Domingo, 19 de novembro de 2017
Ano XXIX - Edição 1484
(55) 3535-1033
jsemanal@jsemanal.com.br
diagramacao@jsemanal.com.br

Qual sociedade pode abrir mão do trabalho do/a professor/a?

03/11/2017 - Por Jornal Semanal
Tweet Compartilhar
O povo brasileiro está envolvido há algum tempo em movimentos políticos, econômicos e sociais que afetam diretamente a ordem social e interferem cada vez mais no cotidiano dos cidadãos. As manifestações de servidores públicos, especialmente da classe de professores, denunciam o parcelamento de salários e o descaso em geral com que governos tratam a educação. Os educadores apenas querem reconhecimento pelo trabalho político-pedagógico comprometido realizada no dia a dia em suas escolas. Como a sociedade em geral tem se posicionado diante das manifestações e da própria greve dos mestres que educam seus filhos? 
Confesso que é muito preocupante o silêncio de muitos pais e da própria comunidade diante da situação de confronto que vive a classe docente com o governo. A educação de qualidade não pode ser privilégio dizia Anísio Teixeira na década sessenta. Acreditamos que só será possível superar os desafios atuais que afligem a educação quando assa deixar de ser apenas uma bandeira dos educadores e passar a ser uma causa de toda a sociedade. Se quisermos um país melhor, é hora de demonstrar apoio concreto às causas dos educadores, da educação. Tomar posição contra ou a favor de greve é muito pouco. Precisamos ocupar todos os espaços para proclamar que a figura do/a professor/a é fundamental para toda e qualquer sociedade.  Qual a importância que você está dispensando aos seus mestres? 
Os educadores, como lembra o Patrono da Educação Brasileira, Paulo Freire, são os responsáveis pela "boniteza da escola", são estes, que possibilitando a criticidade dos estudantes, ampliando as possibilidades de diálogo na sala de aula, auxiliam na emancipação dos alunos das amarras que os prendem na condição de oprimidos pelo sistema dominante. 
Entretanto, não é de hoje que vemos a desvalorização dos serviços públicos. Historicamente, muitos são os estudiosos que se preocuparam com a importância e o papel da "coisa pública", das instituições que exercem funções a serviço do povo. No entanto, tais discussões nunca foram tão pertinentes e necessárias como no contexto atual. O momento presente requer que repensemos o já pensado. A tradição cultural elitista no Brasil apenas tem se preocupa com aqueles que vivem no andar superior da pirâmide social, que não passam de 25% da população. É isto que precisa mudar. A escola sozinha não muda essa situação, mas pode contribuir significativamente para melhorar a vida de toda a sociedade. 
Os fatos históricos nos ensinaram que enquanto a escola pública era para poucos, oferecia certa qualidade, mas no momento em que a educação pública foi universalizada e tornou-se gratuita, o povo começou a frequentar a escola, o Brasil limitou-se a multiplicar escolas tradicionais obsoletas e indiferentes às necessidades dos alunos, não respeitando o principio da equidade e qualidade. Este contexto nos provoca a refletir: como uma escola forjada em moldes obsoletos, moldada em ideias no passado, pode fazer uma significativa transformação no presente? 
Neste contexto entendemos melhor as razões e intencionalidades que fundamentam o continuado sucateamento do trabalho do professor no decorrer dos tempos, o desdenho para com sua significativa importância enquanto agente educador no cotidiano escolar. As más condições de trabalho enfrentadas pela classe, bem como a remuneração não condizente com seu incansável e inestimável trabalho social, a insegurança profissional à que são submetidos, tem desmotivado cada vez mais jovens a escolher cursos de licenciatura para sua formação. Há um visível desgaste e desprestígio da carreira docente. A quem isto interessa se todos precisamos desse profissional? Nenhum outro profissional se forma sem passar pelo professor. Então, efetivamente é um profissional imprescindível e por isso merece o apoio de toda a sociedade. É a sociedade que deve valorizar e defender o seu professor.  
Para Florestan Fernandes (1966), nenhuma instituição terá progresso sem que haja "utilização construtiva das energias criadoras dos indivíduos" (p.129). Percebe-se que a educação é fundamental para potencializar e instrumentalizar os sujeitos na perspectiva das transformações desejadas. Por isto, a escola pública de qualidade é tão importante para a sociedade em geral.
 Neste contexto, como pensar em uma educação, que atenda a toda a população com qualidade e eficácia, sem contributos dos educadores? São eles que enfrentam diariamente seus conflitos e desafios e, apesar das mazelas encontradas, continuam implicados em lutar por dias melhores para as crianças, jovens e todo povo em geral. Afinal, educar é uma ação que diz respeito a todos.
No dia quinze de outubro celebramos mais uma vez o dia do professor, o mestre dos mestres. Uma oportunidade para lembrarmos e reconhecermos as suas lutas diárias, travadas com paixão e amor pela profissão e, principalmente pela esperança de um futuro melhor, pelo qual toda nação anseia. Parabéns a todos os educadores que exercem seu trabalho com honra, com dignidade e lutam pela valorização profissional. Continuem acreditando e testemunhando que um mundo mais bonito está sempre ao nosso alcance pela educação, apesar dos governos. A estes nós podemos derrotar nas urnas.

Simone Zientarski e Maickelly Backes de Castro; Acadêmicas do 6º sem. Pedagogia - URI - Santo Ângelo.
Cênio Back Weyh; Docente da Pedagogia e do PPG - Mest. Ensino Científico e Tecnológico - URI Santo Ângelo - Dr. em Educação. 
FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996.
FERNANDES, Florestan. Educação e sociedade no Brasil. São Paulo: Dominus, 1966.



Indicar a
um Amigo

Comentários

Deixe a sua opinião

Veja Também

17/11/2017   |
10/11/2017   |
27/10/2017   |
20/10/2017   |
13/10/2017   |




Todos os direitos reservados - Jornal Semanal - Três de Maio - RS