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Três-maiense de 22 anos faz carreira na aviação

11/10/2018 - Por Jornal Semanal
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Com apenas 13 anos, Leonardo Beltrame Martini já estava decidido em se tornar aviador. Para isso, ele contou com apoio dos pais e dedicou horas de estudo; hoje percorre seu caminho para conquistar o seu objetivo maior - se tornar comandante internacional

Médico, professor, jogador de futebol, engenheiro... O que você vai ser quando crescer? 
A pergunta faz parte do imaginário da maioria das crianças. Mas, será que desde cedo já é possível ter certeza da profissão que se quer seguir no futuro? 
Ainda muito pequeno, Leonardo Beltrame Martini, primogênito do casal Márcio Martini e Etiani Beltrame Martini já dava demonstrações claras da profissão que iria seguir "quando crescesse": aviador.
Hoje, aos 22 anos, o jovem natural de Três de Maio, atua como copiloto e instrutor de Solo na Azul Linhas Aéreas e é Bacharel em Ciências Aeronáuticas pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS). Ao falar para o jornal Semanal, Leonardo contou a sua história e como "o sonho de infância se tornou realidade."

Busca pelo sonho começou ainda na adolescência
Leonardo nasceu em Três de Maio, mas com um ano de idade foi morar com a família em São Miguel das Missões. Lá estudou até a sétima série. 
Com apenas 13 anos, já decidido em ser aviador, teve o apoio da família de ir em busca do seu sonho. "Voltei sozinho para Três de Maio com a intenção de uma melhor qualidade de ensino. Cursei a oitava série e o Ensino Médio na Sociedade Educacional de Três de Maio (Setrem), onde morei por um ano no internato e os outros três anos com a minha avó Maria de Lourdes (hoje com 80 anos). Após ter sido aprovado no vestibular de Ciências Aeronáuticas na PUC-RS, mudei-me para Porto Alegre onde vivo até os dias atuais." 
O jovem revela que "nasceu com esse sonho", pois não teve um dia, ou um momento em que houve a decisão em ser piloto. "Desde pequeno eu sabia que era isso que eu queria e fui em busca." 
Ele recorda que a maior felicidade era quando a família tinha alguma viagem agendada. "Lembro que pedia para meus pais para chegarmos antes no aeroporto somente para ficar olhando os aviões. E por ali ficava horas sonhando em um dia poder estar voando naquela máquina." 
Sobre a decisão de ter saído de casa com apenas 13 anos de idade, Leonardo afirma que foi exatamente pensando no futuro. "Eu não me arrependo de nada. Faria tudo novamente. Lembro que amigos próximos questionaram meus pais de como eles haviam deixado uma criança com aquela idade ir estudar em outra cidade, longe de casa, distante da família. Isso só me fez amadurecer. Com certeza foi o primeiro passo dado."
Talvez foi o passo mais importante, pois aos 20 anos ele ingressou em uma empresa aérea. "Cresci vendo meu pai e minha mãe trabalhar o dia todo, por vezes passando noites acordados. Logo, aquilo foi o meu maior exemplo de que, fazer o que se ama, não tem preço. Há uma frase que rege minha vida: 'Escolha um trabalho que você ame e não terás que trabalhar um único dia em sua vida'", declara.

As primeiras horas de voo e o início na Faculdade de Ciências Aeronáuticas
A história de Leonardo na aviação começou cedo. Ainda criança, ele teve a oportunidade de conhecer um amigo de seu pai, Comandante Adriano Castanho, o qual, além de ter sido seu principal espelho como aviador foi seu primeiro instrutor de voo. 
Concluindo o Ensino Médio em Três de Maio no ano de 2013, ele abdicou das férias para realizar as primeiras horas de voo no Aeroclube de Eldorado do Sul. Pegava o ônibus toda sexta feira em direção a Porto Alegre e retornava no domingo. 
Em 2014 iniciou a Faculdade de Ciências Aeronáuticas, onde permaneceu até o final de 2016. "A Universidade dava a oportunidade para quem quisesse se formar em três anos, porém com uma carga horária bem densa. Havia dias em que chegávamos às 8h da manhã e saíamos às 23h. Além disso, de forma extracurricular, para estar apto a obter o diploma era necessário em torno de 150 horas de voo no término do curso, e a licença de Piloto Comercial com habilitação Multimotor e Voo por Instrumentos." 
Durante os três anos da faculdade, ele realizou o curso prático de Piloto Privado no Aeroclube de Eldorado do Sul e o curso de Piloto Comercial no Aeroclube do Rio Grande do Sul. "Por fim, no último semestre da faculdade, nas horas que restavam durante a semana e nos finais de semana, trabalhei como Instrutor de Voo na Born To Fly - Escola de Aviação Civil, localizada no Aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre. Lá tive a oportunidade de obter a experiência necessária para ingressar na Linha Aérea."
E, foi no dia 30 de junho de 2017, seis meses após ter se formado como Bacharel em Ciências Aeronáuticas, que Leonardo recebeu a notícia mais esperada da sua vida. "Acabava de chegar o convite da Azul Linhas Aéreas para o Embraer 190/195, aeronave que voo até os dias de hoje", comemora. 

