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Sustentabilidade ambiental e econômica

27/07/2012 - Por Jornal Semanal
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Gerações tecnológicas e sustentáveis

Tecnologia traz sustentabilidade ambiental e econômica para a agricultura por meio de biodigestores

A família Kipper de Esquina Jost, interior de Três de Maio sabe a importância de utilizar os recursos naturais de forma sustentável. Desde 1997 atuando na criação de 700 suínos e gerando grande quantidade de dejetos, que não tinham finalidade, até dois anos atrás quando entrou em cena a tecnologia por meio de um biodigestor.
O ponto de partida foi a sugestão de uma empresa, a qual a propriedade é integrada, em instalar o equipamento para venda de créditos de carbono (ver quadro). A empresa custeou a instalação que é paga com a venda dos créditos. Após a quitação do investimento, o biodigestor e os valores referentes a venda dos créditos passam a ser do produtor. Milton Kipper conta que a família aceitou a instalação, principalmente, pela venda dos créditos de carbono que beneficiam o meio ambiente e conquentemente a família.
Os dejetos que antes só incomodavam, gerando odor e poluição, hoje tem destino certo e sustentável. Com a instalação do biodigestor os dejetos saem do chiqueiro, direto para o equipamento. Lá permanecem por mais ou menos 30 dias num processo de fermentação, ocorrendo estabilização do composto.
O líquido originado do composto (biofertilizante) vai para a esterqueira, e é usado na pastagem que alimenta o gado leiteiro e também para adubar as lavouras de  trigo,  soja e  milho. Já o biogás, ou o gás metano que é produzido nesta decomposição vai por uma tubulação até uma chaminé onde ocorre a queima, transformando-o em gás carbônico.
Marlos Evandro Wollmann, engenheiro agrônomo da Seara Alimentos S/A, explica que a tecnologia dos biodigestores reduz o impacto ambiental gerado pela emissão de gases do efeito estufa, pois nesse processo ocorre a queima do metano (CH4), emitindo apenas gás carbônico (CO2) para a atmosfera, sendo 21 vezes menos poluente que o gás metano.
O amor pelo campo e a consciência ecológica também foi passada para os filhos do casal, os jovens Elisiane e Marcelo que trabalham na propriedade. "Para nós é vantajoso, pois, além de poluir menos, o processo de biodigestão curte o esterco, se tornando um biofertilizante ideal para utilização na lavoura. Outro benefício é a diminuição do odor", explica Marcelo, que é técnico em agropecuária.


Família evita a poluição de 350 toneladas de metano


Na propriedade da família Kipper é deixado de lançar todo ano 350 toneladas de metano, que são queimadas, vindas da geração de dejetos de uma terminação de 700 suínos.
Conforme Marlos Wollmann, em média, cada animal produz 0,5 tonelada de metano no ano. "Sendo assim, se a instalação possui 1.000 animais, é possível reduzir os impactos ambientais nessa propriedade em 500 toneladas de metano por ano", destaca.
No caso de terminações com fêmeas é produzida 1,5 tonelada de metano por fêmea ao ano. Sendo assim, se a instalação possui 1.000 fêmeas, é possível reduzir os impactos ambientais nessa propriedade em 1.500 toneladas de metano por ano, por meio da queima dos 1,5 toneladas.


Venda de crédito de carbono

A venda dos créditos de carbono ocorre com países e/ou empresas que realizam uma emissão de gases acima do permitido pela Organização das Nações Unidas (ONU). Para amenizar os impactos, há a comercialização dos créditos.
O crédito é uma medida que permite aos países ou empresas reduzirem seus índices de emissão de gases do efeito estufa por um sistema de compensação. Segundo o acordo firmado pelos governos dos países membros da Organização das Nações Unidas - ONU, quando assinaram o Protocolo de Kyoto em 1997 para as nações industrializadas reduzirem suas emissões de gases poluentes.
Os governos calculam quanto precisam diminuir e repassam essa informação às indústrias do país, estabelecendo uma cota para cada uma. Essas empresas podem adotar medidas de eficiência energética para atingir suas metas ou ir ao mercado e comprar créditos de carbono. Daí a compensação: já que a empresa não vai conseguir reduzir suas emissões, ela compra esse "bônus" de terceiros.
Para que uma empresa tenha direito a vender créditos de carbono, precisa cumprir dois requisitos: contribuir para o desenvolvimento sustentável e adicionar alguma vantagem ao ambiente, seja pela absorção de dióxido de carbono (por exemplo, com o plantio de árvores), seja por evitar o lançamento de gases do efeito estufa na atmosfera - a quantidade de CO2 que ela retirar ou deixar de despejar na atmosfera é que pode ser convertida em créditos de carbono.
Os créditos de carbono são considerados commodities e podem ser vendidos nos mercados financeiros nacionais e internacionais.


Biogás para geração de energia

A instalação de biodigestores é o meio de fazer com que o lixo orgânico possa se transformar em energia: elétrica ou térmica.
Segundo Marlos Wollmann todo gás pode ser utilizado para a geração de energia elétrica, porém em muitos casos não há viabilidade econômica ou não tem produção de dejetos suficiente para produção de gás demandada por um gerador. "Geralmente o investimento entre biodigestor mais gerador é em torno de R$ 90 mil. Se a economia de energia for pouco expressiva, o investimento não se paga. Por exemplo, se a economia for de R$500,00 por mês, logo serão necessários 180 meses (15 anos), sem contar o custo da manutenção", explica o engenheiro agrônomo.
Na propriedade da família Kipper  não é produzida energia, porque não é viável. "O custo de instalação e manutenção do equipamento é alto, e nós consumimos pouca energia elétrica, então não é viável gerarmos energia somente para a nossa propriedade", conta Marcelo.


O biodigestor de 153 m² é utilizado para a decomposição
dos dejetos por meio de bactérias anaeróbicas
(que não precisam de oxigênio). Ao lado direito segue
o líquido excedente - biofertilizante - utilizado nas lavouras


SAIBA MAIS
- O biogás pode ser usado para alimentar fogões, no aquecimento de água, motores, lampiões e em geladeiras a gás, se constituindo numa das fontes energéticas mais econômicas e de fácil aquisição.
- Para produzir um metro cúbico (m³) de biogás são necessários 25 kg de esterco fresco de vaca; ou 5 kg de esterco seco de galinha; ou 12 kg de esterco de porco;
ou 25 kg de plantas ou cascas de cereais; ou 20 kg de lixo. Dejetos humanos,
como esgoto, também produzem biogás.



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