Segunda-feira, 12 de novembro de 2018
Ano XXX - Edição 1533
(55) 3535-1033
jsemanal@jsemanal.com.br
diagramacao@jsemanal.com.br

Acordaram o gigante; Pimenta VERSUS Colírio

21/06/2013 - Por Jornal Semanal
Tweet Compartilhar
Acordaram o gigante

Gustavo Griebler*

Nunca pintei minha cara, nem fui para as ruas protestar. Não participei das Diretas Já. Não pedi o impeachment do Collor. O simples motivo de eu não ter feito isso é pelo fato de ser muito pequeno àquela época ou simplesmente nem ter nascido quando isso aconteceu. De lá para cá, parece que tudo se aquietou neste País. Anos 90 e anos 2000 a juventude se aquietou. A minha geração não pintou mais a cara, não foi para a rua, não protestou, não foi presa pela polícia por fazer arruaças. Escondeu-se em casa atrás de seus computadores e seus celulares, limitando-se a reclamar, reclamar e reclamar. Incluo-me aí, sem nenhuma vergonha.

Vieram as bolsas. Família, escola. E nós aqui quietos. Colocaram os desprovidos de maiores recursos para cursar universidade privada. Tudo bem. Mas e os que tinham um pouco mais que esses, os da classe média, que tinham de trabalhar de dia para pagar a faculdade que fazia à noite, também não mereceriam um auxílio? Ah, não dava, tinha que construir os estádios da Copa, tinha de se revitalizar os aeroportos, que muitos de nós nem usam ou usam pouco.

Mas enfim, os políticos em geral têm a preocupação principal no voto. Alimentar o povo dá voto. Dar bolsa dá voto. Pra que educar o povo? Para ele se tornar crítico e questionar com mais veemência o que acontece no Brasil? Para que investir em saúde? Para curar o incurável e deixar viver mais um cidadão crítico para questionar o governo? Não, não é isso o que se quer. Deixe o povo alimentado, com a barriga cheia, e o cérebro vazio. Assim é mais fácil administrar.

O Brasil tem dinheiro. Muito dinheiro. A arrecadação tributária bate recordes ano após ano, sinal de que dinheiro há. Só que quando o investimento vem para uma área que necessita de recursos, como educação e saúde, é má gerenciada a verba. Não adianta derramar tablets, computadores, lousas digitais nas escolas se os professores e alunos nem sabem o que fazer com isso. Invista-se em formação primeiro para depois largar os recursos. Voto vai ter também, não se preocupem, senhores políticos.

Um protesto que se inicia por causa dos vinte centavos do valor da passagem e chega a discussões como corrupção, obras para a Copa, questionamento dos serviços públicos prestados e que consegue reunir milhares de pessoas em diversas cidades brasileiras é de se analisar seriamente, senhores políticos. O povo cansou. Anos de silêncio agora rugem com tudo para fora.
Cuidado, senhores políticos, vocês estão lidando com o povo.

* Mestre em Educação nas Ciências. Professor de Ensino Superior da Setrem




Pimenta VERSUS Colírio


Paulo Roberto do Nascimento*

Vendo a eclosão dos protestos difusos no Brasil tenho o sentimento que tudo isso estava "caindo de maduro", a teoria da "gota d´água", pois a situação que se apresenta, em nível político/público, não é de hoje, vem de muitos anos, legisladores que só o fazem em causa própria.

Não falemos em partidos, em ideologias, em defesa desse ou daquele governo, falemos das diversas causas, especialmente dos nomes que se apresentam no nosso Congresso, sempre os mesmos, isso, os mesmos dos escândalos, dos desvios, da corrupção, dos conchavos.

Não justifiquemos abusos com protestos, não justifiquemos protestos com abusos, todo e qualquer excesso deve ser apurado e tratado com o devido rigor.

O país melhorou, sim, mas não bastante para que todos estivessem satisfeitos e contemplados, a prioridade não é o povo, deveria, pois democracia sempre foi o "Governo do povo, para o povo".

Quando vejo os sistemas de informatização que são colocados em execução fica claro que um dos objetivos é arrecadar. Os órgãos policiais não têm um sistema de informações eficaz e eficiente para o controle das fronteiras, de pessoas, de veículos, de armas. Na saúde não temos um sistema que fiscaliza quanto cada ente público aplica, multando-o de forma imediata. Na educação os diversos exames não oferecem segurança. Agora do Imposto de Renda (Leão) ninguém escapa, nos mais longínquos rincões a nota eletrônica está lá, para arrecadar.

Esses movimentos sociais não podem servir de argumento para aflorar revanchismos e frustrações, respeitemos a indignação da maioria.

Sempre critiquei aquilo que eu não concordo, por isso aceito de bom grado as críticas daqueles que não concordam comigo, se joguei pedra no telhado de alguém, não poderia ter construído um telhado de vidro, pois telhado de vidro não deve fazer parte de projetos de construção.

Orgulho-me de ser Gaúcho, do pioneirismo do Povo Rio-grandense, assim como foi em Setembro de 1835, começamos a fazer a diferença em 2013.

Meu sonho é a reconstrução de um Bairro, de uma Cidade, de um Estado, de um País melhor, onde os fins não sirvam para justificar os meios, não critique aquilo que defendeu e não defenda aquilo que criticou, quando a política, especialmente a partidária, partir dessa premissa começaremos a evoluir.

* Capitão Nascimento




Indicar a
um Amigo

Comentários

Deixe a sua opinião

Veja Também

09/11/2018   |
19/10/2018   |
11/10/2018   |
05/10/2018   |
28/09/2018   |
21/09/2018   |




Todos os direitos reservados - Jornal Semanal - Três de Maio - RS