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Situação do ensino superior preocupa autoridades e educadores

06/09/2018 - Por Jornal Semanal
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Para o coordenador do Fórum das Faculdades Comunitárias, Antonio Ternes, 'se persistir o atual cenário, a sociedade poderá ficar exposta por muitos anos ao consumo de produtos de baixa qualidade em relação à aprendizagem resultante'

A atual situação do ensino superior motivou a realização de uma audiência pública na última semana, na quinta, 30, em Santa Rosa. A audiência foi promovida pela Comissão de Assuntos Municipais da Assembleia Legislativa. A comissão é presidida pelo deputado Eduardo Loureiro (PDT).
Realizado no Centro Cívico, o debate reuniu autoridades, gestores, educadores, estudantes e comunidade em geral. A insuficiência na concessão de financiamentos, a disseminação de cursos a distância (considerada, na audiência, desenfreada e sem critérios) e a consequente exposição de alunos a uma educação vista como de baixa qualidade foram alguns dos assuntos que pautaram o debate.
Durante a audiência, Eduardo Loureiro anunciou a criação de um grupo de trabalho que vai sistematizar num documento todas as questões abordadas no debate. A intenção é ampliar as pautas com os deputados federais e senadores nas próximas reuniões da bancada gaúcha do Congresso Nacional.

Ternes vê risco de estudantes obterem um diploma 'tendo competências e habilidades inferiores àquelas efetivamente exigidas pelo mercado'
Em entrevista ao Semanal, o coordenador do Fórum das Faculdades Comunitárias (Forcom), Antonio Ternes, que foi um dos componentes da mesa principal da audiência, diz que "o atual cenário da educação superior no Brasil é marcado por aspectos como restrição ao crédito (Fies), regulamentação do ensino a distância, redução no número de estudantes, demissão de professores e fechamento de cursos e instituições de ensino superior, entre outros".
"A flexibilização das regras para implantação do ensino a distância é um fator preocupante. O EAD (ensino a distância) existe em todo o mundo, é uma modalidade que deve ser respeitada pois cumpre uma função importante no ensino, todavia, o modelo de EAD proposto pelo Brasil pode trazer consequências graves à qualidade dos cursos superiores", analisa ele, que é o diretor-geral das Faculdades Integradas Machado de Assis, de Santa Rosa.
"O aumento da concorrência força a redução do valor das mensalidades e, consequentemente, as instituições de ensino superior são forçadas a reduzir custos. Um dos mais expressivos cortes se dá na demissão do corpo docente. No mundo, instituições que oferecem a modalidade EAD operam com valor da mensalidade próximo ou superior ao da modalidade presencial. Isso garante a qualidade dos cursos", diz.
Na visão dele, "se persistir o atual cenário, a sociedade poderá ficar exposta por muitos anos ao consumo de produtos de baixa qualidade em relação à aprendizagem resultante". "Assim, acreditamos que as autoridades públicas devem intervir para tentar evitar que mais gerações de brasileiros sejam vítimas desse processo, correndo o risco de obter um diploma de nível superior tendo competências e habilidades inferiores àquelas efetivamente exigidas pelo mercado", declara.
"As organizações demandam profissionais adequados à economia 4.0, mas as instituições de ensino superior, especialmente as comunitárias, predominantes no Rio Grande do Sul, terão dificuldades de atender a essas expectativas. As instituições estão pressionadas a implementar medidas de contenção e adequações pedagógicas que são contraditórias aos crescentes níveis de qualificação exigidos pela economia 4.0", conclui Ternes.

FOTO: FEMA/DIVULGAÇÃO



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