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Dia dos Pais

10/08/2018 - Por Yara Lampert
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Ele criou os dois filhos praticamente sozinho!

Quando se tem o papel de pai e mãe ao mesmo tempo, e, uma situação de  muita pobreza; surgem sentimentos de dúvidas, medo, insegurança e solidão. Mas, a coragem e o amor podem superar tudo isso.  
Nesta edição, trago a entrevista com Josias Corrêa, 37 anos, pai dos gêmeos João e Pedro. Josias ficou viúvo quando os filhos estavam com 8 anos de idade, e numa situação de muitas restrições financeiras. O tempo passou, e hoje os filhos estão com 17 anos. Uma história real, cheia de amor e superação.

Conte um pouco da sua história. Como foi a perda da esposa, com os filhos ainda pequenos?
Nasci em Três de Maio e cresci no Bairro Promorar, onde moro até hoje. Vim de uma família muito humilde, com seis irmãos. Meu pai, um homem muito humano e batalhador morreu muito jovem, e cada um dos seis filhos ficou a própria sorte. Tive o privilégio de conhecer minha falecida esposa, com quem me casei e tivemos dois filhos, os gêmeos Pedro e João. Fomos morar juntos num barraco (barraco mesmo, de lona), feito por minha mãe, na antiga Vila Lixinho, hoje Bairro Esperança. Criamos os gêmeos lá por um ano e meio, até conseguir trabalho com carteira assinada. Em 2001,  comprei minha própria casa, no Bairro Promorar, com ajuda de meu patrão na época. Logo depois minha esposa Clenir, com apenas 26 anos,  foi acometida por um câncer no útero. Fez tratamento, ficou boa, porém dois anos depois, foi acometida com câncer secundário no pulmão, e aí começou mais uma batalha pela vida. 

Como foi este período?
Quando recebemos a notícia,  fazíamos inúmeras perguntas, o porquê disso acontecer conosco. Chorávamos juntos a cada radioterapia e quimioterapia e em nenhum momento pensávamos em desistir. Era algo que precisávamos enfrentar e  vencer juntos. Tudo o que ganhávamos ia para seu tratamento em Porto Alegre. Aqui dependíamos de doações de alimentos e roupas para as crianças que ficavam com os vizinhos e amigos. Clenir faleceu com 30 anos.

Quem teve papel importante nesta etapa?
Eu estava arrasado, achando que tudo estava perdido. Eu não tinha noção de como preparar uma refeição sequer.  Felizmente contei com a ajuda da Igreja nos primeiros meses, logo após a morte da mãe deles. Trabalhava como  zelador  no turno da noite, da meia-noite até as seis da manhã. Levava as crianças junto comigo trabalhar, mesmo com  frio ou chuva, eles sempre me acompanhavam, estavam lá comigo. Não tinha com quem deixá-los e assim estava perto deles.

O que você tem a dizer para os homens que abandonam a família, quando a mulher se encontra em situação de doença extrema ou quando ela morre?
Que os laços não se rompem com as dificuldades, e sim se tornam muito mais fortes. Que os filhos são nossa ponte com o futuro, refletindo assim quem somos.

Qual foi o momento mais difícil que você enfrentou junto com seus filhos?
O pior momento foi a perda da mãe deles. Nem mesmo a miséria pela qual passamos doeu tanto quanto  a perda dela.  Foram os ensinamentos dela que nos tiraram daquele barraco e nos trouxeram até onde estamos hoje.

Com o passar do tempo, os filhos cresceram, você voltou a estudar, se formou em técnico em enfermagem e se elegeu vereador. Como foi este processo?
Foi uma caminhada dura, porém exitosa até aqui. Logo depois de sair do trabalho de zelador, fui trabalhar no administrativo do ESF do Bairro Promorar, saindo como uma popularidade muito grande pelo bom atendimento aos pacientes. Sai do administrativo do ESF e vim trabalhar como atendente de farmácia, onde fiz um trabalho dedicado à humanização do atendimento e isto exigia estudo. Então, voltei para a sala de aula e me formei. Candidatei-me a vereador, e tive grande êxito, me elegendo. Estou sempre a mil, e, sempre que possível, atendendo os munícipes em suas reivindicações.  Fico grato a cada um e a cada uma das pessoas que Deus colocou em minha vida.  

Como é a relação com os seus filhos?
Como qualquer família, temos nossas complicações. Hoje eles estão na adolescência e é uma fase difícil; mas sentamos e tentamos encontrar respostas para resolver os problemas. Temos uma relação de confiança entre nós, cada um respeita o limite do outro. Tudo o que fizemos é em conjunto. Sempre respeitando a hierarquia.

O que eles representam pra você?
Eles representam uma vida de sucesso, alegrias, emoções, coragem e persistência, representam o amor infinito para toda a vida. Representam uma missão cumprida até agora. Pois possuem humildade, senso de justiça e caráter; sinto-me vitorioso.

Que mensagem você deixa aos pais e a todos os filhos?
Aos pais, que não apenas critiquem seus filhos, mas, que os criem, instruindo e os aconselhando para que não desanimem, encorajando-os para suportar as dificuldades que a  vida impõe. Os filhos são herança do próprio Deus, uma recompensa que ele nos dá. Agradeça a Deus por estas bênçãos que são os filhos. 
Aos filhos, não desprezem seu pai, escute-o, não se afastem por nada na vida; aprendam a não guardar mágoas. Cuidem e estejam sempre presentes em sua vida. Abrace-o, enquanto ainda está aqui; amanhã pode ser tarde. É um mandamento com promessa de lei divina: honrar o pai e mãe para que te prolongue a vida.

Josias com os gêmeos, João e Pedro



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