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Um ano que vai ficar na memória

22/12/2017 - Por Jornal Semanal
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Em 2017, três-maiense realiza o sonho  de conhecer o Egito

Jaqueline Pedroso de Oliveira, 24 anos, conta sua experiência de permanecer durante 50 dias no país

O ano de 2017 vai ficar para sempre na memória da jovem Jaqueline Pedroso de Oliveira. 
Fascinada pelo Egito desde criança, com seis anos apenas, ela já fazia planos de conhecer o país, recordam os pais Jairo Pedroso de Oliveira e Lurdes Paslauski Pedroso de Oliveira. 
Mas o sonho da menina não ficou apenas no imaginário infantil. Com força de vontade, a três-maiense de 24 anos, não mediu esforços para torná-lo realidade e, de 8 de fevereiro a 29 de março deste ano, por 50 dias, Jaqueline participou 
de um intercâmbio no Egito, através 
da ONG AIESEC 
e realizou um trabalho voluntário no país. 

A busca pelo sonho 
Jaqueline sempre procurou saber sobre o Egito, sua cultura, história, templos, deuses, dinastias, pirâmides, faraós e rainhas, etc. E foi desta forma, numa pesquisa na internet, que ela conheceu a ONG AIESEC (Association Internationale des Etudiants en Sciences Economiques et Commerciales), movimento de liderança jovem. 
Entre agosto/setembro de 2016, ela encontrou um canal no YouTube 'Quero Ir', de uma moça chamada Tati Bertucci. Ela dá dicas de viagens, e, em uma dessas dicas, ela comentou que foi para o Egito com a ONG AIESEC (aiesec.org.br) e que fez um trabalho voluntário no país. 
Como já tinha ligação com voluntariado, a três-maiense - que fez trabalhos voluntários na Escola Estadual Glória Veronese (Ciep de Três de Maio) - achou que seria ideal para ela. "Assim, eu iria realizar meu sonho e, ainda, fazer algo que ajudaria a sociedade como voluntária". 
Depois de assistir aos vídeos da Tati, ela procurou saber mais sobre a ONG e, após inúmeras pesquisas, se sentiu mais segura para se cadastrar no site (aiesec.org.br). "O cadastro era todo em inglês. E, como eu só sei o básico, utilizei muito o Google Tradutor para fazê-lo", descreve.
Após, em torno de sete dias  a AIESEC lhe mandou e-mail de retorno, querendo realizar uma entrevista com a jovem. "Esta entrevista tinha como objetivo explicar mais sobre a ONG e seus projetos. A entrevista foi feita via Skype". No Rio Grande do Sul, a AIESEC tem filiais em Porto Alegre e Santa Maria. Na entrevista, Jaqueline demonstrou sua vontade em conhecer o Egito e o desejo em fazer um trabalho voluntariado. 
O entrevistador mostrou três projetos que a ONG tem no país para voluntariado, que são o Empower, Enlisting e o Explorer. Os dois primeiros era preciso saber o inglês intermediário ou avançado, e ela não se encaixava nesse requisito. "Sobrou o Explorer, que tem como objetivo incentivar o turismo na região. E foi nesse que eu me apliquei à vaga".

Correria para ter documentação em dia para embarcar
Jaqueline assinou o contrato com a AIESEC no dia 29 de outubro, bem no dia do seu aniversário. "Foi o melhor presente da minha vida", comemora.
A partir daí, começou a correria, pois ela não tinha nada: mala, passaporte, - teve que refazer a Carteira de Identidade-, carteira internacional de vacinação, carteira do estudante internacional, roupas adequadas para aquela região. Ela não sabia onde podia comprar dólares, como comprar passagem aérea. Não sabia se podia levar o dinheiro pra fora do país.
Foram horas e horas de pesquisas. "E, o mais importante, eu tinha que melhorar meu inglês em quatro meses. Treinei muito o listening - para poder compreender o que os outros me falavam em inglês".
Ela ressalta que recebeu muita ajuda da ONG, de desconhecidos na internet, de amigos, familiares e de alguns professores da Setrem. Um deles, inclusive emprestou o cartão de crédito para comprar a passagem aérea. "Sem ele, acho que eu nem teria viajado", agradece.

Primeira viagem de avião
Destemida, a jovem pegou o voo em Porto Alegre e foi para São Paulo sozinha. E, de São Paulo para o Cairo (capital do Egito) também viajou sozinha. "É claro que eu senti medo. Mas eu estava muito confiante e muito preparada. Apesar de nunca ter viajado de avião ou sozinha e, muito menos ter saído do país, as pesquisas que eu fiz me ajudaram muito. Eu me senti a pessoa mais incrível do mundo por ter feito tudo sozinha", orgulha-se.

Trabalho voluntário
Foram 50 dias de intercâmbio no Egito, com objetivo de incentivar o turismo na região - Jaqueline viajava, fotografava e filmava tudo o que via.
No Cairo, ela ficou hospedada em um hostel (tipo de hotel, onde o quarto é dividido com outras pessoas), em que compartilhou com outros quatro intercambistas, de diferentes partes do mundo. 
Ela revela que muitas pessoas acham que a sua maior dificuldade era não saber inglês ou o árabe (língua local). Mas não. "É claro que, se eu soubesse, facilitaria muito, mas, não saber não me impediu de fazer tudo o que eu queria. Eu me virava muito bem. O Google Tradutor e Google Maps me ajudaram muito em tudo", brinca.

