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A experiência de ficar quase um ano no 'país mais poderoso do mundo'

31/08/2018 - Por Jornal Semanal
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Gustavo Lorenset Benedetti, 18 anos, participou do intercâmbio do Rotary na cidade de Carlisle, na Pensilvânia - Estados Unidos da América -, e se surpreendeu com o respeito às leis e o patriotismo dos cidadãos americanos
O sonho de conhecer os Estados Unidos da América se tornou realidade para o três-maiense Gustavo Lorenset Benedetti, 18 anos. Ele permaneceu na cidade de Carlisle, na Pensilvânia, durante 355 dias e retornou para Três de Maio no último dia 4 de agosto.
Filho do casal de rotarianos Vera Lúcia e Julinho Alberto, e irmão de Gabriel, 16 anos e Bernardo, 14, ele foi selecionado para o Programa de Intercâmbio de Jovens do Rotary Internacional. A ideia do intercâmbio já acompanhava o estudante desde o ano de 2016. Para torná-la real, ele contatou um membro do Rotary de Três de Maio e passou por algumas fases de seleção, incluindo provas. "Quando descobri que minha colocação foi muito boa, achei que iria para o país que optei por primeiro, a Itália. Contudo, havia uma vaga para os EUA oferecida ao nosso Distrito que requeria o documento de proficiência de inglês, o TOEFEL. Eu era o único do Distrito que tinha esse documento, pois a Setrem, naquela época, havia disponibilizado para seus alunos a oportunidade de fazer o teste na escola; e sou muito grato a isso. Em janeiro de 2017 obtive a informação que iria para uma cidade do nordeste dos EUA. A confirmação da vaga somente ocorreu com o aval do Clube e o carimbo da escola anfitriã (documento chamado "Guarantee Form") que chegou três meses antes de eu embarcar."

Destino: Carlisle, na Pensilvânia
Com 19 mil habitantes, a cidade de Carlisle tem infraestrutura muito desenvolvida e acessibilidade, com grandes rodovias (de 4 a 6 vias de cada lado), que conectam estados diferentes e são essenciais para o tráfego de caminhões (principais responsáveis pelo transporte comercial no país). Uma viagem para Washington DC (capital norte-americana), leva apenas cerca de duas horas e para New York City, quatro horas. 
A qualidade de vida é muito alta e o salário mínimo, no caso da Pensilvânia, é de 17 dólares (em torno de 70 reais) por hora. Todavia, o custo de vida também é muito alto, principalmente, no quesito alimentação.
A cidade conta com a Faculdade Dickinson (Dickinson College) e a base militar. "Localizada no centro da cidade, a faculdade ocupa diversos quarteirões com prédios antigos e campos que trazem para cidade uma paisagem maravilhosa. É a 10ª universidade mais antiga dos Estados Unidos. Outro local importante é o The U.S. Army War College, uma base militar responsável por ensinar técnicas estratégicas, de liderança, de guerra, etc." 

Três-maiense apreciando a paisagem do Grand Canyon, no Arizona 

Dificuldades de adaptação 
Durante o intercâmbio, Gustavo teve três famílias anfitriãs. Para ele, o segredo para a boa convivência é "ser flexível, aceitar/respeitar a cultura e se esforçar para se adaptar e dialogar com as pessoas." 
No começo, foi um pouco complicado pelo fato de tudo ser novidade. "No momento que cheguei lá eu tinha um conhecimento gramatical do inglês muito forte, porém, eu ainda não entendia muito bem as pessoas, por causa da rapidez com que elas falam. Para responder, eu pensava primeiro em português e depois traduzia para o inglês. Demorou algumas semanas até entendê-los completamente e uns três meses para pensar as respostas em inglês."
E outro fator era a saudade de casa, dos pais e irmãos. "Fazer atividades e buscar manter a mente ocupada a todo momento me ajudou muito a me adaptar lá."

Oportunidade para desenvolver habilidades pessoais
"O intercâmbio é um momento incrível em que se aprende a desenvolver várias habilidades pessoais. A capacidade de decisão, de autoliderar-se, aprender uma língua, criar novos relacionamentos e expandir a visão de mundo são apenas alguns pontos a ressaltar. Ao mesmo tempo o Programa de Intercâmbio de Jovens do Rotary promove um aprendizado cultural e cumpre um de seus principais objetivos que é manter a paz entre os povos."
Para Gustavo, o intercâmbio do Rotary foi a melhor experiência que já teve na vida. "É incrível como sua noção muda ao compreender o mundo ou ter outras visões a respeito dele. Antes de ir, você tem uma expectativa de como tudo vai ser, porém, muita coisa acontece de forma inesperada, pois cada dia é novo e te surpreende. O intercâmbio transforma e você somente percebe isso quando está vivenciando um. Com certeza, faria tudo de novo! E 'bora' lá, se preparar para a próxima", resume.

