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Brasil recicla 80% das embalagens de agrotóxicos e recolhimento cresce

06/05/2013 - Por Jornal Semanal
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Aumento no recolhimento é reflexo de expansão agrícola, com acompanhamento da destinação correta e obrigatória

POR DEISI FABRIM

A produção de alimentos para uma população em constante crescimento é um desafio básico da agricultura, que passa necessariamente pelo compromisso com a utilização de procedimentos e tecnologias capazes de assegurar a saúde humana e o respeito com o meio ambiente e também a sustentabilidade na agricultura.
O uso de defensivos agrícolas deve ser realizado com responsabilidade, assim como suas embalagens devem ser devolvidas corretamente. Jogadas nos campos e nos rios, essas embalagens causam danos ao ambiente e à saúde humana ou animal, além de ser um procedimento contrário ao previsto na legislação.


Recolhimento aumentou 6% no país

No último ano, mais de 31,6 mil toneladas de embalagens de agrotóxicos foram recolhidas e tratadas adequadamente. O volume divulgado pelo Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (inPEV), representa crescimento de 6% no recolhimento do produto em todo o Brasil. O aumento reflete o incremento da atividade agrícola nas regiões Centro-Oeste e Sul. A expansão da produção em estados como Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná, Minas Gerais e nas novas fronteiras agrícolas, como o oeste da Bahia, Maranhão e Piauí exige dos agricultores mais tecnologia e o uso frequente de agrotóxicos e defensivos agrícolas.
O presidente do inPEV, João Cesar Rando, garante que a intensificação da atividade no campo tem sido acompanhada pelo recolhimento e destinação das embalagens. Segundo ele, o procedimento criado há dez anos, conhecido como Sistema Campo Limpo, atingiu maturidade e cobertura de quase todo o território nacional. "Naturalmente há resposta ao aumento na utilização das embalagens. Os índices do Brasil de recolhimento chegam a 80% das embalagens colocadas no mercado", disse. O Brasil é apontado como líder neste tipo de cadeia de reciclagem, seguido por países como Alemanha e Canadá que conseguem recolher e reciclar cerca de 75% das embalagens. A cobertura apontada por Rando inclui embalagens primárias, as que têm contato direto com o produto químico, e as embalagens secundárias, como caixas de papelão onde são acondicionadas as embalagens primárias, garrafas e potes de produtos.


Reciclagem evita emissão de 250 mil toneladas de dióxido de carbono

Um estudo encomendado pelo inPEV mostra que, desde a criação do Sistema Campo Limpo, de reciclagem de embalagens de agrotóxicos, há dez anos, 250 mil toneladas de dióxido de carbono deixaram de ser emitidas no meio ambiente.
Entre 2002 e 2010, foram retiradas mais de 215 mil toneladas de embalagens que antes ficavam no campo podendo causar problemas ao meio ambiente e à saúde humana. "Como os agricultores não tinham solução para o problema, colocavam fogo em quase 70% das embalagens", afirmou Rando. O retorno e tratamento ambientalmente adequado de embalagens de agrotóxicos são obrigatórios há dez anos.


O que fazer com as embalagens vazias de agrotóxicos?

É obrigação do usuário de agrotóxicos proceder a tríplice lavagem (ou tecnologia equivalente) das embalagens rígidas que contenham formulações miscíveis ou dispersáveis em água. Através deste procedimento, as embalagens devolvidas pelos usuários às centrais e postos de recebimento poderão ser recicladas; caso contrário serão consideradas contaminadas e remetidas para incineração.
De acordo com o Art. 6°, parágrafo 2°, da Lei Federal n° 7.802/1989, os usuários de agrotóxicos deverão efetuar a devolução das embalagens vazias dos produtos, junto com tampas e rótulos, aos estabelecimentos comerciais em que foram adquiridos, de acordo com as instruções previstas nas respectivas bulas, no prazo de até um ano, contado da data da compra, ou prazo superior, se autorizado pelo órgão registrante. A devolução pode ser intermediada por postos ou centros de recolhimento, desde que autorizados e fiscalizados pelo órgão competente. Já se sobrar produto na embalagem o consumidor poderá devolvê-la até 6 meses após o vencimento.


