Quarta-feira, 19 de dezembro de 2018
Ano XXX - Edição 1538
(55) 3535-1033
jsemanal@jsemanal.com.br
diagramacao@jsemanal.com.br

Entendemos a democracia?

09/11/2018 - Por Jornal Semanal
Tweet Compartilhar
* Gustavo Griebler

Enquanto país republicano, somos muito novos. Ainda não entendemos a democracia. Por mais que seja muito consolidada enquanto assunto nos mais variados locais do mundo, em especial na meca europeia, ela não é vivida em sua integridade. Durante muitos anos precisamos de autoridades no comando, como foi no Brasil Colônia, no Brasil Império e Ditadura Militar. Tivemos muito poucos presidentes civis. Presidentes que dialogassem, que chegassem ao povo, para quem realmente se deve governar, muito poucos. Muitas vezes parecemos não querer este tipo de governante, o dialogador, querendo alguém que dite as ordens e imponha o que realmente nos impõe a bandeira nacional: Ordem e Progresso. Mas a coisa não é por aí.
Enquanto momento político, aqui não me cabe dizer quem seria o melhor candidato para presidir o país. Até porque o voto é secreto e cada um vota em quem quer. Tivemos 13 opções, que são lembradas por suas bandeiras de campanha. Impossível não associar cada candidato ao seu bordão ou bandeira: "Haddad e o livro numa mão e a carteira de trabalho na outra", "Chama o Meirelles", "Glória a Deus, cabo Daciolo", etc. Nas palavras do jornalista Juremir Machado da Silva, "excetuadas as candidaturas folclóricas do Cabo Daciolo e de José Maria Eymael e a clausura ideológica de Vera Lúcia, nove eram menos problemáticas e assustadoras do que a aposta em Jair Bolsonaro. Se a questão era o combate à corrupção, por que não se votou em Álvaro Dias, o mais entusiasmado defensor da Lava Jato? Se o interesse era um choque liberal em economia e conservador em comportamento, com ênfase em alguém fora ou contra o sistema, por que não se escolheu João Amôedo? Se o foco era em reformas liberais profundas e ao gosto do mercado, por que não se foi de Henrique Meirelles? Se o importante era honestidade e ausência de radicalismos, por que Marina Silva não decolou? Se o antipetismo era o fundamental, por que não Ciro Gomes? Geraldo Alckmin não teria sido uma opção menos nebulosa e dentro dos limites formais da democracia?". Bolsonaro é uma aposta. Talvez ele dê com os burros na água quando chegar ao Planalto e ver que o que disse não poderá ser posto em prática, haja vista os interesses os mais variados que têm de ser cumpridos. Ou talvez se transforme no melhor presidente que o Brasil já teve.
Perante tudo isso o que aconteceu, algumas conjecturas fazem eu pensar que o perfil de voto está mudando. As pessoas estão esquecendo os partidos, a não ser os que são radicalmente contra o PT. Até penso que deveriam criar um novo partido: os anti-PT, ou seja, que votam em qualquer um menos no PT. Me pergunto como um candidato que dispunha de poucos segundos na televisão no primeiro turno e que não ia a debates, conseguiu fazer tanto voto? TV não mais importa, me parece. Apareceram outras mídias, é verdade. Bolsonaro vinha fazendo campanha e encantando multidões pelo fato de fechar com o discurso de muita gente no país: liberação de armas, rigidez e disciplina, prisão e manutenção de bandidos no sistema carcerário...
No fundo o que eu vi foi um voto de revolta, como tem acontecido bastante. Basta lembrarmos o exemplo do Tiririca e "pior do que tá não fica" Ou seja, eleitores votando contra um determinado partido ou pessoa para eleger um palhaço. Se até o peixe Romário foi senador e concorreu ao governo do Rio, o que esperar das eleições? Posso estar errado, mas não foi de uma pessoa só que ouvi que votou em Bolsonaro para tirar o PT do poder e finalmente terminar com a roubalheira que se diz foi instalada no Brasil a partir de 2003. Esquecem-se muitos que se rouba no Brasil desde que Cabral fincou o pé aqui e o pau-brasil começou a ir a Portugal, de forma que creio que aquele país é que deveria ser Brasil e não aqui pela quantia de madeira que para lá foi.
Enfim, o que espero, e como sempre espero, é que o Brasil continue nos trilhos ou se restabeleça neles a partir de janeiro. Que as promessas de campanha das melhorias em saúde, educação e segurança realmente se efetivem e que um dia eu não precise pagar médicos, planos de saúde e medicamentos porque o SUS estará a pleno vapor; que eu continue podendo estudar e trabalhar em universidades e institutos federais com dinheiro do governo federal; e que eu possa circular por aí sem medo de ser feliz e não levar um tiro ou uma facada na próxima esquina por alguém que não teve oportunidades na vida e se vale do mais fácil para ganhar seu pão.
Eu quero ser brasileiro e continuar não desistindo jamais.

*Doutorando em Educação em Ciências - UNIPAMPA. 
Professor do Instituto Federal Farroupilha - Campus Avançado Uruguaiana




Indicar a
um Amigo

Comentários

Deixe a sua opinião

Veja Também

07/12/2018   |
30/11/2018   |
23/11/2018   |
16/11/2018   |
19/10/2018   |




Todos os direitos reservados - Jornal Semanal - Três de Maio - RS