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Grupo americano apresenta projeto para construção da ponte internacional entre Porto Mauá e Alba Posse

03/08/2018 - Por Jornal Semanal
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Ponte entre Porto Mauá e Alba Posse pode se tornar realidade
Grupo americano pretende investir 100 milhões de dólares na obra, que deve ter pistas para veículos e até ferrovia 
Uma importante obra - que pode trazer benefícios para toda a grande região - finalmente, poderá sair do papel. Uma boa notícia foi dada na tarde de segunda-feira, dia 30 de julho, na cidade de Porto Mauá. Trata-se da construção da ponte que ligará a cidade, do lado brasileiro, a Alba Posse, na Argentina.
Diretores da empresa Iccann - sediada em Washington (EUA) - que representa um fundo de investimento americano, apresentaram para a comunidade local o projeto de construção da ponte internacional, cuja obra prevê a aplicação de 100 milhões de dólares. Hoje, a travessia é feita por balsas no Rio Uruguai. O representante da empresa no Brasil, Enrique Woebcken afirmou que o recurso está garantido. "O fundo enxerga o potencial da região, muito além da ponte. Vislumbramos investimentos também nas áreas de saúde e educação. Temos o olhar social como base do nosso trabalho", declarou.
O anúncio do projeto renovou o ânimo da comunidade regional. Isso porque, Porto Mauá não seria contemplada com recursos do governo federal para a construção da ponte internacional, mas sim a cidade de Porto Xavier. A ponte deve ligar Porto Xavier, no norte gaúcho, e San Javier, na Argentina.

Projeto audacioso e 100% privado 
O projeto, denominado de Complexo Ponte Internacional Alba Posse-Porto Mauá, estabelece a construção de uma ponte rodoferroviária, ou seja, para veículos e trens, com três pistas de ida e três pistas de volta; túnel e piso de vidro em cada lateral para passeios turísticos. Trata-se de um projeto audacioso, que estava sendo mantido em silêncio até então por uma empresa de planejamento e projetos, com sede em Santa Rosa e o fundo investidor americano. 
O projeto executivo e ambiental está em andamento. Conforme o grupo investidor, o projeto já tem a aprovação do governo brasileiro, mas falta a aprovação do governo argentino. Após, será finalizado o projeto executivo e os governos podem lançar edital de concessão para construção e exploração comercial. Apesar de ser investimento privado, a contratação para a obra depende de licitação, já que é um projeto binacional e por concessão.  
O investimento será 100% particular, através da Iccann, que fará o aporte financeiro; e a coordenação dos valores no Brasil é de uma empresa de construções de Santa Rosa. 

Previsão de início das obras em 2019
A expectativa é de que a obra seja iniciada no início de 2019 e a partir daí, o contrato com a construtora será de 18 meses para entregar a obra pronta. 
Segundo os investidores, a ponte estará efetivando o Mercosul e desenvolvendo toda a região Noroeste; fazendo crescer o turismo, a instalação de novas indústrias, novos empreendimentos, entre outros benefícios que serão gerados com o Complexo Ponte Internacional Alba Posse-Porto Mauá; que será construído no modelo de concessão pública privada (pelo período de 30 anos) para exploração comercial.