Determinado, o jovem não  mede esforços para realizar seus sonhos. Aos 22 anos ele pilota dois tipos de aeronaves: 
Embraer 190, com capacidade para 106 passageiros e Embraer 195, para até 118 passageiros 


Caminhos para se tornar um piloto de linha aérea 
Hoje existem basicamente dois caminhos a serem seguidos para se tornar um piloto de linha aérea: o primeiro é cursar a Faculdade de Ciências Aeronáuticas, onde terá toda a parte teórica e, concomitantemente, realizar a parte prática em algum aeroclube ou escola de aviação. "O lado positivo é que você sai com um diploma de Bacharel na mão. Por outro lado, torna-se um pouco mais demorado (de 3 a 5 anos)", compara. 
A segunda maneira é cursar tanto a parte teórica, quanto a parte prática em algum aeroclube ou escola de aviação. Essa opção, além de ser mais barata, é mais breve (até 2 anos). "No entanto, você não terá o grau de Bacharel (Ensino Superior), o qual é requisito mínimo na grande maioria das empresas aéreas."
Atualmente, o três-maiense trabalha como Copiloto e Instrutor de Solo na Azul Linhas Aéreas. Em outras palavras, os dias que não está voando, atua na Uniazul (Universidade da Azul) em Campinas (SP) ministrando aulas e simulador para os colegas que estão entrando na Companhia ou aqueles que estão vindo de outra aeronave para o Embraer 190/195. 
No tocante as rotas que Leonardo voa, variam bastante. "Apesar de minha base ser Porto Alegre, percorremos o Brasil todo e até mesmo os países da América do Sul, como Argentina, Uruguai e Guiana Francesa. Todo dia 15 recebemos nossa escala do mês seguinte para podermos nos planejar."
O jovem piloto não sabe quantas horas de voo tem precisamente, mas estima que deve estar próximo das 1.500 horas de voo. "Por mês voamos em média de 70h a 85h de voo", informa. 

Um dos pilotos mais jovens do Estado
Com apenas 20 anos de idade, Leonardo foi um dos pilotos mais jovens do Estado a ingressar em uma companhia aérea. "Ao meu ver nós evoluímos bastante em relação a idade, ao ponto de que hoje a idade não deixa de ser somente um número. Atributos como maturidade, caráter, respeito, humildade e equilíbrio fazem parte de um universo que irá montar a sua imagem dentro de uma companhia, dentro de uma sociedade ou até mesmo dentro de sua própria família", avalia Leonardo,
O maior sonho dele é voar o mundo como Comandante Internacional, mas segundo ele "há um longo caminho a ser percorrido até lá."

Saudade do aconchego da família
Leonardo mora com o irmão Eduardo, 18 anos, em Porto Alegre. Em relação aos pais, ele tenta encontrá-los no mínimo duas vezes ao mês. "Porém, nem sempre é possível devido à distância e o trabalho, tanto meu, quanto deles. Dessa forma, procuramos estar sempre em contato. Nos falamos praticamente todo dia. A saudade com certeza faz parte. Acredito que o fato de ter saído cedo de casa acabou ajudando um pouco. O que resta é aproveitar a família e os amigos ao máximo quando há oportunidade." 

'Jamais desistir dos nossos sonhos'
Para Leonardo, o mais importante é jamais desistir dos sonhos. "Eles serão os motivadores de uma vida realizada. Por mais impossíveis que sejam, trace objetivos em uma reta crescente. Viva passo a passo. Acorde todo dia perguntando-se: 'O que eu irei fazer hoje para subir mais um degrau?' Lembre-se que são as pequenas atitudes que fazem a diferença", aconselha.
Por outro lado, ele destaca que virtudes como educação, humildade, caráter, disciplina, respeito, profissionalismo, determinação e honradez farão bem a você e as pessoas que cercam seu dia a dia. "Da mesma forma, não deixe que o comodismo tome conta de sua vida. É de natureza do ser humano permanecer na primeira zona de conforto que a vida oferta", orienta. 
E completa: "voar foi um dos melhores presentes que Deus - juntamente com o 'Pai da Aviação' e brasileiro Alberto Santos Dumont - nos concedeu. Transportar pessoas, sonhos, conquistas, felicidades, não tem preço. É o pai e a mãe que estão indo encontrar seu filho depois de um longo tempo. É o empresário que está prestes a fechar um novo negócio. É a família reunida em férias. É o casal em lua de mel. Estar cada dia em um lugar diferente. Decolar do Sul e terminar o dia no Norte. Conhecer o céu melhor que sua própria casa. Esse é o universo chamado aviação", diz, emocionado. 
Leonardo resume o sentimento de muita felicidade e realização em sua trajetória; ao mesmo tempo, tem a consciência de que é somente o começo e há um grande caminho a ser percorrido. "A vida é um eterno aprendizado. A aviação atualiza-se diariamente. Poder dividir o Cockpit com Comandantes que voaram o mundo todo, alguns com mais de 20.000 horas de voo, é extremamente gratificante", conclui. 

Ainda criança, Leonardo já demostrava paixão pela aviação
 FOTOS: ARQUIVO PESSOAL




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