Segunda-feira, 16 de julho de 2018
Ano XXX - Edição 1516
(55) 3535-1033
jsemanal@jsemanal.com.br
diagramacao@jsemanal.com.br

Do simples ao inusitado, pais têm a importante missão de escolher o nome dos filhos

29/06/2018 - Por Jornal Semanal
Tweet Compartilhar
Alguns casais ficam indecisos e acabam batizando o recém-nascido com nomes que estão na moda. Outros, buscam inspiração na religião, na natureza ou fazem homenagem a famosos, atletas e antepassados da família

Miguel e Alice. Esses foram os nomes que lideraram a preferência dos pais na hora de registrar seus filhos no ano passado. Os dados são do ranking elaborado pelo site BabyCenter e pelo levantamento da Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais (Arpen/Brasil). Pelos levantamentos, Miguel ocupa o topo do ranking há sete anos, e Alice, é o nome feminino preferido para bebês desde 2015. 
Nem sempre, decidir como registrar o bebê que está a caminho é tarefa fácil. Às vezes, a escolha  pode gerar conflitos entre os pais. Há quem sempre tenha sonhado em chamar o filho de determinada forma muito antes de engravidar. Por outro lado, alguns casais ficam tão indecisos que acabam batizando o recém-nascido com nomes que estão na moda. Outros, buscam inspiração na religião, na natureza ou fazem homenagem a famosos, atletas e antepassados da família. 
No Brasil, os nomes convencionais são a grande maioria, como José (7,9 milhões no país), Antônio, João, Francisco e Luiz, masculinos; e Maria (13,5 milhões no país), Ana, Francisca, Antônia e até mesmo Márcia, predominam entre os femininos. Mas também existem nomes diferentes e peculiares, como você confere nessa reportagem. 

Legislação proíbe nomes que exponham 
ao ridículo os seus portadores
Pela legislação nacional, ao considerar o nome escolhido pelos pais um nome que expõe a criança ao ridículo o Oficial de Registro Civil pode recusar-se a efetuar o registro. Isso é o que determina a Lei nº 6015/73, em seu artigo 55, parágrafo único, que diz: "Os Oficiais do Registro Civil não registrarão prenomes suscetíveis de expor ao ridículo os seus portadores. Quando os pais não se conformarem com a recusa do Oficial, este submeterá por escrito o caso, independente da cobrança de quaisquer emolumentos, à decisão do Juiz competente."
Pode parecer um pouco estranho pensar que uma decisão judicial pode decidir o nome do filho de um casal e não os pais, mas essa norma existe para proteger as pessoas que ainda não podem exercer seu direito à escolha do nome, que é um direito personalíssimo cujo titular é o filho. Vale lembrar que apenas o prenome (primeiro nome) está sujeito a este controle. O sobrenome ou patronímico não podem sofrer este tipo de análise, pois tem a função primordial de identificar a origem familiar.

'Os pais sempre devem pensar 10 anos à frente, quando a criança estiver em idade escolar 
e os efeitos de um nome estranho na sua vida', 
orienta professor de Direito Civil, Marcos Salomão
Marcos Salomão, Doutorando em Direito, Mestre em Direito e Professor de Direito Civil, é registrador titular do Cartório de Boa Vista do Buricá há 20 anos e responde pelos municípios de Crissiumal e Alegria. Em todos esses anos frente ao Cartório, ele recorda situações bem interessantes relativas ao registro de recém-nascidos.
"Uma vez, uma mãe queria registrar a filha de Chrysthynah. Não deixei. Ela ficou um pouco braba, mas depois conversamos e ela aceitou. Registrou como Cristina. Noutra oportunidade, neguei um nome estranho e os pais procuraram outro cartório onde foi registrado. Alguns meses mais tarde, conversei com o pediatra que atendia a criança e ele me disse que os pais reclamavam que as pessoas não sabiam pronunciar o nome do filho.Eu evito registrar nomes diferentes", afirma.
Segundo Salomão, a comunidade que o conhece já sabe disso. "Os pais sempre devem pensar 10 anos à frente, quando a criança estiver em idade escolar e os efeitos de um nome estranho na sua vida", alerta.
Para ele, a principal orientação para os pais é que "não inventem demais". "Às vezes, os pais querem algo diferente, mas nem sempre o diferente é normal. Pensem que o filho carregará o nome por onde for", aconselha. 

'Questão abrange conceitos subjetivos; deve 
haver sensibilidade e analisar cada caso'
Salomão avalia, ainda, que a questão abrange conceitos subjetivos e, portanto, o Oficial de Registro deve ter sensibilidade e analisar cada caso. E relembra uma situação, em particular. "No início da minha carreira, há 20 anos, neguei registrar uma menina com o nome de Marianna, por causa dos dois 'n'. A mãe foi para casa e retornou à tarde com três sacolas. Dentro delas, estava o enxoval da menina todo bordado Marianna. Revi meu posicionamento. Eu era muito jovem ainda para compreender. Fiz o registro. Foi uma experiência interessante", conta.