'Incógnitas ficaram no ar; minha obrigação é de que toda a nossa grande Região Noroeste saiba verdades' , diz novo presidente da Fundação Pró-Construção, em entrevista ao Semanal
Na reunião de segunda-feira, a comunidade questionou sobre a origem do fundo, sua atuação no Brasil, o porquê do investimento na região e a real possibilidade de a ponte ser executada. 
Segundo Alexandre Targa, um dos diretores da empresa, o objetivo é trabalhar de nação para nação. "Teremos retorno do investimento no decorrer do prazo da concessão, porém, o que motivou tudo foi a real necessidade da população local. Temos um modelo que quer lucro, mas que considera muito as ações sociais." 
O recém-eleito presidente da Fundação Pró-Ponte Internacional Porto Mauá-Alba Posse, José Muñoz Garcia, empresário do setor metalmecânico de Santa Rosa, falou ao jornal Semanal sobre as incógnitas que ficaram no ar, mesmo após a reunião com os investidores. "Faltam respostas. Mas isso é o que vamos esclarecer. É minha obrigação de que toda a nossa grande Região Noroeste saiba verdades. Tenho isso como premissa dentro dos próximos dois anos (de gestão); compartilhar todas as informações com toda nossa região."  
Para Garcia, o fato de investir na região, e na ponte entre Porto Mauá-Alba Posse, está ligado a "projeções futuras muito mais amplas que imaginamos". "Temos o Aquífero Guarani; as matérias-primas (de origem vegetal e animal) que têm que chegar ao Pacífico e atravessar vários países, como China, Japão, Indonésia, e precisam dessa logística para serem mais competitivos em nível mundial. Essas podem ser as análises dos porquês desse grupo investir aqui na nossa região", disse o presidente.
Além disso, Garcia revelou que a gestão vai até o primeiro semestre de 2020 e deverá haver mudanças na forma de trabalhar de toda a diretoria da Fundação. "Passou o tempo e temos que saber onde queremos chegar, o que queremos fazer; falta informação e gera incertezas dos sócios. A nossa meta é ver a região unida, para termos força política, de ação, investigativa. São mais de 20 anos de Fundação na busca pela ponte, por isso, vamos acompanhar de perto os passos dessa nova possibilidade de ter a obra."
Presidente da Fundação Pró-Ponte Internacional Porto Mauá-Alba Posse, José Muñoz Garcia

Fundação tem 272 cotistas e 
mais de R$ 1 milhão em caixa
A Fundação Pró-Ponte Internacional Porto Mauá-Alba Posse foi constituída em 16 de dezembro de 1996 e registrada em 7 de março de 1997, por iniciativa de várias entidades e associações da região. O ex-presidente Airton Bertol da Silva participou desde o início, sendo secretário, até chegar na presidência, nos últimos anos.
Questionado pelo Semanal com qual objetivo a Fundação foi constituída, ele declara: "com o objetivo de fazer a Ponte Internacional Alba Posse-Porto Mauá, e digo com toda a certeza que o objetivo foi alcançado".
Isso porque, segundo Bertol, "nos 21 anos de fundação, pode-se dizer que foram feitos todos os esforços possíveis junto aos governos do Brasil e da Argentina para se obter desde o Acordo Binacional das Pontes, que é lei nos dois países; e agora, na parceria de um grupo privado - Iccann Service - o qual formalizou proposta de investimento 100% privado para a Ponte Internacional Alba Posse-Porto Mauá."

Recursos intocáveis e sensação de dever cumprido
Quando foi fundada, qualquer pessoa (física ou jurídica) da comunidade regional poderia contribuir com a Fundação, através de cotas. Conforme Bertol, a Fundação faz o trabalho de manter estes "recursos intocáveis", pois a única finalidade é aplicá-los na construção da ponte. 
Atualmente, a Fundação conta com 272 cotistas e tem em caixa R$ 1,034 milhão. "Os recursos estão em conta bancária, conforme contrato individual de cada cotista com a Fundação", assegura.  
Ao entregar o cargo, Bertol alega que tem a sensação de dever cumprido. "Estou de alma lavada e com muito orgulho dos trabalhos desenvolvidos a quatro mãos; com apoio de muitas entidades da região, que sempre estiveram juntas no processo desta construção e dando o maior apoio possível para as ações da Fundação. Entrego a presidência com documentação completa até este momento, e com o grupo de investidores pronto para participar do processo de licitação de concessão da obra - Ponte Internacional Alba Posse-Porto Mauá, já que a empresa está elaborando o projeto executivo e ambiental para entregar ao governo, sem custo para a licitação de concessão", conclui o ex-presidente.
  1. Ex-presidente da Fundação, Airton Bertol da Silva  
FOTOS: DIVULGAÇÃO

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