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Violência contra a mulher - Centro Flor de Liz realizou 2,4 mil procedimentos no último ano

16/03/2018 - Por Jornal Semanal
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Centro de referência, que presta atendimento gratuito a mulheres de sete municípios, passa a se situar em novo endereço

No último ano, o Centro de Referência da Mulher Flor de Liz (CRM), de Três de Maio, realizou em torno de 2,4 mil procedimentos - ou seja, atendimentos, orientação e encaminhamentos.
O Centro, por meio de um trabalho multidisciplinar, presta, a mulheres em situação de violência, atendimento gratuito nas áreas psicológica, jurídica e de assistência social.
Com esse número, a média ficou em 200 procedimentos por mês. "Poucas foram as mulheres que não buscaram o serviço em virtude de violência sofrida em algum período do relacionamento", conta a secretária municipal de Políticas da Mulher - pasta à qual o Centro está vinculado -, Márcia Herbertz.
Também, no último ano, em torno de cem mulheres procuraram o Centro pela primeira vez. Além de Três de Maio, o Flor de Liz atende aos municípios de Alegria, Boa Vista do Buricá, Independência, Inhacorá, Nova Candelária e São José do Inhacorá. Só no último mês de janeiro, foram registrados 227 procedimentos.
Desde a última sexta, 9, o Centro atende em novo endereço, na Avenida Uruguai, com acesso ao lado da farmácia Cruz Azul. Antes, estava localizado na Rua Padre Cacique, próximo ao Colégio Dom Hermeto.

Apoio da família e resgate da autoestima
Inaugurado em abril de 2013, o CRM conta atualmente com o trabalho da psicóloga Ana Patrícia Griebler, da advogada Angélica Loro e da assistente social Paola Schmitt Nagl. O atendimento é realizado de segunda a sexta, das 7h30min às 11h30min e das 13h30min às 17h30min, e o telefone é (55) 3535-3900.
Quanto ao trabalho com mulheres em situação de violência e à busca pela superação do quadro, Paola chama atenção para a importância tanto do apoio da família a elas - inclusive, há contatos do Centro com as próprias famílias - quanto do resgate da autoestima.
"Sem o apoio da família, se torna mais difícil retomar a vida. Não que as mulheres não consigam, mas se torna muito mais difícil", afirma a assistente social.
Ela acrescenta que um dos objetivos do trabalho com as mulheres é "fortalecê-las para que, de alguma maneira, sua autoestima seja reconstruída".
"As três áreas trabalham neste sentido, para que as mulheres possam se reconhecer e, assim, retomar a autoestima", explica. "Isso é muito importante, porque as consequências da violência são muito severas."

Aspecto psicológico
Ana Patrícia Griebler diz, quanto ao aspecto psicológico, que, embora cada mulher reaja de uma maneira diferente à situação de violência que enfrenta, em linhas gerais elas chegam ao Flor de Liz com a estrutura psicológica bastante fragilizada, principalmente quando o quadro já vem de um tempo maior.
Uma outra situação bastante comum que envolve mulheres atendidas é, no caso de elas terem filhos com o agressor, alimentarem muitas dúvidas sobre qual caminho seguir para seu futuro.
"Muitas vezes, isso (ter filhos com o agressor) faz com que a mulher fique nesse ciclo de violência por muitos anos, principalmente quando os filhos são pequenos e elas consideram precisar do companheiro para dar uma vida melhor para os filhos. Trabalhamos para que elas consigam lidar e gerenciar a vida dos filhos sem a presença do companheiro. Mas também existem situações em que os filhos têm um vínculo muito forte com o pai e não querem que a mãe se separe", explica.

Coibir uma cultura de violência
Em relação ao atendimento na área jurídica, Angélica conta que as mulheres que procuram o Centro sempre chegam também com muitas dúvidas. "É uma fase nova para elas, e aí entra toda essa questão dos filhos, a possibilidade de separação, e elas não sabem por onde começar", relata.
A advogada ainda lembra que o combate à violência no ambiente familiar é fundamental não somente para o curto ou médio prazo e para quem a vivencia naquele momento, mas, também, para que naquela família não se crie uma cultura de violência que atravesse gerações.
"É não deixar que a situação só se perpetue, porque, quando há filhos pequenos, os filhos veem a violência e têm isso como algo normal. Se o pai batia na mãe, quando o filho for adolescente e for se relacionar com outras pessoas, vai achar que isso é normal, que ele pode fazer, porque sempre viu isso em casa e tem isso como normal. É um ciclo. Cria-se uma cultura de que a violência doméstica é algo normal", enfatiza.

Maior coragem em denunciar
As profissionais avaliam que, embora ainda haja muitas mulheres que por medo de represálias relutam em denunciar seu agressor, pode ser sentida, de modo geral, uma maior coragem, por parte das vítimas, de se efetuar a denúncia.
"Penso que o acesso à informação que elas têm hoje facilita muito isso. Elas estão procurando mais, vemos isso pela demanda de atendimentos. Elas procuram, porque uma amiga falou, porque uma vizinha contou, então acho que tudo está bem mais acessível do que anos atrás", diz Paola.
"Esse medo, nós buscamos trabalhar. Então, quando a mulher não consegue ter esse enfrentamento e fazer o registro de ocorrência, buscamos fortalecer a mulher, explicar a situação, colocar o que vai ocorrer, para aí então ela se encorajar e decidir se quer ou não fazer a denúncia", detalha Angélica.
"A divulgação do trabalho também nos cartazes (os que contêm o número do disque-denúncia da violência contra a mulher e do Centro Flor de Liz), isso igualmente é muito importante. As pessoas têm mais acesso à informação e se sentem mais seguras, sabem para onde ir. Com isso, ao mesmo tempo em que continuamos tendo índices de violência muito altos, o enfrentamento a ela está sendo cada vez maior. Então, as coisas estão se equilibrando", conclui a advogada.

Sobre o registro: Assistente social Paola Schmitt Nagl, advogada Angélica Loro e psicóloga Ana Patrícia Griebler formam a equipe de profissionais do Flor de Liz. Centro de referência passa a se localizar na Avenida Uruguai

FOTO: MURIAN CESCA



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