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Nossas aglomerações

27/03/2020 - Por Jornal Semanal
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 Gustavo Griebler*


Gostamos das aglomerações. Gostamos de estar juntos. Gostamos de trocar ideias presencialmente, olhando para o outro, muitas vezes numa proximidade em que chegamos a cuspir na cara do outro. De uma hora para outra, passa-se a se ver aglomerações de pessoas com maus olhos, quando sempre foram incentivadas. Estranho para quem sempre esteve junto, quem acostumou-se a viver em comunidade. Não vá para a rua, não vá trabalhar, não vá para a escola. Faça tudo de casa. Em um primeiro momento, estranho. 

Nossa casa, nos tempos atuais, muitas vezes é somente um hotel, em que vamos para tomar banho e dormir. Não se curte mais o lar como se curtia. A rua tem atrativos. O mundo moderno nos exige ficar trabalhando por 8, 9, 10 horas. Temos de nos especializar. Ficamos na universidade outras 3, 4 horas. Trânsito? Mais uma hora. 

De uma hora para outra, temos de ficar em casa. Regime fechado. TVs por assinatura disponibilizam canais extras, nos forçando a ficar em casa para olhar aquela série que sempre queríamos, mas a velocidade do mundo moderno nunca deixava. 

Não podemos e devemos sair. Nosso cabelo grande que espere ser cortado e aparado. Temos algo maior. Aprendemos com a gripe A de 2009? Tomara! Muita gente morreu aquela vez por desconhecimento do que as aglomerações podem causar. Alguns perderão muito dinheiro nisso tudo. Outros ganharão muito. É o mundo. É o capitalismo. Mas antes perdermos agora preservando nossas valiosas vidas do que talvez nem termos muitas vidas logo ali em frente. 

Ficar em casa nos faz colocar coisas em ordem. Coisas que antes não tínhamos tempo. Brincar com as crianças, revisar o conteúdo com o filho, ver como está seu caderno. Arrumar aquele armário que sempre ficava para depois. Olhar fotos em álbuns, quando ainda a única possibilidade de ver fotos era revelando todo o filme. Tempos também para finalizar a sua tese de doutorado. Brincadeiras surgem as mais diversas. Como por exemplo a conta dos grãos de arroz diferentes de um saco para outro, o outro que lustrou o botijão de gás, etc. 

Isso já vai passar. Sejamos pacientes. Aproveitemos o nosso lar, aquele que ainda nem pagamos por completo. Quando voltarmos, a rua estará lá, pronta para nos receber novamente. Agora ela não nos quer. A matemática é incrível. Basta vermos curvas de infecção e vermos que uma ou duas pessoas a menos que se infectam por talvez somente irem logo ali na rua já representam um decréscimo no contágio. Torno a dizer que exercitemos nossa paciência. Isso logo vai passar, basta ficarmos em casa o quanto mais pudermos. 

 

*Doutorando em Educação em Ciências - UNIPAMPA. Docente EBTT, coordenador de ensino, pesquisa e extensão e diretor substituto do Campus Avançado Uruguaiana do IF Farroupilha.




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