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Dia do Imigrante Alemão

20/07/2012 - Por Jornal Semanal
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João Seno Bach*

A SAGA ESCRITA PELOS ALEMÃES COMEÇA NA FEITORIA DO LINHO-CÂNHAMO
Cai bem a pergunta, quando se aproxima o Dia do Imigrante - 25 de julho: o que leva uma pessoa a deixar seu lugar de nascimento? Dizem que as aves de arribação deixam o seu habitat em busca de alimento. Teria sido o mesmo o motivo dos imigrantes alemães, quando deixaram sua terra natal, para vir ao Brasil?
É uma longa história a da vinda dos imigrantes germânicos para o Brasil, sobretudo, para o Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

A ALEMANHA ERA UMA COLCHA DE RETALHOS
Na Alemanha, na época da vinda dos primeiros imigrantes, não havia uma unidade nacional, porquanto a unificação da Alemanha só se deu, em 1871, com Bismarck. Havia reinados, principados, ducados, independentes entre si. O que identificava a todos era a língua. Vejam bem a história da imigração no Rio Grande do Sul tem a ver com a arquiduquesa Leopoldina Carolina Josefa, filha de Francisco II, último Imperador do Sacro Império Romano de Nação Alemã, com Dom Pedro I, no dia 13 de maio de 1817.Uma germânica se tornara Imperatriz do Brasil. Foi ela que incentivou a imigração. No Sul do Brasil havia constantemente tentativas de invasão e as fronteiras brasileiras eram mantidas através de atividades bélicas. Era necessário colonizar o Sul, mesmo porque os donos destas plagas sulinas eram os açorianos, que dormiam com um olho só, porque o outro estava sempre aberto para ver o inimigo chegar. Mas onde buscar os colonizadores?

NA ALEMANHA PORQUE LEOPOLDINA ERA ALEMÃ
Foram descartados portugueses, espanhóis, ingleses, franceses, holandeses por razões históricas. Seriam alemães, porque Leopoldina era alemã. Quem defenderia as fronteiras do Brasil?Dom Pedro I, interessou-se por mercenários alemães e, provavelmente, para não ser notado esse movimento militarista, passou a contratar também colonos, que ocupariam as terras sulinas. Foi enviado pelo imperador à Alemanha Jorge Antônio von Schaeffer, para proceder a missão de atrair imigrantes para o Sul do Brasil. Apesar das boas promessas de terra de graça, passagem paga, concessão de cidadania, suprimento com primeiras necessidades, materiais de trabalho e animais, isenção de impostos por alguns anos e liberdade de culto, enfrentou alguns percalços. Mas como na época havia constantes guerras, falta de oportunidade de mão-de-obra, terras escassas, as promessas de von Schaeffer surtiram efeito. Quem desejasse emigrar deveria renunciar à nacionalidade e apresentar provas de que o país destinatário lhe daria nova nacionalidade.

A PRIMEIRA LEVA
Os primeiros imigrantes foram contratados por Jorge Antônio von Schaeffer na Alemanha. A primeira leva constava de 39 pessoas, depois de passar pelo Rio de Janeiro, passaram por Porto Alegre, no dia 18 de julho de 1824. O então presidente da Província de São Pedro era José Feliciano Fernandes Pinheiro, que encaminhou os imigrantes para a Feitoria do Linho Cânhamo, desativada, à margem esquerda do Rio do Sinos, hoje, São Leopoldo. Os 39 imigrantes viajaram embarcados no bergantim Martim Pescador, Rio do Sinos acima, chegando ao destino, no dia 25 de julho de 1824.
Haviam viajado 12.000 quilômetros em busca de uma nova pátria. Do Rio dos Sinos carretas de bois levaram os imigrantes até a Feitoria. Era o dia 25 de julho de 1824, um domingo, data da fundação do primeiro núcleo de colonização alemã, no Sul do Brasil, que viria a transformar-se na cidade de São Leopoldo.
A saga alemã, que começou a ser escrita na Alemanha, continuou no Rio Grande do Sul, expandindo-se para as diversas regiões e, a partir de 1850, em Santa Catarina, pelo químico alemão, Hermann Blumenau, no Vale do Itajaí, com 17 imigrantes, na colônia que levou seu nome.

A SAGA SE EXPANDE
A saga da colonização alemã não parou por aí, porque os imigrantes de 1824, os descendentes em terceira, quarta e quinta gerações fizeram uma verdadeira peregrinação pelo Brasil e até por países vizinhos. Atravessaram o Rio Uruguai, ocuparam o oeste catarinense, depois o oeste do Paraná, invadiram o Mato Grosso do Sul, o Mato Grosso, a Bahia, o Maranhão e já ingressaram na Amazônia. E muitos netos, bisnetos ou tataranetos dos imigrantes de 1824 fazem parte dos brasiguaios, que colonizaram extensas regiões do Paraguai.
No dia 25 de julho, faz 188 anos que chegaram os nossos primeiros antepassados ao Rio Grande do Sul. Por isso, os descendentes germânicos têm sobejas razões para festejar o Dia do Imigrante com muita música de bandinha, muita dança - ein schoener Walzer -  muita comida típica, regada a um chope gelado ou uma cerveja Pilsen. E até se permite a prática de uma conversa no dialeto falado pela grande maioria dos imigrantes, o Hunsrueck, trazido pelos imigrantes renanos e aqui adaptado ao português.

*Radialista e secretário da prefeitura de Três de Maio



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