Unidade de recebimento de Três de Maio recolheu 600 mil embalagens em 2012

A Cooperativa Agro-pecuária Alto Uruguai, Cotrimaio possui um Plano Operacional de Recebimento e Expedição de Embalagens Vazias de Agrotóxicos, sendo um posto de recebimento licenciado pela Fepam e credenciado ao inPEV que destina, posteriormente, à central de reciclagem em Giruá.
Só no ano de 2012 foram recolhidas cerca de 600 mil embalagens plásticas, mais as embalagens contaminadas de vidro, saquinhos plásticos e papel. "A Cotrimaio recebe e faz o destino correto de uma quantidade enorme de embalagens, graças principalmente a consciência de seus associados e clientes, que fazem a devolução nos estabelecimentos onde adquirem os produtos", destaca Gerson Luiz Auth, coordenador de planejamento da cooperativa.  
Segundo o coordenador as embalagens vazias são recebidas em todas as filiais da Cotrimaio que vendem agrotóxicos, levando em conta um cronograma pré-estabelecido. "O local de recebimento das embalagens vazias por lei deve constar no corpo da nota fiscal de venda do produto. Os associados e clientes da Cotrimaio podem entregar suas embalagens na própria filial onde adquiriram os agrotóxicos", explica Auth.
No momento da devolução das embalagens vazias o agricultor apresenta a nota fiscal de compra do produto, informa seu nome, endereço, quantidade de embalagens, tipo de embalagens (plástico, vidro, metal, caixa de papelão, etc.). Na data do recolhimento um funcionário treinado é responsável pela inspeção e recebimento, que deve inspecionar se as embalagens foram lavadas adequadamente e emitir o comprovante de entrega das embalagens vazias de agrotóxicos. "O produtor deve ter o comprovante para poder comprovar a entrega numa eventual fiscalização", diz Auth.
Conforme ele as embalagens precisam ser inspecionadas, verificando se não há contaminação (derramamento de produto) aparente, pois as embalagens contaminadas devem ser separadas. As embalagens são recolhidas nas filiais, com um caminhão autorizado e licenciado, sendo levadas para o posto de recebimento da Cotrimaio em Três de Maio.
No caso a Cotrimaio somente recebe diretamente as embalagens dos produtos que foram adquiridos na cooperativa, e caso o consumidor tenha perdido a nota fiscal, há a possibilidade de pesquisa da compra no sistema da cooperativa.


Estabelecimentos são obrigados a receber as embalagens dos produtos vendidos

Vale ressaltar que todo comerciante é obrigado a receber as embalagens de agrotóxicos vendidas em seu estabelecimento, sendo responsável por elas até o recolhimento pelo fabricante. Caso não tenha condições de receber as embalagens no local onde se realizam as vendas, o comerciante deve disponibilizar e indicar uma unidade de recebimento (posto ou central), levando em consideração que as condições de acesso não devem dificultar a devolução pelo usuário.
A localização dos postos e centros de recolhimento de embalagens vazias pode ser encontrada no site do Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (inpEV), em: http://www.inpev.org.br/destino_embalagens/unidades_recebimento/localizacao_unidades/localizacao.asp

Procedimento dos tipos de lavagem Tríplice lavagem
1. Esvaziar totalmente o conteúdo da embalagem no tanque do pulverizador;
2. Adicionar água limpa à embalagem até 1/4 do seu volume;
3. Tampar bem a embalagem e agitar por 30 segundos;
4. Despejar a água da lavagem no tanque do pulverizador. (repetir o procedimento três vezes)
5. Inutilizar a embalagem plástica ou metálica, perfurando o fundo;
6. Armazenar em local apropriado até o momento da devolução.

Lavagem pressão
1. Após o esvaziamento, encaixar a embalagem no local apropriado do funil instalado no pulverizador;
2. Aclonar o mecanismo para liberar o jato de água limpa;
3. Direcionar o jato de água para todas as paredes internas da embalagem por 30 segundos;
4. A água de lavagem dever ser transferida para o interior do tanque do pulverizador;
5. Inutilizar a embalagem plástica ou metálica, perfurando o fundo;
6. Armazenar em local apropriado até o momento da devolução.


FOTO: DIVULGAÇÃO COTRIMAIO



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