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Obesidade - Parte 1

01/11/2018 - Por Yara Lampert
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Os índices de excesso de peso e obesidade no Brasil são crescentes e alarmantes. É o que mostra uma pesquisa feita pelo Ministério da Saúde e pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). O brasileiro tem iniciado mais cedo a guerra contra a balança. Em dez anos, a obesidade avançou em todas as faixas etárias, mas quase dobrou entre jovens de 18 a 24 anos, de 4,4% para 8,5%.
Apesar de se tratar de uma condição clínica individual, a obesidade é vista, cada vez mais, como um sério e crescente problema de saúde pública. O excesso de peso predispõe o organismo a uma série de problemas, como doença cardiovascular, apneia do sono, hipertensão arterial e alterações na circulação. Para falar sobre este tema trago uma entrevista com a médica endocrinologista Mônica de Castilhos. 

Como se determina que a pessoa tenha excesso de peso ou obesidade?
Para o diagnóstico em adultos, o parâmetro utilizado mais comumente é o do Índice de Massa Corporal (IMC).
O IMC é calculado dividindo-se o peso do paciente pela sua altura elevada ao quadrado. É o padrão utilizado pela Organização Mundial da Saúde (OMS)
Entre 18,5 e 24,99 Peso normal
Entre 25 e 29,99 Sobrepeso
Entre 30 e 34,99 Obesidade grau I  
Entre 35 e 39,99 Obesidade II  
>40         Obesidade grau III 
Para as crianças, o IMC é plotado em gráficos específicos de índice de massa corporal:
IMC no percentil < 85: peso normal
IMC entre percentil 85-97: Sobrepeso
IMC no percentil > 97: Obesidade

Existem vários tipos de obesidade?
Pode-se dividir a obesidade, no tocante à forma que apresenta o corpo do indivíduo, em duas maneiras, dependendo de como a gordura é distribuída. A primeira, na qual a gordura se concentra no tronco, abdômen e tórax, sendo que os membros superiores e inferiores tendem à ser menos volumosos, tem predominância nos homens e é chamada de obesidade androide. Conhecida também como obesidade em forma de maçã ou obesidade visceral, é a que mais se associa a doenças (diabetes, dislipidemia, complicações cardiovasculares e acidente vascular cerebral). A segunda concentra gordura em maior quantidade nas nádegas e nas coxas, podendo haver bastante adiposidade também no abdômen, mas na parede abdominal (diferente da obesidade central, em forma de maçã, que concentra adiposidade entre as vísceras). Este tipo de obesidade recebe o nome de ginoide, predomina em mulheres e assemelha-se a forma de pera. Este tipo está associado a problemas ortopédicos, de pele, varizes, celulite, mas apresenta menor relação com doenças cardiovasculares.

Quem engorda mais fácil e quem tem maior dificuldade para perder peso, os homens ou as mulheres?
Os homens, no geral, têm mais massa magra que as mulheres, motivo pelo qual perdem peso com mais facilidade.
Isso porque os músculos são o motor do corpo e promovem a maior parte das reações químicas que transformam nutrientes em energia, o que garante a queima calórica.
Quando entram na menopausa, as mulheres ganham ainda mais massa gorda, que costuma se acumular no abdômen, devido às mudanças hormonais.
Os homens também costumam aumentar de peso na andropausa, porque, assim como as mulheres, sofrem uma redução na produção de testosterona, adquirindo massa gorda e perdendo a magra.
O metabolismo pode ser acelerado com a atividade física.
Para aumentar o metabolismo basal e queimar calorias até dormindo, recomenda-se controlar a alimentação, fazer atividade aeróbica e também musculação.
Dormir bem também ajuda. Segundo alguns estudos quem descansa pouco e mal reduz até 36% a taxa de metabolismo basal e acaba engordando mais.

Na sua opinião, como o problema da obesidade vai ser resolvido no futuro?
A frequência atual de sobrepeso/obesidade é uma realidade preocupante. Devemos começar em casa, melhorando nossos hábitos alimentares e estimulando nossos filhos e dando um bom exemplo: aumentar o consumo de frutas, saladas, leguminosas, diminuir o consumo de doces, frituras, alimentos processados, bebidas açucaradas. 
Também, aumentar o tempo em movimento: praticar mais atividades físicas e diminuir o tempo em frente à televisão, computador, celular. 
As políticas públicas, estimulando estas mudanças também são muito importantes.
Médica Endocrinologista Mônica de Castilhos 

Continua na próxima edição



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