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Apesar do alto custo de produção, milho continua sendo boa alternativa de renda ao produtor

04/10/2019 - Por Jornal Semanal
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Em Três de Maio, milho é a segunda maior cultura de verão, perdendo apenas para a soja. Na parte econômica, fica em terceiro lugar, ficando atrás da soja e do leite 

Boa produtividade e maior retorno financeiro nas últimas safras animam os produtores gaúchos que investem no plantio de milho como alternativa de atividade agrícola e incremento da renda no orçamento da propriedade. 
Com expectativa de aumentar em cerca de 3,5% da área de cultivo, este ano serão destinados em torno de 754 mil hectares de milho em solo gaúcho, segundo estimativas da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Na safra anterior, foram plantados 728 mil hectares.
Segundo o gerente comercial da Tarumã Comércio e Representações, Mauro Makoski do Rosário, a expectativa inicial é de colher 5,7 milhões de toneladas do grão no Estado. 
Mauro destaca que o Brasil tem exportado 35 milhões de toneladas de milho, e consome internamente 65 milhões. "Basicamente o que é produzido no Brasil já tem destino e com esse aumento da exportação da proteína animal (frango, suíno e bovino), vai crescer a demanda por milho", explica. 
Outro fator interessante, conforme Mauro é a utilização do milho pelas usinas de etanol no Centro-Oeste do país. "Algumas já estão operando e existem vários projetos que estão em andamento ou sendo construídos. E, esse milho sendo consumido no Centro-Oeste, fica mais caro trazer para o RS, até porque lá vai ter consumo. A distância - frete - , tem encarecido muito, então a saída do RS é produzir mais milho", avalia. 
Segundo Mauro, o Estado também tem aumentado as exportações de carne suína e aves para a China, o que tem pressionado a indústria brasileira na busca por cereais para a alimentação dos animais; e isso também faz aumentar o consumo de milho. O gerente comercial, cita, ainda, o cenário de possível quebra de safra dos Estados Unidos, que ano passado colheu 366 milhões de toneladas e este ano deve colher em torno de 350 milhões de toneladas; situação que traz impactos nesse mercado. 

Investimento médio é R$ 3,5 mil por hectare plantado
Atualmente o custo da área de milho exige um investimento considerado alto, em torno de R$ 3 mil a R$ 3,5 mil, em um hectare de milho. "Porém, com o valor por volta de R$ 35,00 a saca, numa média de 150 sacas por hectare, o produtor consegue remunerar", observa Mauro. 
Além disto, o gerente comercial recorda que as últimas sete safras de milho obtiveram bons resultados. "Com a antecipação do plantio - início de agosto -, temos diminuído um pouco o risco de estiagem, principalmente em dezembro e janeiro, quando geralmente falta chuva", enfatiza. 
Na avaliação do especialista, são esses os fatores que impulsionam o mercado do milho: antecipação do plantio, maior demanda e uma tendência do RS continuar a cada ano aumentando área de plantio, e, consequentemente, a produtividade também.
Contudo, o crescimento da produção gaúcha de milho não fará frente às necessidades do setor. Por não ser autossustentável no milho (o déficit entre a demanda e a oferta chega a mais de um milhão de toneladas) , o Rio Grande do Sul costuma pagar mais pelo cereal em relação aos demais estados produtores. Neste ano, o preço médio da saca está na faixa dos R$ 30 a R$ 35, patamar pouco abaixo do verificado no ano passado, mas o terceiro maior na década em valores nominais. Para efeito de comparação, o valor fica 10% acima do praticado no Paraná, o outro grande produtor do sul do país. 

Rendimento médio esperado é de 130 sacas/hectare, aponta Emater
Em Três de Maio, são cultivados 6,6 mil hectares de milho (safra e safrinha), sendo em torno de 4,7 mil hectares destinados para grãos e o restante para silagem (alimentação animal). Conforme o chefe do Escritório Municipal da Emater, Leonardo Rustick, a área cultivada é praticamente a mesma da safra anterior, e o rendimento médio esperado permanece em 7,8 mil quilos por hectares, ou seja, 130 sacas por hectare. 
Leonardo explica que o município está dentro do período ideal indicado pelo zoneamento agrícola, em que o plantio se iniciou em 20 de julho e se encerra em 20 de janeiro de 2020. "80% da área foi semeada e o restante dessa área vai acontecer de forma escalonada nesse período", informa. 
Um diferencial dessa safra, segundo o chefe da Emater, é o fato dos produtores terem adotado tecnologias, que podem auxiliar no aumento da produtividade. Por outro lado, ele cita que o custo de produção das lavouras é alto, mas o retorno financeiro compensa o investimento. "O milho é a segunda maior cultura de verão, perdendo apenas para a soja. Já na parte de retorno econômico, fica em terceiro lugar, ficando atrás da soja e do leite. Mas com certeza, é de grande importância, porque entra na alimentação animal e também para produção de grãos. 
Na comparação com as demais regiões do Estado, Leonardo enfatiza que o município e a região cultivam o milho mais cedo. "Muito produtores adotam o cultivo da soja safrinha na mesma área onde foi cultivado o milho no cedo, até do ponto de vista de otimizar a área", justifica, lembrando que não se pode antever com relação aos fatores climáticos que podem influenciar no rendimento esperado.

O produtor Jair Adilson Sartor, na localidade de Quaraim, interior de Três de Maio destina 50 hectares para a lavoura de milho

Produtor chegou a colher média de 200 sc/ha na safra passada
O produtor rural Jair Adilson Sartor planta 50 hectares de milho, na localidade de Quaraim, interior de Três de Maio. Na safra passada, acalçou a produtividade média de 200 sacas por hectare. 
Este ano, em virtude da estiagem no início da cultura, ele acredita que a produtividade pode ser menor, pelo fato da planta não ter se desenvolvido como era o esperado.
Sobre os custos de produção, ele informa que são altos, mas para fazer rotação de culturas é preciso investir em milho. "O milho é a segunda cultura de maior retorno financeiro na propriedade. Em primeiro vem a soja e em terceiro o trigo; não trabalhamos com leite", informa, destacando que, para ter boa produtividade deve-se investir muito na adubação do cereal.



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