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Em defesa de um atendimento especial

26/08/2013 - Por Jornal Semanal
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Na Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla, Apae e comunidade se mobilizam contra a lei que pode fechar as escolas de educação especial. Confira nesta edição os serviços que Apae de Três de Maio oferece e depoimentos de pais que falam da importância da escola na vida dos filhos e da família

*CONFIRA A MATÉRIA COMPLETA NO JORNAL IMPRESSO

A Apae e a busca pela igualdade e inclusão 
social das pessoas com necessidades especiais

A Associação de Pais e Amigos dos excepcionais- APAE 
de Três de Maio é mantenedora da Escola de Educa 
ção Especial Helen Keller e do Centro de Atendimento Educacional Especializado Helen Keller.
Sua fundação ocorreu em 29 de outubro de 1969, portanto, este ano a Apae comemora 44 anos.
Atualmente, a escola especial atende nos turnos matutino e vespertino, 213 alunos com deficiências intelectual e ou múltipla, oriundos dos municípios de São Jose do Inhacorá, Doutor Maurício Cardoso e Três de Maio, divididas em diversas faixas etárias, de zero a 64 anos e sendo a maioria em nível sócioeconômico baixo.
 A escola conta hoje com 60 colaboradores e 35 voluntários que fazem parte da diretoria da Associação 
de Pais e Amigos dos Excepcionais. A Apae atua nas áreas de Assistência Social, Educação e Saúde.
A equipe interdisciplinar da instituição é composta por vários profissionais, entre eles, clínica médica, fisioterapia, fonoaudiologia, neurologia, neuropediatria, nutrição, pedagogia, psicologia, psiquiatria, serviço social, 
terapia ocupacional e técnica de enfermagem.
A escola especial oferece educação infantil, ensino fundamental - anos iniciais e ensino fundamental - anos iniciais na modalidade de educação de Jovens e adultos, além de Atendimento Educacional Especializado para alunos incluídos na rede comum de ensino. 

Pais de alunos destacam a importância 
do trabalho da Apae

"Tenho duas filhas que frequentam a Apae. A Jaqueline, 17 anos, começou na escola com seis anos. Ela é autista e tem retardo mental. Não descobrimos logo no início. Quando ela começou na pré-escola em um colégio estadual, a professora notou que ela não se adaptava com outras crianças. Ela não interagia, não brincava, não fazia atividades. Então ela foi encaminhada para uma psicóloga da escola. Depois, a escola fez uma reunião com professores e recomendaram que eu levasse a Jaqueline na Apae, que seria melhor para ela, porque ela necessitava de tratamento especial. No início foi muito difícil aceitar que ela tinha necessidades especiais. 
Trouxemos ela na escola e realmente, quanto mais o tempo foi passando, ela foi precisando de mais atendimento. Daí eu me conscientizei da importância de trazer ela na Apae. Somos uma família carente, não temos condições de dar para ela o que a Apae oferece, como o atendimento médico especializado.
Hoje, com o agravamento da doença dela, ela está na cadeira de rodas e não frequenta a escola, mas está recebendo todo o atendimento da Apae em casa. Médico, terapeuta, psicóloga, temos tudo pela escola. 
Eu cuido dela, e tenho outra filha que frequenta a escola. A Chaiane, nove anos, tem paralisia cerebral, e começou desde pequena na Apae. Para minha família, a escola especial é o lugar ideal para elas. A Apae é tudo para gente, é tudo que nós temos. As professoras, a direção, toda a equipe da Apae batalham pelos alunos. Eles ajudam porque sabem que muitas famílias não têm condições de pagar exames, consultas, medicamentos. Todos lutam pelos alunos, pelo bem-estar deles. É uma família. Não tem como acabar com a Apae e colocar minhas filhas na escola regular.  Se não tivesse Apae, o que seria de nós?"

Marli Abrão, mãe de cinco filhos, entre eles Jaqueline,
17 anos, 
e Chaiane 9 anos,  alunas da Apae


"Wellinton tem deficiência intelectual. Desde os sete anos ele vem na Apae. 
Ele não está indo na escola regular, mas frequenta o projeto Pelotão Mirim, da Brigada Militar e está gostando muito. Na Apae ele aprendeu a ler e a escrever. 
Ele vem todos os dias aqui. E gosta de vir, gosta dos colegas e dos professores. 
Aqui tem atendimento especilizado, de vários profissionais da saúde. Não teríamos condições de pagar se fosse atendimento particular. Nem penso se caso fecharem a Apae o que vai acontecer com ele. Acho que vou ter que deixá-lo em casa. 
Temos que torcer para que isso não aconteça".