Inverno rigoroso e lugares visitados
Em Carlisle existem dois Rotary Clubs e Gustavo frequentava uma reunião por semana. "Os Rotary Clubs de lá me deram muito suporte ao longo do ano." 
Quando ele chegou na Pensilvânia, estava no fim do verão e era quente como no Brasil. "No outono as temperaturas variavam de 5 a 25 C. O inverno é maravilhoso, com temperaturas chegando a 30 graus negativos."  
Gustavo conheceu ainda New York City; Harrisburg (capital do estado da Pensilvânia); Filadélfia e a capital Washington D.C. "Tive a oportunidade de fazer uma viagem ao redor do país durante o último mês de intercâmbio. Foram 31 dias durante o mês de julho, aproximadamente 12.000 km de viagem em ônibus, resultando em 25 estados do país visitados. Com outros 60 intercambistas do Rotary de mais de 20 países diferentes visitamos Tennesse, New Orleans (no dia do meu aniversário) San Antonio, Grand Canyon, San Francisco, Las Vegas, Los Angeles, praia de New Port na Califórnia, parque nacional de Yellowstone, Chicago, Cataratas do Niágara, etc. Foi uma maneira sensacional de finalizar o intercâmbio."


'Americano respeita muito a Constituição e tem grande preocupação com segurança'
Conforme Gustavo, os americanos, em geral, possuem um grande respeito às leis. "As regras de trânsito são estritamente seguidas e na escola se aprende muito a respeito da Constituição dos EUA; bem como os direitos e deveres que o cidadão possui dentro de uma sociedade democrática como é a norte-americana. Além disso, eles têm muito patriotismo e uma preocupação enorme com a segurança."
Ele também revela que lá se dá muita importância ao trabalho comunitário, tanto é que muitos jovens da sua escola, frequentam grupos de jovens de igreja. "Eu procurava ir todas as semanas no grupo de jovens da igreja católica para buscar construir novas amizades e estar mais envolvido com a comunidade."
Nos EUA o Natal ocorre no inverno e Gustavo ficou encantado com a festividade. "Foi a primeira vez que passei um Natal no inverno. As músicas tocadas durante o mês, as comidas típicas e o costume de escolher uma árvore natural (pinheiro), além de decorar toda casa trazem um clima a mais para celebrar. O ano novo passei em Craftsbury, uma cidade muito pequena no estado de Vermont, onde esquiei e enfrentei temperaturas negativas de 31 graus", recorda. 

Gastronomia, escola e a prática de esportes
"A gastronomia é incrível, pois é muito diversa devido a quantidade de etnias existentes no país; japonesa, indiana, tailandesa, italiana, chinesa, mexicana, entre outras."
Entre os tipos de refeição que Gustavo gostou foi macarrão com queijo e porco desfiado com molho barbacue além de brisket (carne de gado cozida por um longo período), galinha frita e também os "burgers", que são muito saborosos. "A torta de nozes também é um prato que eu gostei demais e que era específico da Pensilvânia vindo da cultura dutch (holandesa). Tem também o sorvete; assim como os burgers, o sorvete está enraizado na cultura norte-americana, e tem de todos os tipos, que podem variar pra um 'smoother' ou um 'freeze', além da diversidade em sabores." 
Ele também teve a experiência de fazer smores (dois biscoitos com chocolate no meio - geralmente chocolate da Hershey - e marshmalllow, que se coloca na fogueira). 
Gustavo frequentou o terceiro ano de uma escola pública e foi um dos fatores que mais me impressionou o jovem "Ela é muito grande, tem cerca de 1.500 alunos onde você pode escolher de 5 a 7 cursos, e mais de 60 opções de disciplinas. Inglês e educação física são obrigatórios para todos os anos; as aulas se iniciam às 7h49, o almoço é das 12h27 até às 12h57 e as aulas se encerram às 14h45." 
Nos EUA é muito comum os jovens praticarem algum esporte depois das aulas. "A escola oferece um conjunto de esportes para cada temporada (outono, inverno e primavera), além de duas academias disponíveis para a aula de Educação Física e para os esportes extra-curriculares; e um estádio de futebol americano com uma pista de corrida de 400m entre o campo e as arquibancadas. Ao mesmo tempo há dois ginásios destinados para vôlei, basquete e hockey, além de um campo de futebol, outro de basebol e por fim três quadras de tênis." 
O jovem destaca que os americanos são mais "fechados" que os brasileiros e para fazer amizades, no início, foi difícil. "Por isso procurei me envolver ao máximo, fazendo esporte, num clube da escola e frequentava um grupo de jovens. Aos poucos comecei a fazer amizades nesses meios e foi maravilhoso! Eles são muito acolhedores quando eles conhecem quem é você realmente."


Gustavo foi reconhecido como top 10% da sua turma Júnior, entre quase 
400 estudantes

FOTOS: ARQUIVO PESSOAL




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