentivadora da arte do bordado

'Arte muito bonita e que deve ser preservada', diz a fundadora do grupo
O grupo se mantém vivo, principalmente, segundo a vó Nélia, porque dentro dele não existe fofoca. "Procuramos cultivar bons sentimentos. Conversamos, bordamos, tricotamos, mas não falamos da vida alheia. E, se por ventura, falarmos de assuntos pessoais, eles ficam dentro do grupo. Não saímos espalhando. Isso traz desavenças e não é bom", afirma.
Ela afirma que o maior objetivo do grupo é a amizade. "Nos reunimos, conversamos, damos risada, fazemos eventos e festas com nossas famílias. Esse é o lado bom da vida, estar junto de quem gostamos", declara.
Para a vó Nélia, é importante manter viva a tradição do bordado. Por isso, um dos critérios para participar é saber bordar. "Hoje, as novas gerações não sabem bordar. Mas as mães que sabem, devem ensinar a seus filhos. É uma arte muito bonita, que deve ser preservada", conclui.

A cada semana, o encontro ocorre na casa de uma das participantes. 
Grupo é formado por mulheres de Três de Maio, Independência e Esquina Araújo 
(a maioria reside na comunidade do interior de Independência)

FOTOS: FOTOAVENIDA/ARQUIVO PESSOAL/ALINE GEHM





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