Sexta-feira, 20 de setembro de 2019
Ano XXXI - Edição 1575
(55) 3535-1033
jsemanal@jsemanal.com.br
diagramacao@jsemanal.com.br

Longe de preconceitos o Roller Derby une força e inteligência num esporte para mulheres

21/06/2013 - Por Jornal Semanal
Tweet Compartilhar
Praticado de forma pioneira em Três de Maio há um ano e meio, modalidade sobre patins começa a ser difundida cada vez mais no Estado e no País

Um esporte coletivo de força, velocidade, habilidade e contato, muito contato, praticado essencialmente por mulher sobre patins. Assim é o roller derby, exercitado de forma pioneira no Rio Grande do Sul pela Chilli Queen's Roller Derby League de Três de Maio.
Praticado em suas formas mais clássicas, nos Estados Unidos da América (EUA), desde a década de 1930, o roller derby caiu no gosto de desportistas do mundo todo a partir de 2009, quando o filme "Whip It" ("Garota Fantástica" em seu título no Brasil) levou para os quatro cantos do planeta as emoções das competições sobre as rodas paralelas dos patins do roller derby.
E foi assim que há pouco mais de um ano e meio um grupo de amigas três-maienses, liderado pela web designer Mayara Pacheco, criou a Liga Chilli Queen's Roller Derby e o esporte começou a ser praticado no município, de forma um tanto improvisada em quadras de ginásios. "O Roller Derby é voltado para mulheres e somos a primeira liga a surgir e ser registrada no Rio Grande do Sul", conta a advogada Jarina Cecconello, vice-presidente da liga, que é presidida pela fundadora Mayara.
Hoje a Chilli Queen's é formada por 16 integrantes de Três de Maio, Horizontina, Independência, Santa Rosa e Nova Candelária.
Segundo a vice-presidente das Chilli Queen's, o Roller Derby é um esporte praticado por mulheres, mas que anda longe de qualquer preconceito. "Não há um perfil de atletas para praticar, o roller derby é totalmente antipreconceitos e estereótipos, existe toda uma questão cultural nesse esporte e ele vem para quebrar paradigmas, como de a mulher ser um sexo frágil e não poder praticar esportes de força e contato", revela Jarina, que ressalta ainda que "no roller derby não existe distinção, se a mulher é alta, baixa, magra, gorda, não interessa, se ela tiver vontade de aprender, terá um lugar pra ela".
O roller derby também não limita suas atletas pela idade. "Também não temos limites de idade, a não ser o de maioridade (18 anos), que é exigido pela WFTDA (entidade que regulamenta o esporte no mundo). A partir de 18 anos, quem quiser praticar é bem vindo", convida Jarina, lembrando que nos EUA existem praticantes com mais de 50 anos de idade.
Apesar de ser incipiente, o esporte está em franca expansão no país. "No Brasil o esporte está crescendo vertiginosamente e no RS ainda mais".
E o pioneirismo da equipe já levou as três-maienses a disputas nacionais representando o Estado. "Já representamos o Estado em um evento no Rio de Janeiro no ano passado, na época éramos  a única liga do RS. Esse ano, no mês de abril, participamos de um evento em Porto Alegre, pois agora já temos seis ligas no Estado", relata.
Em 2013, o Brasileirão de Roller Derby (competição de nível nacional) será disputado em São Paulo entre 15 e 17 de novembro.


Algumas dificuldades

Mas como toda nova atividade, também para a prática do roller derby existem dificuldades, como locais adequados e custos com equipamentos. Como exemplo, as atletas da Liga Chilli Queen's relatam a peregrinação que fazem em busca de espaços para realizar suas disputas. "Apesar de sermos pioneiras em todo o Estado, ainda encontramos dificuldades de disponibilidade de locais para treinos", reclama Jarina.
Segundo a vice-presidente da Liga, desde sua fundação há um ano e meio, a equipe já passou pelos ginásios da Setrem, do Colégio Dom Hermento e municipal do Bairro São Francisco (onde atualmente treinam). Porém, Jarina enfatiza que o local não é a principal dificuldade. "Qualquer quadra com piso bem plano, que não seja porosa ou solte pedrinhas, está valendo pra gente, A qualidade das quadras nem é o que mais dificulta, mas sim o custo para praticar que é muito alto".
Além de pagar horário para realizar os treinos (dinheiro que sai da mensalidade paga pelas atletas à equipe), as integrantes da Liga ainda arcam com custos de equipamentos. "Todo o equipamento, uniformes, tudo é por nossa conta e o equipamento não é nada barato. Os patins são importados e o mais barato custa em torno de R$ 900", contabiliza Jarina, lembrando ainda que o equipamento não é facilmente encontrado no Brasil, tendo que ser comprado pela internet e com a adição de taxas de importação. "O equipamento completo que duas meninas compraram recentemente (patins, joelheiras, cotoveleiras, capacetes, protetores de punho, protetor bucal) saiu em torno de R$ 2,2 mil".
Por enquanto a equipe não tem patrocinadores, porém, recentemente recebeu apoio da Secretaria Municipal da Mulher de Três de Maio para promover um evento. "A Secretaria da Mulher está nos apoiando para realizarmos um chá beneficente, para arrecadarmos fundos para as despesas (viagem, hospedagem e alimentação) do Brasileirão".
O Chá Lilás promovido pela equipe Chilli Queen´s será realizado no dia 10 de julho.

Terapia

À primeira vista, para a avaliação de um leigo, o roller derby parece um tanto violento, destinado a atletas de porte físico avantajado. Porém, depois de alguns minutos de atenção à prática, percebe-se que há espaço para cada praticante. "Precisamos de velocidade, de força, de agilidade, equilíbrio e as táticas de jogo trabalham muito a percepção, a atenção em várias coisas ao mesmo tempo. Mas os boatos sobre o esporte ser violento não procedem, temos toda uma segurança, e os equipamentos não são pra que uma menina bata na outra e sim para evitar alguma contusão em uma possível queda. Mas existem regras como no futebol".
Entre as praticantes, o esporte é considerado uma terapia. "É muito interessante e quem tem contato com o esporte se apaixona. Temos até um grupo de alunas do curso de Psicologia da Setrem que está fazendo o TCC sobre a liga, porque realmente é algo muito singular e interessante. Costumamos dizer que o roller derby, além de ser um esporte, é também uma terapia. Mulheres que depois do roller derby tem suas vidas totalmente modificadas para melhor, em questão de saúde, autoestima, postura de vida".
Os treinos da Liga Chilli Queen's Roller Derby acontecem todos os sábados à tarde no Ginásio Municipal, no Bairro São Francisco, a partir das 15h30.



Indicar a
um Amigo

Comentários

Deixe a sua opinião

Veja Também

06/09/2019   |
30/08/2019   |
09/08/2019   |
15/07/2019   |
28/06/2019   |
28/06/2019   |




Todos os direitos reservados - Jornal Semanal - Três de Maio - RS