Impressões e realidades
O que mais surpreendeu a jovem, e que ela não imaginava ver com tanta intensidade, seria a pobreza do Egito. "Conheci muitas cidades. Viajava muito de ônibus, andava de metrô pelo Cairo e o subúrbio. Assim, consegui ver muita pobreza, sujeira, poluição. Em algumas cidades, o cenário era de guerra, casas destruídas, lixo pra todos os lugares. É triste imaginar isso num país com tanta história".
Outro fato que também a impressionou muito foi a situação dos templos e mesquitas. "Estão muito 'humanizadas' (sofreram a ação do homem), com muita luz artificial, câmeras de vídeo em quase todos os templos e nas pirâmides. Isso me decepcionou um pouco". 

População muito religiosa
Jaqueline enfatiza que o povo egípcio é predominante muçulmano e maioria pertencente ao islamismo. "A religião é levada muito à sério. Eles rezam cinco vezes ao dia. Existem autofalantes enormes, espalhados pelas cidades, e, quando chega na hora de rezar, toca uma música. A pessoa que é 'mais religiosa', para aonde está, estende um tapete no chão, se ajoelha e reza. Vi gente rezando na rua, no shopping, na rodoviária, no metrô". 
Sobre as vestes femininas, Jaqueline ressalta que nem todas as mulheres usam a burca, vestimenta típica. "A grande maioria usa o véu no cabelo, os braços e pernas também devem ficar cobertos, mas não necessariamente usam burca, e sim, roupas ocidentais".
A jovem declara que teve que usar o véu no cabelo para entrar nas mesquitas, além de ter coberto os braços e as pernas, mas que não se importou, porque tem respeito pela religião e a cultura do povo egípcio. 

Costumes e curiosidades 
No Egito, a população não é grande consumidora de bebidas alcoólicas - entretanto, consome-se chá, em todas as horas do dia. Por outro lado, o povo egípcio é muito fumante.
Lá também existem filas diferenciando homens e mulheres para entrar no vagão do metrô, na fila da padaria, na entrada do shopping. E os casais não podem se beijar em público. "Se fizerem, podem ser levados à delegacia. Mas, entre os homens é comum dar três beijinhos na face. Também é comum os homens andarem de mãos e braços dados, inclusive, policiais fardados fazem isso". 
No Egito, acontece o mês do Ramadã, onde a população faz 30 dias de jejum. O período de jejum é para rezar, refletir sobre a vida. Durante esse período, todo o comércio é fechado. À noite, a cidade se transforma, o movimento nos restaurantes é muito intenso.
Outra curiosidade é a gastronomia - a comida é muito apimentada. A comida mais comum ou o prato típico é o kóshari, que contém arroz, tomate, macarrão de vários tipos, lentilha, pimenta, salsa e cebola frita - e é muito gostoso. Sobre a economia, a moeda local é muito desvalorizada. "Comparada com o real, uma libra egípcia ou paunds como é conhecida, vale 0,18 centavos de real. O prato típico - o kóshari, custava em torno de 8 a 12 paunds, o que não chega a 3 reais", compara. Jaqueline conta que o povo egípcio adora os brasileiros, conhecem futebol e samba.

Jaqueline posa em uma das mais famosas esfinges do Egito, em Gizé 

O sonho de conhecer Israel
Durante o intercâmbio, a jovem aproveitou para conhecer Israel, especialmente, a pedido da mãe, Lurdes.
Ela foi sozinha com um grupo de russos, que só falava russo ou árabe, e, logicamente, não entendia nada. "Viajamos mais de 15 horas do Cairo até a fronteira Israel/Egito. Ficamos mais de 7 horas na fronteira, para autorizarem nossa entrada no país. Tudo isso para ficar menos de 12 horas lá. Mas valeu a experiência. Eu conheci os locais onde Jesus Cristo nasceu, morreu e foi sepultado, e o muro das lamentações. Inclusive, me perdi na Via Dolorosa, onde fica a Basílica do Santo Sepulcro na cidade velha, mas isso é outra história", recorda.

Experiência única 
Jaqueline é graduada em Tecnologia em Redes de Computadores pela Setrem e, atualmente, está cursando sua segunda graduação, em Tecnologia em Sistemas para Internet, no Instituto Federal Farroupilha em Frederico Westphalen (IFFAR).
Após essa experiência incrível, ela revela: "É como dizem, depois de uma viajem dessas, a mente se abre e você começa a ver o mundo de forma diferente, a pensar diferente e a agir diferente diante de tudo à sua volta. Você passa a acreditar que tudo é possível! Então, não deixem de realizar os seus sonhos por medo ou insegurança. É só acreditar, estabelecer metas e objetivos, e se planejar. Focar no pensamento positivo, que o universo vai conspirar a seu  favor", conclui. 

Segundo Jaqueline, o camelo é muito utilizado no transporte dos turistas

FOTOS: ARQUIVO PESSOAL




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