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Paraguai: a saga

19/08/2013 - Por Jornal Semanal
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Gustavo Griebler*

Gosto de comprar no comércio local, até porque o dinheiro que eu recebo é pago por uma instituição local. Obviamente que não podemos sair por aí "torrando" todo o salário assim que ele entra. Uma economia também se faz necessária. Entretanto, apesar de valorizar o local, é interessante algumas poucas vezes ver outras realidades e comprar nestas outras realidades.
Fomos ao Paraguai, mais precisamente em Ciudad del Este, em excursão, passando pela Argentina. Na primeira parada, em um supermercado em Oberá, na Argentina, já identifiquei um consumismo desenfreado, muitas vezes com as pessoas não entendendo o porquê de estarem comprando. "É barato, vou levar." E assim enchiam-se carrinhos. Eu estava a passeio e diversão. Compramos alguns poucos itens que não encontramos por aqui.
Mais tarde estávamos jantando em um restaurante muito bom e quando vi estava parado em frente a uma máquina caça-níquel de um cassino ganhando e perdendo moedas, outra coisa que sem controle pode arruinar famílias. Joguei e perdi pouco, alguns poucos pesos. Para mim, foi algo bem sem graça isso, mas notava muitas pessoas compenetradas jogando. Algumas pareciam tristes, colocando a moeda e apertando os botões.
Chegamos ao Paraguai na madrugada de sábado. Nunca imaginei que estaria às 4h da manhã de um sábado comprando artefatos para cozinha em uma loja, com o possivelmente dono da loja gritando a cada pouco frases motivacionais e incentivando a compra. Como fazia muito tempo que não ia para lá, imaginei que passaria fome ou no máximo comeria um churrasquinho de gato na rua, mas minha surpresa foi que entramos em alguns shoppings e tivemos boas refeições, como café da manhã e almoço, a um preço elevado, mas tivemos.
Mas o interessante ficou por conta da venda dos produtos nas ruas mesmo, onde compradores têm de conviver com vendedores, motos e carros. O pessoal se entende. Na verdade eu que não me entendi muito bem em algumas oportunidades, tanto é que em uma quase um carro passou com o pneu por cima de meu pé. A cada dois passos que dávamos, dois ou mais vendedores se "pechavam" para me oferecer celular, notebook e tablet, perguntando o que eu procurava. Carregadores universais eram-me oferecidos a cada esquina, aparelhos de choque também, meias eram literalmente colocadas na minha cara. Ganhava uma massagem de poucos segundos gratuita nas costas de um produto a cada pouco. Uma hora quase um vendedor raspou meu cabelo para oferecer seu barbeador. Enfim, bugigangas que não acabavam mais. Eu estava a passeio e rindo de tudo aquilo. No fim das contas, comprei algumas coisas.
Mas o melhor ainda estava por vir no filme da volta no ônibus: um casal que ganha 100 milhões de reais na loteria e torra todo o seu dinheiro. Não sei se o filme colocado foi proposital, mas a mensagem era bem clara para todos nós. O filme nos passou a mensagem que o dinheiro é o que menos importa, ele pode até comprar coisas interessantes que podem fazer você se sentir bem, no entanto ele não compra o bem mais necessário ao ser humano: o amor. Amor de pai e mãe, amor de namorado(a), esposa, marido, de filho(a), enfim é algo que não se compra com dinheiro algum do mundo. O amor a gente conquista. A viagem valeu muito, mas o filme fechou a mesma com uma bela mensagem.

* Mestre em Educação nas Ciências. Professor de Ensino Superior da Setrem



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