Catarina Santos, mãe de Wellinton,
12 anos, aluno da Apae


"Meu irmão José Ademir nasceu com hidroencefalia. Aos oito anos ele começou a vir na Apae. Ele não caminhava. A partir do momento que começou a frequentar a escola, teve melhoras significativas. Começou a caminhar, e foi assim até os 12 anos. Depois não conseguiu mais se locomover sozinho. Mas sempre teve acompanhamento da Apae. A Apae na vida do meu irmão representa muito. Porque dentro das limitações dele, ele demonstra a alegria de vir aqui, todas as tardes, encontrar os colegas e os professores. Agora, ele vai ganhar uma cadeira de roda e outra de banho novas, que foram intermediadas pela escola. 
Não tem lógica que meu irmão, que tem hidroencefalia, retardo mental e está parapéglico frequentar uma escola regular. Os professores não estariam preparados para atuar com um aluno com estas necessidades. E a escola regular não teria a estrutura que a Apae tem para atendê-lo. Um aluno especial precisa de muita atenção para crescer e se desenvolver, e é só na Apae que ele encontra isso. É o único lugar que ele vai ter para progredir dentro dos limites dele. É um absurdo querer tirar este direito que essas pessoas especiais têm. Isso é uma vergonha. 
Na Apae meu irmão tem amigos, ninguém olha diferente para ele. É como uma família. E aqui dão estrutura para toda a família. A Apae significa para ele, a alegria de viver e a superação. Esta duas palavras resumem tudo".

Marlice Silva Soares, 29 anos, 
irmã de José Ademir, 24 anos,
aluno da Apae.


"O Thailon veio para a Apae aos oito meses de idade. Descobri na gravidez que ele teria uma deficiência  intelectual. Depois que ele nasceu, por volta dos oito meses, ele ainda não sentava, não tinha firmeza. Levei consultar e me disseram que era normal. Mas eu não achava isto certo, porque meu outro filho mais velho com oito meses já engatinhava. Daí trocamos de médico e a doutora diagnosticou ele com paralisia cerebral. Ela me orientou trazer ele na Apae para avaliação. 
Então ele começou vir na escola especial. Foi difícil aceitar. Os médicos nos alertaram 
que se não fizéssemos todo o tratamento, ele não iria caminhar. Ele ficaria numa 
cadeira de rodas, porque era muito fraco. 
Ele demorou a caminhar, por volta dos dois anos, mas conseguiu dar os primeiros passos 
graças ao atendimento da Apae. Ele teve muitos avanços, muita melhora. Se demorássemos um pouco mais para procurar a escola, talvez ele não caminharia. Ele vem na Apae e está 
incluído na Escola São Francisco, na terceira série. Mas ainda não sabe ler e escrever. 
Ele tem problema de convulsões, o que prejudicou a fala. Na Apae temos tudo, só tenho que agradecer a Deus que tem a escola especial para meu filho. Ele adora vir nas aulas, principalmente na educação física na piscina. Hoje ele caminha como uma pessoa normal, 
para quem não iria caminhar. 
Sobre o fechamento das Apaes, será que o governo vai tirar do bolso dele para pagar 
os exames, os atendimentos médicos especializados e os remédios que as crianças 
especiais precisam? Isso é um absurdo". 

Adriana Schneider, mãe de Thailon, 8 anos,
aluno da Apae e estudante 
da 3ª série da Escola São Francisco


"Andriela é filha adotiva. Ela nasceu com problema de fenda palatina e o pediatra nos alertou para encaminhá-la a Apae para fazer correção. Procuramos a escola no início, porque através da Apae seria feito o encaminhamento para o Fundef (Fundação para Reabilitação das Deformidades Cranio Faciais), em Lajeado. Então ela frequenta a escola desde bebezinha. 
Não tenho vergonha de dizer que eu não conhecia a Apae antes de ter a Andriela. Para mim, a Apae era um lugar que tinha alunos com deficiência. Não conhecia a estrutura e nem os serviços que são prestados.
Desde o início tivemos o apoio da Apae em todos os sentidos. Nossa filha tem deficiência física e intelectual, faz acompanhamento fonoaudiólogo, fisioterápico e atendimento pedagógico. A Apae faz toda diferença para nós. E não só no atendimento para ela, para nós também, temos todo o suporte. 
Sobre o possível fechamento das escolas especiais, considero isto um absurdo. Não acredito que isso irá acontecer. Entendo que a inclusão de alunos com necessidades especiais em escola regular é importante. Mas tem crianças que não podem ser incluídas. A Andriela nunca vai poder ser uma criança inclusa numa série de escola regular. Então se fechar a Apae, onde ela vai ter apoio?
Não temos outros filhos. A Andriela evoluiu muito. Está aprendendo e se desenvolvendo melhor. É por causa dela, e de tantas outras famílias que tem filhos com necessidades especiais, que defendemos a permanência da Apae".

