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Demanda pelo trigo gera expectativa em produtores locais

09/09/2013 - Por Jornal Semanal
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Geadas de agosto castigaram algumas localidades, mas abriram mais perspectivas para outros produtores

Com cerca de 70% da área de trigo em floração e o restante em desenvolvimento vegetativo, os produtores entram agora em fase de manutenção de suas áreas cultivadas, muitos deles preocupados com a previsão de chuvas para este mês de setembro.
Segundo o agrônomo da Cotrimaio João Carlos Loro o excesso de chuva sempre é prejudicial, mas há diferença nas perdas conforme o estágio da plantação: "no estágio vegetativo/ reprodutivo as chuvas têm influência na severidade das doenças fúngicas (mancha folhar, ferrugem e giberela), que são potencializadas pela umidade aliada a altas temperaturas, já na maturação, têm influência direta sobre a qualidade do produto, como o peso específico e o mais preocupante, a germinação na espiga."
Apesar de ter ventado bastante no início da semana, a chuva não pareceu. "Isso pode ser considerado benéfico, pois o bom desenvolvimento da cultura depende de temperaturas amenas e precipitações com frequência máxima de uma vez a cada dez dias."

Produtores esperam mais lucros nesta safra
Considerando esses fatores citados e diversos outros, os produtores locais fazem o manejo de suas lavouras, como no caso do produtor Claudemir Kempef, que notou algum estrago na sua plantação em Giruá ocasionado pelas geadas que se fizeram presentes nas últimas semanas de agosto, tendo, inclusive, deixado várias localidades do Sul do Brasil cobertas de branco. "Aparentemente tem algum estrago, mas, se correr tudo bem, ainda compensa", diz Claudemir.
Claudemir ressalta que as geadas no ano passado vieram mais tardiamente do que neste ano e por isso as perdas podem ser maiores agora, porém, mesmo assim, a expectativa de preços e lucro com o trigo é melhor do que em 2012, levando em consideração o grande prejuízo recentemente ocorrido em localidades do Paraná, onde o frio fez a oferta baixar, causando quebra de aproximadamente 26%.
Para o produtor Paulo Daniel o estrago com a geada atualmente não é perceptível em sua lavoura localizada no interior de Três de Maio, mas, na iminência de enfrentar alguns dias seguidos de chuva, ele está atento ao clima, esperando o momento certo para fazer a aplicação de fungicida, objetivando proteger sua plantação neste período chuvoso, que pode resultar no aparecimento de doenças.
Paulo concorda com o fato de o trigo estar menos adiantado neste ano se comparado ao mesmo período do ano passado, mas, pelos mesmos motivos citados por Caludemir, também diz que a expectativa com a demanda é melhor do que em 2012: "Está sobrando só o Rio Grande de Sul com perspectivas de boas colheitas. Para a nossa região de Três de Maio até Cruz Alta é muito boa a expectativa", enfatiza.
Com a lavoura em fase de floração, o produtor Vilmar Schröer diz que torce para que as chuvas não sejam frequentes para o bom andamento. Em relação às doenças a fórmula é manter a análise da lavoura para fazer a aplicação de fungicidas.

Produtividade, doenças e preços
Quanto à produtividade das lavouras locais, João Carlos Loro espera uma média de 2.700kg por hectare, mas considera que há lavouras com potencial de produção acima desta média, pois essa é uma área na qual o uso de tecnologia pode fazer a diferença.    
Abordando a possibilidade de surgimento de doenças na plantação, o agrônomo cita o oídio e ferrugem como fatores mais incidentes, entretanto, em níveis baixos, sem comprometer a produtividade: "Na região, 70% da área cultivada no inverno é de trigo sobre trigo, o que potencializa as doenças fúngicas, mas estratégias de inicio do controle no estágio vegetativo têm mantido a lavoura de trigo com incidência muito baixa de doenças ao longo de todo o desenvolvimento da cultura."
Conforme Loro, os preços são animadores, pois há demanda para o trigo, sendo que a qualidade do produto colhido também vai determinar o seu preço final. Prevendo preços melhores que os dos últimos anos, ele faz algumas considerações finais aos produtores: "A grande preocupação é com a geada ocorrida na semana passada. O que verificamos é que houveram perdas pontuadas, variando conforme a localização e estágio da lavoura, por isso deve-se fazer avaliação lavoura a lavoura. Neste próximo estágio a preocupação fica com o aparecimento de oídio, ferrugem e manchas folhares em cultivares suscetíveis. A estratégia é monitorar o melhor momento de aplicação  para manter o potencial de produção da lavoura."

FOTO SANDRO RAMBO



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