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Ansiedade: o mal da sociedade contemporânea

14/06/2013 - Por Jornal Semanal
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O que é ansiedade? Minha ansiedade é normal ou patológica?
A ansiedade é um estado emocional considerado normal existente em todos os seres humanos e de extrema importância em nossa vida, inclusive, para a nossa sobrevivência, sendo ela adaptativa e positiva.
A ansiedade é constituinte do próprio sujeito, podendo ela ser normal ou patológica, é também uma etiologia oriunda da sociedade. O ser humano por estar inserido, de forma efetiva na sociedade, sociedade esta, consumista e midiática, nos revela nas mais variadas situações de sua vida, sinais de uma elevada ansiedade, ansiedade que interfere nitidamente no funcionamento e nas interações sociais do sujeito. De fato, ao saber caracterizar a ansiedade e buscar "se necessário" os devidos tratamentos, poderá estar evitando possibilidades de desenvolver transtornos como a fobia, a ansiedade generalizada, transtorno do pânico, transtorno obsessivo compulsivo e distúrbio de estresse pós- traumático.
Com base em estudos, percebe-se que a vida moderna nos estimula demasiadamente e está sempre exigindo respostas ou decisões rápidas o que, muitas vezes, leva-nos a ficar cada vez mais ansiosos. Pressão no trabalho, conflitos familiares, cobranças sociais, instabilidade econômica e violência são alguns dos principais fatores do aumento da ansiedade na sociedade moderna.
Vive-se a era da informática. Nossa vida ganhou mais velocidade e com a rapidez da informação e da mídia, o dia a dia do ser humano foi se modificando, fazendo com que todos tenham pressa de viver e de resolver seus problemas. As pessoas querem viver e conhecer tudo que a vida lhes oferece. Essa velocidade e essa constante agitação é o crescente desgaste, estresse e ansiedade que vêm perturbando a maioria das pessoas hoje em dia. A ansiedade parece ser inevitável atualmente, e toda essa pressa de ter que correr atrás de objetivos têm causado nas pessoas a impressão de que não temos tempo para nada.
Existe também, a questão da individualidade, característica de nosso sistema capitalista e não podemos negar tal existência. Embora existam fatores externos que nos deixam ansiosos, cada um de nós responde e lida com ela diferentemente, cabe lembrar, que existem níveis de intensidade, os quais são uma questão pessoal.
Na sociedade contemporânea a mídia funciona como ditadora de regras, as pessoas devem ter pensamentos de suas imagens e possibilidades de vida social e econômica transformando o sujeito em um consumidor ativo, pois, caso contrário, não estariam de acordo com a imagem criada pelo social. As pessoas lutam pela obtenção do que acreditam que seja felicidade, querem ser felizes, acabam idealizando tudo que lhes é oferecido como consumo e isso se torna um propósito de vida.
De modo geral, a transformação dos desejos se dá através da mídia, dos modelos inventados/criados pela sociedade, nos mais variados aspectos culturais, econômicos, políticos em que a modernidade exige dos indivíduos padrões, objetivos e metas a serem alcançadas. Desta forma, surge nas pessoas uma insatisfação significativa em prol do estabelecimento do transtorno de ansiedade.
Uma questão que nos interroga quanto à ansiedade elevada, é, como fazer para lidar com isto. Saliento que é possível diminuí-la vivendo de forma saudável e feliz, porém, precisa-se, primeiramente, compreender como a ansiedade funciona dentro de cada um de nós, e para isto, faz-se necessário à procura por profissionais capacitados para compreendê-la e aliviar o sofrimento.
Considera-se de extrema importância saber como se desenvolve a ansiedade na psiquê humana. Buscar conhecer e ficar atento aos sintomas desencadeados, pois estes poderão dificultar às pessoas de viverem a vida desenvolvendo suas atividades de modo satisfatório.
É nesta direção que se acredita na importância deste assunto, fornecendo conhecimento deste transtorno, uma vez que o funcionamento psíquico baseia-se numa complexa interação de elementos biológicos, psicológicos e sociais. Não só os fatores do desenvolvimento, mas também a experiência do indivíduo - desde antes do nascimento até a morte - dão forma e rearranjam continuamente a estrutura e a função de cada psiquê. Os detalhes da organização cerebral diferem amplamente de uma pessoa para outra, devido tanto a fatores genéticos e do desenvolvimento, quanto às experiências individuais de cada pessoa ao longo da vida.
Assim, o trabalho do psicólogo apresenta uma relevância social contemporânea levando em conta o constante aumento do número de casos envolvendo a patologia da ansiedade, do ponto de vista físico e psíquico.
A psicoterapia, nas situações mais comuns, funciona como um espaço de compreensão destas causas, prevenindo e melhorando a sintomatologia, bem como a qualidade de vida de quem procura esta especialidade.
Nesse sentido, também deve ser o objetivo da terapia medicamentosa, que através de seus componentes químicos, possa abrir espaço para em um primeiro momento minimizar o sofrimento psíquico e, com isso, possibilitar a fala sobre esse sofrimento.
É nesse conjunto que se pode propiciar a atuação de ambos, psicofármacos e psicoterapia, é que se expressa às possibilidades de trabalho em grupo, sendo um trabalho no qual a prioridade seja o sujeito.


Por Vanessa Nitzche - Pedagoga e Psicóloga CRP 07/21265
Psicóloga graduada pela Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul



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