Cerlei Bender, secretária de escola estadual,
mãe da Andriela, seis anos, aluna da Apae


"Rafael está há cinco anos na Apae. Primeiro matriculamos ele na escola regular, onde sempre apresentava dificuldade de aprendizagem. Ele repetiu a segunda e a terceira séries e não adiantava, porque não aprendia, não se desenvolvia.
Teve uma professora que observou e sugeriu de nós trazermos ele na Apae. Viemos na escola, ele fez avaliação e começou a frequentá-la. A maior dificuldade dele era em se comunicar. Ele começou a falar mais tarde, com seis anos ele não conseguia pronunciar frases.
Desde que começou na Apae ele teve avanços. Para nós, o atendimento da escola especial é muito importante, e o principal é que ele adora vir aqui. Ele tem atendimento especializado. E agora na escola regular ele está se desenvolvendo melhor, até a professora de educação física disse que ele está muito bem. Mas tudo graças ao trabalho da Apae. O maior problema dele é na escrita, mas seu desempenho é bom na matemática. 
Rafael é filho único. Na nossa opinião, é impossível fechar a Apae. Ele frequenta outra escola, está incluído, mas só está se desenvolvendo depois que começou a vir na Apae. Ele tem deficiência intelectual, mas e as outras crianças que tem mais necessidades especiais e não podem ser incluídas? A permanência das escolas especiais é fundamental".

Beatriz Inês Pinheiro, mãe de Rafael, 
15 anos, aluno da Apae e estudante 
da 7ª série do Cardeal Pacelli


"Janice frequenta a Apae desde 2004, aos quatro anos de idade. Na creche viram que ela era diferente. 
Desde que começou, ela só evoluiu. Até para nós entendermos ela, o apoio da Apae foi fundamental. Ela tem deficiência intelectual, de aprendizado. 
Ela já sabe ler e escrever e está incluída na escola regular, no sétimo ano da escola Germano Dockhorn. Para nós a Apae é muito importante. Ela vem três vezes por semana na escola, se sente bem com os colegas e professores.
De início a gente tem um choque quando tem que procurar a Apae. Mas depois a gente conhece o que é a escola, 
o que oferece, é difícil encarar, mas depois tem que procurar ajuda e é aí que a Apae entra".

Roseli Maria Fritzen, mãe da Janice Terezinha Hunnoff,
13 anos, aluna da Apae e estudante do
7º ano da escola Germano Dockhorn.


"Felipe fez creche e foi para a primeira série em escola estadual. E a professora notou que ele parava e olhava para ela, e não acompanhava os colegas nas atividades. Daí ela me sugeriu procurar a Apae. Desde os seis anos ele está na escola especial. O problema do Felipe é intelectual, ele não aprendia a ler e escrever. Desde que começou na Apae teve grandes melhoras. Agora ele está estudando na quinta série de uma escola pública, já lê e escreve. 
A Apae é a principal ajuda para as crianças com deficiência. Não adianta elas frequentarem apenas uma escola regular se não tem o acompanhamento da Apae. Hoje o Felipe vai bem nas oficinas do Ciep, faz esporte, pintura, corte e costura e tem preferência pela oficina de horta. 
Ele frequenta o Atendimento Educacional Especializado - AEE na Apae. Quem viu o Felipe antes, não acredita que é este rapaz hoje, pelo tanto que ele desenvolveu. Por isso temos que pensar, querem acabar com a Apae. O Felipe está incluído, mas aquelas crianças que não tem condições de serem incluídas, como ficam? Sou uma mãe que não penso somente no meu filho, mas nos outros filhos especiais, que talvez precisam bem mais". 

Marlice dos Santos, mãe do Felipe, 16 anos,
aluno da Apae e estudante da 5ª série do Ciep

FOTOS: ALINE GEHM



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