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'Existe uma nova Cotrimaio, moderna, austera e com foco cada vez maior no relacionamento com as famílias associadas e comunidades', define o presidente Silceu Dalberto

22/12/2017 - Por Jornal Semanal
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Ele classifica o novo momento da cooperativa, iniciado em 2013, como 'o mais marcante desta história de quase 50 anos': 'É, sem dúvida, um divisor de águas'

Eleito em 2013 para liderar a Cotrimaio no processo de liquidação extrajudicial da cooperativa, o presidente Silceu Dalberto considera que, nesse período, a organização aprendeu "a olhar cada negócio envolvido de forma diferenciada e alinhada com os desafios de mercado".
Para o presidente, "é, sem dúvida, um divisor de águas". "A partir de agora, existe uma nova Cotrimaio, moderna, austera e com foco cada vez maior no relacionamento com as famílias associadas e comunidades onde estamos presentes com nossas filiais", afirma, em entrevista ao Semanal.
Silceu avalia que "este novo momento é o mais marcante desta história de quase 50 anos", os quais serão completados em 2 de fevereiro. Segundo ele, "de 2013 até agora, seguramente, 90% das dívidas estão renegociadas, com diferentes prazos".
Hoje com aproximadamente 500 colaboradores, a Cotrimaio tem mais de 12,5 mil famílias associadas, nos 16 municípios da região onde atua diretamente com suas filiais. Atualmente, são nove supermercados, quatro postos de combustíveis, 16 lojas agropecuárias, uma fábrica de rações e um moinho.
Na entrevista ao Semanal, Silceu fala sobre o processo iniciado em 2013, sobre a confiança do associado, a possibilidade de a cooperativa sair da liquidação extrajudicial e projeções para 2018.

ENTREVISTA COM SILCEU DALBERTO
O que você tem a falar sobre o processo de remodelação e renovação da cooperativa iniciado em 2013 e sobre os métodos, os modos de conduzir adotados nele?
Como em todos os setores, os desafios mudam a cada ano e exigem uma adequação para que se consiga se manter competitivo e no mercado. Com o cooperativismo, não está sendo diferente. A grande maioria passa por momentos cruciais que exigem a tomada de uma visão estratégica para conseguir superar as flutuações da economia, da concorrência cada vez mais voraz, que exige uma nova relação entre cooperados e cooperativa.
Nestas novas diretrizes, temos que ajustar entre o velho conceito de cooperativa e as necessidades de sobrevivência como as de uma grande empresa que precisa gerar resultados positivos em cada área de negócio em que atua.

Em relação a isso, quais novos caminhos foram adotados e seguidos na comparação com como era antes do início deste processo?
Não existe uma comparação específica entre o processo de gestão anterior e o atual, pois foi necessário virar a página dentro de um cenário de terra arrasada, era desistir ou encarar o desafio. O momento era outro e foi preciso agregar aliados para planejar organizando as ações visando a chegar ao estágio em que a Cotrimaio está hoje.
Ajustamos as diretrizes sem nos esquecermos da essência cooperativista, que é a defesa e apoio ao associado. É por ele que precisamos ter uma cooperativa forte, agindo como balizadora de preços e repassadora de tecnologias, para que tenha bons resultados na propriedade.
Com planejamento, conseguimos crescer em média 20% ao ano e, em linhas gerais, neste período, duplicamos o faturamento, o que nos permitiu cumprir parcelamentos e a manutenção da cooperativa, inclusive com alguns investimentos. Isto foi possível graças ao engajamento dos associados, lideranças e credores, por meio de um voto de confiança na atual gestão.
De 2013 até agora, seguramente, 90% das dívidas estão renegociadas, com diferentes prazos. Neste processo, foi importante o projeto piloto, estimulando os credores a realizarem negócios com a Cotrimaio e, com isso, recebendo seus créditos de maneira proporcional a este engajamento.

Quando do início do processo, qual porcentagem do total de associados efetivamente fazia negócios com a cooperativa e qual porcentagem faz hoje?
Com as dificuldades geradas na época, em torno de 20% do quadro social efetivamente fazia negócios com a cooperativa. Mas, com o trabalho de recuperação, que gerou confiança e credibilidade com a realização do que era anunciado, chegamos hoje a mais de 70% do nosso quadro social efetivamente participando das atividades da Cotrimaio.

A confiança do associado definitivamente está de volta?
O associado foi parceiro fundamental neste fortalecimento da Cotrimaio. A cooperativa faz parte da história de muitas famílias, marcando gerações por meio das ações desenvolvidas principalmente no campo social.
O voto de confiança deles garantiu respaldo para a atual gestão tomar as medidas necessárias, muitas vezes não tão simpáticas, mas necessárias para que chegássemos ao ponto de equilíbrio planejado.
Com o associado depositando confiança na sua cooperativa, conseguimos agregar lideranças sindicais, políticas, fornecedores e a comunidade regional. Com isso, os negócios foram ocorrendo e dando condições de manter a estrutura funcionando de forma enxuta e honrando nossos compromissos financeiros.

Como você define o atual momento da Cotrimaio?
Este novo momento é o mais marcante desta história de quase 50 anos, não só pela superação de dificuldades, pelas quais muitas outras cooperativas também passaram, mas, também, pela oportunidade de mudarmos a visão e construirmos uma gestão moderna, alinhada com o novo momento do cooperativismo.
Não perdemos o nosso foco, que é cumprir os princípios que fundamentam a existência de uma cooperativa, mas aprendemos a olhar cada negócio envolvido de forma diferenciada e alinhada com os desafios de mercado, garantindo resultados positivos de faturamento para que sejam aplicados em favor dos nossos cooperados.
É, sem dúvida, um divisor de águas. A partir de agora, existe uma nova Cotrimaio, moderna, austera e com foco cada vez maior no relacionamento com as famílias associadas e comunidades onde estamos presentes com nossas filiais.

É grande a possibilidade de que em 2018 a Cotrimaio saia da liquidação extrajudicial?
A saída do processo de liquidação extrajudicial é o que perseguimos desde 2013. Temos perseverado nas negociações com os credores, buscando alternativas de pagamentos possíveis, que não comprometam a continuidade de nossas atividades e com parcelas possíveis de serem honradas.
A velocidade destas negociações não somos nós que definimos, pois cada credor tem seus trâmites legais para que isso ocorra. Trabalhamos dentro de um planejamento estratégico, e isto exige que sejamos cautelosos, levando em contas as variações da economia brasileira.
Conseguiremos avançar à medida que se incremente ainda mais a realização de negócios entre cooperados, fornecedores, recebimento de grãos, etc. Em resumo, tudo depende de nossos resultados financeiros. Isto é que vai ser determinante para que a cooperativa saia definitivamente deste processo.

Além dessa possibilidade - caso ela exista -, quais são os planos da cooperativa para 2018 e como ela imagina o comportamento do mercado para o próximo ano?
Para 2018, continuaremos focados neste processo de fortalecimento da Cotrimaio. Nosso planejamento de ações de cada setor já está concluído e nos sinaliza minuciosamente o que precisamos fazer para atingir as metas propostas e continuarmos avançando.
Com relação ao comportamento da economia, dados sinalizam um ano mais positivo, mas temos que estar sempre preparados, pois projeções nem sempre se concretizam, por isso reavaliamos quadrimestralmente nosso planejamento. Com isso, temos dados seguros de quanto alcançamos do projetado e, se necessário, promovemos os ajustes para fechar nossas metas anuais.

FOTO: JORGE MEDINA/COTRIMAIO/DIVULGAÇÃO



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