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Mastectomia profilática (redutora de risco)

03/06/2013 - Por Jornal Semanal
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     A polêmica decisão da atriz Angelina Jolie, que aos 37 anos decidiu retirar as mamas por ser portadora de uma mutação genética, trouxe à discussão a validade de uma cirurgia para reduzir o risco de câncer de mama. Apenas 5% a 10% dos tumores de mama podem ocorrer por mutação genética identificada através da avaliação de genes específicos.
     Recentemente, no Hospital São Vicente de Paulo, em Três de Maio, Angela Maria Pelisson, de 38 anos, cirurgiã dentista  de São Valério do Sul, foi submetida a uma mastectomia bilateral com reconstrução imediata,  realizada pelos médicos Elaine Hoffmann, Airton Bertaiolli e pelo cirurgião plástico Wellington Gemelli.
     A mastectomia profilática reduz o risco em 90% de desenvolver câncer de mama ao longo da vida, mas não o elimina totalmente,  necessitando acompanhamento médico de rotina.


Fale um pouco do seu histórico...

Realizando exames de rotina (mama), verificou-se que a mama direita estava um pouco densa. Após as realizações de exames na Clínica São Vicente, constatou-se a presença de microcalcificações. Encaminhada a POA, para biopsia, em que se constatou a presença de um carcinoma in situ, ainda sem invasão, porém necessitando de cirurgia para a retirada da mama. Com este resultado, fez-se uma pesquisa da história familiar, já que minha mãe, uma tia e quatro tias avós (maternas), apresentaram câncer de mama.

Como foi o diagnóstico?

Com base nos exames, viu-se a necessidade urgente, de mastectomia total da mama direita, para a retirada do câncer. Para evitar a remoção de todos os linfonodos, foi proposto a pesquisa de linfonodo sentinela, técnica na qual se injeta um contraste - azul patente - que cora o primeiro linfonodo a receber a drenagem da mama, analisado por patologista durante a cirurgia, que foi negativo para malignidade. Com base no meu histórico genético familiar, a equipe propôs uma mastectomia profilática da mama oposta, para realizar a profilaxia (prevenção), e reconstrução imediata com próteses de silicone.

Como foi a decisão da retirada dos seios?

No momento em que recebi o diagnóstico de câncer, ainda no consultório, no mesmo dia, agendamos a cirurgia.
A competência e agilidade da minha médica, Dra. Elaine Hoffmann foi crucial; ela dinamizou toda a equipe de profissionais da área médica necessária para esta cirurgia.
A confiança mútua, entre paciente e a equipe médica foi preponderante para a minha cirurgia, aqui na Clínica São Vicente.

Como é a pré e o pós-cirurgia?
Na pré-cirurgia foi tudo muito rápido. Em questão de 
24 horas realizamos exames e avaliações, com todos os profissionais que fariam parte da equipe de cirurgia.
No pós-cirurgia, depois de 12 horas de cirurgia, 26 dias de internação, estou me recuperando, passaram-se 50 dias da cirurgia. Tive muita dor, ainda sinto, mas cada dia ela ameniza. Os curativos são realizados todos os dias, sendo que, nos primeiros 30 dias eram realizadas duas vezes ao dia. Atualmente, sou avaliada duas vezes por semana pela equipe médica, sendo necessário, ainda, o uso de medicamentos e outros cuidados, como uso permanente de sutiã cirúrgico, além de vários cuidados específicos de  higienização desta cirurgia.

Quanto aos efeitos colaterais, o que sentiu?

Além das dores, inchaço e muita dificuldade para locomoção, porque as próteses estão embaixo dos músculos peitorais.

Em algum momento houve ou sentiu preconceito?

Diretamente não. O que houve, e ainda acontece, é muita curiosidade quanto ao aspecto visual e físico das mamas.

Estética X Saúde. O que pode falar sobre isto?
Eu priorizei a saúde, e a erradicação da doença. Claro, fiquei triste ao me imaginar sem os seios. São dois sentimentos simultâneos: o alívio em ter descoberto uma doença grave em seu estágio inicial e a perda e a possibilidade da mutilação por algo que é tão importante para as mulheres. Porém, amenizada pela ideia da realização da cirurgia plástica e colocação de próteses imediatas.

Qual foi o momento mais difícil em que se sentiu mais fragilizada?
O momento em que recebi a notícia, quando os exames haviam dado positivo (câncer).

Como se sente hoje?

Aliviada e muito fortalecida, apesar de viver alguns momentos de angústia. Está sendo tudo novo, pois nunca havia pensado em fazer uma cirurgia plástica, muito menos em colocar silicone.

Quanto à radioterapia e a quimioterapia, será necessária?

A indicação, no meu caso, é do uso do medicamento Tamoxifeno  por cinco anos (mesma medicação que será usada no tratamento da atriz Angelina Jolie). O uso deste medicamento não é tão agressivo quanto a quimio e da radio.

Qual o grande sonho de agora em diante?

Redirecionar a minha vida, potencializar o mais importante. Aos poucos retomar o meu trabalho.

Suas ponderações finais e que mensagem você deixa para nossos leitores?
Fiz o que era certo, foi a decisão mais sensata. A cirurgia plástica humanizou todo este processo. O sofrimento físico e emocional está sendo superado diante do progresso do quadro clínico. " Mulheres, não tenham medo de enfrentar esta doença, fiquem atentas aos sinais que o corpo dá. Sejam objetivas, pois ser objetiva fez a diferença em minha vida. A prevenção e o diagnóstico precoce, aliados aos tratamentos, aumentam as chances de cura  e ,ao mesmo tempo, evitam a mutilação. Em nenhum momento me sinto mais ou  menos feminina".




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