Terça-feira, 16 de outubro de 2018
Ano XXX - Edição 1529
(55) 3535-1033
jsemanal@jsemanal.com.br
diagramacao@jsemanal.com.br

Professor ensina. Aluno aprende?

11/10/2018 - Por Jornal Semanal
Tweet Compartilhar
Uma pergunta na aula de doutorado de outro dia me fez pensar. A discussão era acerca do ensinar e do ensino. A lógica é realmente essa: o professor ensina e o aluno aprende? Ou o professor só ensina e as paredes aprendem? Muitas têm sido as teorias de aprendizado, de proporcionar o aprendizado ao aluno, de criar condições para que ele aprenda, que o professor nada ensina e o aluno tão somente realiza sua aprendizagem.
Pois bem, a pergunta inicial era realmente esta (na verdade as duas perguntas): O que é ensino? O que é ensinar? Lembrei-me na hora de um fato ocorrido na mesma semana ainda. Estava em laboratório de Informática com uma turma de alunos. O componente curricular é desenvolvido integralmente neste ambiente. Minha metodologia de trabalho baseia-se na construção coletiva no quadro dos exercícios com acompanhamento dos alunos em seus computadores para a geração de um produto coletivo. A aula vai evoluindo e o quadro ficando cheio. Gosto de mesclar tecnologias atuais, como é o caso do computador, com recursos tradicionais, como é o quadro e o giz. Além do mais, por vezes é interessante expressar-se oralmente, pois dá-se voz aos alunos também. Assim sendo, formamos um entendimento comum, que é acompanhado por todos. Isso gera uma contextualização do conteúdo e um aspecto interativo, tão discutido e pedido pelos teóricos educacionais de hoje.
Então, chegamos ao final da aula. Após as despedidas, peguei-me na tarefa de então apagar o quadro. Mas antes olhei para tudo o que desenvolvemos. Alguém que chegasse àquela hora à sala certamente não entenderia o que fizemos durante aquelas horas de aula. Existe um fio condutor e um elo entre as partes. Há integração, há contextualização e há inter-relação. Saquei meu celular e tirei uma foto. Compartilhei em um grupo familiar com a legenda: "Ensino. Creio que aprendam". É claro que os familiares não entenderiam minhas elucubrações por dois motivos: o conteúdo é de uma área específica da Informática (Banco de Dados) e necessita-se de uma explicação para o entendimento dos elos presentes entre as partes. Mas para os que estavam ali naquele momento, houve ensino.
No dia seguinte, em que parece que os fatos convergiam todos para experiências professorais, afinal de contas estamos no mês dos professores, mais um fato que me chamou a atenção. Nas minhas andanças pelas escolas de Uruguaiana enquanto professor extensionista e pesquisador, me deparei com uma situação que me fez refletir. Em tempos de jogos eletrônicos os mais variados, brinquedos físicos que falam, vibram e tudo o mais, uma professora, no horário de intervalo das crianças, segurava uma caixa de giz e entregava para as crianças que queriam rabiscar no pátio, seja uma amarelinha, seja um desenho, seja qualquer coisa. A chuva e o vento levarão seus desenhos em breve, mas elas brincaram, e brincaram quase de graça.
Um Feliz Dia do Professor. Do que segura o lápis para ajudar a criança a desenhar a volta da letra "o" até o orientador de doutorado que "somente" dá uma nova ideia à tese de seu aluno.

Gustavo Griebler - Doutorando em Educação em Ciências - UNIPAMPA.
 Professor do IF Farroupilha - Câmpus Avançado Uruguaiana



Indicar a
um Amigo

Comentários

Deixe a sua opinião

Veja Também

05/10/2018   |
28/09/2018   |
21/09/2018   |
14/09/2018   |
06/09/2018   |




Todos os direitos reservados - Jornal Semanal - Três de Maio - RS