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Cirurgia e Traumatologia Buco-Maxilo-Facial

08/07/2013 - Por Yara Lampert
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Nesta edição, uma entrevista com o cirurgião Buco-Maxilar Moacir Portolan, formado em odontologia, com estágio e residência hospitalar na CTBMF (Cirurgia e Traumatologia Buco-maxilo-facial) do HSCM (Hospital da Santa  Casa de Misericórdia) de Pelotas. 
Mestre em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial e professor convidado do curso de Residencia Hospitalar em CTBMF do HSCM de Pelotas. Nesta entrevista, ele fala sobre a especialização e as áreas de atuação. O atendimento acontece no Centro de Reabilitação Portolan.

O que faz um cirurgião Buco-maxilar? 
O  Cirurgião bucomaxilofacial é graduado em odontologia e faz residência (especialização) hospitalar por três anos em hospital, sendo a área que trata: Traumatologia dos ossos da face, cirurgia de deformidades faciais incluindo deformidades labiopalatal, cirurgia facial envolvendo articulação temporomandibular, glândulas salivares, cirurgia bucal (enxertos, implantes dentários, cistos, tumores, dentes retidos), biópsias na boca e face (diagnóstico de câncer de boca e face e lesões benignas), tratamento de infecções de origem odontogênica, dores craniofaciais de origem do aparelho estomatognático (incluindo bruxismo, disfunção temporomandibular).

Como se deu a escolha desta especialização?
Eu era vestibulando e meu irmão fazia residência em cirurgia geral (hoje intensivista) e me apresentou um cirurgião da área. Decidi na hora que era aquilo que eu queria. Fiz residência hospitalar na Santa Casa de Misericórdia de Pelotas, mestrado na mesma área na UFPel e sou professor convidado do curso de residência hospitalar do HSCMP.

Quantos anos são de especialização? 
Três anos em regime de residência hospitalar.

Em que momento se faz necessário à intervenção de um cirurgião buco-maxilar?
Em casos de diagnóstico e tratamento de fraturas de ossos faciais e traumas orais, diagnóstico e tratamento de dores craniofaciais de origem do aparelho estomatognático (articulação temporomandibular e aparelho mastigatório), cirurgias de deformidades faciais, cirurgia de glândulas salivares, cirurgia dentária e dos ossos (cistos, tumores) maxilares e mandíbula.

Quais as maiores demandas em seu consultório?
A maior procura é por diagnóstico de dores craniofaciais de origem musculares tensionais (bruxismo) e disfunções da articulação temporomandibulares. Implantes e enxertos dentários. Cirurgia bucal (biópsias, dentes retidos).

Qual a situação mais difícil que enfrentou ou enfrenta em sua profissão? 
A maior dificuldade quando cheguei a Três de Maio, foi divulgar a especialidade que era pouco conhecida. Depois entrar no corpo clínico dos quatro hospitais da região (Santa Rosa, Horizontina e Três de Maio). Além disso, não era indicado se instalar numa cidade com menos de 50 mil habitantes. No entanto, provei para mim mesmo que essa regra pode ter exceção.

Quais as maiores habilidades que deve ter um cirurgião buco-maxilar?
Antes de entrar na especialização, fiz três mil horas de estágio, fiz três anos de residência, dos quais, dois anos acompanhei cirurgiões oncologistas (aprimorando técnicas de cirurgia de cabeça e pescoço). No Pronto Socorro, conhecimentos de cirurgia plástica, otorrinolaringologia, emergência e neurologia. A parceria com outros cirurgiões (cito Dr. Pablo Pase, cirurgião plástico e craniofacial; Dr. Welligton Gemelli, oncologista e cirurgião plástico) em cirurgias reabilitadoras (fenda palatina, lábio leporino, cirurgia de paralisia facial) durante esses dez anos, nessa cidade, também foram importantes. Logo, não basta um conhecimento teórico de anatomia descritiva e topográfica da cabeça, fisiologia, farmacologia, se não tiver um domínio da terapêutica e da técnica cirúrgica. A maior habilidade tem que ser cirúrgica.

A tecnologia e a modernidade chegaram também aos consultórios médicos e odontológicos. Na área Buco-maxilar, qual é a grande novidade?
Hoje equipamentos para diagnóstico e tratamento são adquiridos facilmente e estão a disposição dos profissionais e da população. Cito tratamentos a laser de baixa frequência. Cirurgia por meio de piezoeletrônicos. A nanotecnologia (enxertos e implantes) também hoje é uma realidade na área bucofacial, bem como a cirurgia guiada minimamente traumática para implantes dentários e videoartroscopia da articulação temporomandibular. 

Para os futuros profissionais desta área, qual a sua dica?
Muito estudo e muita prática. No entanto, não basta somente a especialidade. Atualizações constantes. Hoje existem três tipos de profissionais: o capaz, o incapaz e o capaz de tudo.

Quais suas ponderações finais e que mensagem você deixa aos nossos leitores?
Uma vida não tem preço, mas a saúde tem um custo. A prevenção ainda é a melhor forma de evitar e até tratar doenças. O acesso aos profissionais e a tecnologia estão presentes em nossa cidade assim como nos grandes centros. No entanto, mesmo com as campanhas preventivas e o excesso de informações na Internet (informação não é conhecimento) sobre doenças, ainda diagnosticamos doenças em estágios avançados.



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