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A crise da educação

20/10/2017 - Por Jornal Semanal
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A palavra que mais se ouve por aí no momento é crise. "Não temos dinheiro. É a crise". "Não posso. Estamos em crise". "Não dá. A crise não deixa". E por aí vai. Eu mencionei a crise da educação em um discurso que proferi há alguns dias atrás. A educação está em crise por conta do sistema falho que se arrasta há muito tempo. Os professores estão desmotivados faz tempo, perderam sua autoridade e sua autonomia. Sua vontade em formar seres melhores já acabou. Os alunos chegam à sala de aula pensando na merenda e na hora de ir embora. Muitos fingem que ensinam e muitos outros fingem que aprendem. E é isso. 
Coloca-se tecnologia em sala de aula. O aluno sabe mais que o professor, que pensa que o computador dará aula por ele. Mas não. Ele tem mais uma capacitação a fazer com este outro meio de ensino-aprendizagem. Alunos se arrastam série após série, ano após ano, para chegar na faculdade e fazerem finalmente o que gostam. Veem que muitas aulas são chatas e que a teoria não representa o que eles tanto almejavam. Chegam ao mundo do trabalho exercendo sua profissão e o que mais lembram de bom da época da escola e da faculdade são as amizades e as festas. Não daquela matéria interessante, daquele professor especial.
Como professor, com crise ou sem crise, com salário ou sem salário, com reforma ou sem reforma, sei que tenho que ir para a aula. Não é ir para o ringue. Não é ir para o púlpito. Não é ir para o coliseu. É ir para o espaço de formação dos cidadãos do amanhã. O espaço onde estão se formando com conhecimento, atitudes e experiências os médicos do amanhã, os advogados, os juízes, os colegas professores, os cientistas, os engenheiros, os educadores físicos, os farmacêuticos, os administradores, enfim. Os cidadãos do amanhã. Eu e milhares de colegas estaremos preparando mentes e corpos para o que virá pela frente. Estaremos dizendo que há o doce e o amargo, há a tempestade e o arco-íris, há o bom e o ruim.
A docência, já há sete anos, tem me ensinado, da mesma forma, que o conteúdo é extremamente importante. Entretanto, não só ele. Em duas aulas de 50 minutos cada, você não derramará sobre os alunos teorias e mais teorias e aplicará exercícios de fixação ao final para corrigir na próxima aula. Você escutará o aluno, você questionará o aluno, perguntará como é na empresa dele determinado fato, o que ele pensa sobre tal coisa e assim por diante. À sua frente, professor, não está uma estátua fria. Está um ser em movimento, que se chegou até a sua frente é porque tem a curiosidade de alguma coisa aprender, mas que também está ali pelo fato das relações humanas, para vir conversar e ter novas vivências. Educação é isso. E também é isso.

Gustavo Griebler - Mestre em Educação nas Ciências.
 Professor EBTT  do Instituto Federal Farroupilha - Campus Avançado Uruguaiana



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