Somente o juiz pode autorizar a troca de nome, seja por retificação, quando contém algum erro, ou por expor a criança ao ridículo
O nome, de regra, é definitivo, principalmente o prenome, explica o Registrador. "Somente o juiz pode autorizar a troca de nome, seja por retificação, quando contém algum erro, ou por expor a criança ao ridículo. São comuns os processos de alteração de nome 'Bráulio' em razão de um propaganda infeliz do Ministério da Saúde, no Carnaval, há anos".
De acordo com o registrador, algumas pessoas, sentindo-se ofendidas, pediram judicialmente para alterar o seu prenome. "Em Porto Alegre, o juiz da Vara dos Registros Púbicos publicou uma portaria proibindo o registro do nome 'Xana' na Comarca de Porto Alegre". 
Salomão explica ainda, que o nome também pode ser alterado na troca de sexo da pessoa, ou pode receber a inserção de um apelido (exemplo Xuxa, Lula). "Além disso, existe um programa de proteção à testemunha, que permite a troca de nome", conclui Salomão.
Marcos Salomão, registrador titular do Cartório de Boa Vista do Buricá, orienta aos pais refletirem muito 
sobre o nome que darão aos filhos, para que, no futuro,este nome não seja motivo de constrangimento

Nomes diferentes fazem parte da vida 
de muitos três-maienses

Bruce Lee três-maiense faz carreira na Brigada Militar
Quem nunca ouviu falar do grande mestre em artes marciais, artista, filósofo, ator e cineasta norte-americano de Hong Kong, chamado Bruce Lee? Bruce Lee (que faleceu no ano de 1973), é considerado um dos mais influentes artistas de artes marciais do século XX.
E foi com essa inspiração que os pais Alaci e Elói, de Três de Maio, registraram o filho, há 29 anos, de Bruce Lee Piccinini.
O Bruce Lee de Três de Maio afirma que a escolha do nome ocorreu, principalmente, porque os pais eram fãs de artes marciais, em especial, o pai Elói, que era praticante de Karatê. "O nome Bruce Lee é conhecido mundialmente como o mais famoso lutador de Kung Fu; também conhecido como Besouro Voador", conta o três-maiense que se orgulha da origem do seu nome.
Assim como o Bruce Lee da televisão, o Bruce Lee Piccinini tem na profissão de policial da Brigada Militar de Três de Maio, o exemplo de luta e determinação para conquistar seus objetivos. "Sempre gostei de meu nome por ser diferente. E porque o Bruce Lee pregava a paz, o equilíbrio, a disciplina e dedicação durante toda a sua vida, valores que foram ensinados por meus pais e pratico na minha vida também", afirma.
'Na infância, ninguém dava importância, então não tinha brincadeiras'
Questionado sobre as brincadeiras ou piadas que fazem com ele sobre o nome "peculiar", Bruce Lee revela uma curiosidade: "na infância, até ninguém sabia do que se tratava o meu nome, então não tinha brincadeiras".
Porém, na vida adulta, as brincadeiras são quase diárias. "No tempo em que estava no Exército em Santa Rosa (19º RC MEc) em 2008, o nosso Pelotão era conhecido como o Pelotão Hollywood, já que tinha nomes como John Lennon e Rambo. Hoje, as brincadeiras ocorrem mais no trabalho, quando pedem: "cadê o lutador?", "cuidado, que aquele é brabo", conta, dizendo que em geral, as pessoas têm dificuldade em escrever seu nome.
Casado com Rosângela, Bruce Lee conta que tem um irmão, cujo nome é Jean. E que, nas brincadeiras, "sempre pedem o clássico grito do Bruce Lee: iáááá", brinca o policial militar.

Policial militar, Bruce Lee Piccinini conta que brincadeiras são quase diárias 

Jakles, Dogles, Jamikles e Royson são os nomes dos irmãos Soares 
Na família de Jakles Maron Soares, 32 anos, não é somente ele que tem um nome diferente. Os três irmãos tem nomes bastante peculiares: Dogles, Jamikles e Royson.
Policial militar e engenheiro agrônomo, Jakles conta que a explicação do seu nome, segundo a mãe Iria, foi inspirado em uma novela. "Minha mãe lia novelas em uma revista, e numa desta, havia um ator e diretor cujo nome era Jacques, o que inspirou meu nome ser Jakles", conta.
Ele confessa que seu nome sempre foi alvo de curiosidade e, às vezes, até brincadeiras, mas nada que fosse constrangedor.
Para Jakles, ter um nome diferente e de bastante originalidade, "inspira personalidade e criatividade", e, muitas vezes, ele se sente "único". Porém, existem alguns inconvenientes também. "Como por exemplo, ter que repetir várias vezes o meu nome para que a outra pessoa entenda, ou  até ter que soletrar, além da tradicional pegunta: 'onde seus pais estavam com a cabeça? Por que escolheram te chamar assim?", relata.
Com uma ideia de formar nomes um pouco parecidos com o do primeiro filho, os pais José e Iria decidiram colocar nomes diferentes nos outros três filhos: Dogles, 30 anos, Jamikles, 27, (que é uma mistura de Jakles e Mike), e por fim, o último nome, Royson, 25 anos, cujo nome foi inspirado de uma antiga marca de relógios (Relógios Royce). "Acredito que a influência de meus pais colocarem nomes diferentes em nós, foi devido a eles possuírem nomes simples, e querer dar nomes diferenciados aos filhos", avalia. 
Jakles dá uma 'dica' para as pessoas que têm nomes peculiares conviverem bem consigo mesmas. "Quando for alvo de alguma brincadeira que não se sinta bem, coloque um sorriso no rosto e leve na esportiva, que é a melhor resposta. E outra dica é que não ficar triste, pois com certeza tem nomes muito mais estranhos que o seu", diz, sorrindo.
Irmãos Royson, Jamikles, Dogles e Jakles levam as brincadeiras na esportiva

FOTOS: DIVULGAÇÃO/ARQUIVO JS

Confira a matéria completa no jornal impresso




Indicar a
um Amigo

Comentários

Deixe a sua opinião

Veja Também

22/06/2018   |
15/06/2018   |
01/06/2018   |
18/05/2018   |
16/03/2018   |




Todos os direitos reservados - Jornal Semanal - Três de Maio - RS