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Embargou

30/09/2013 - Por Jornal Semanal
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Gustavo Griebler*
Até há poucos dias atrás, creio que boa parte da população brasileira, incluindo-me aí, não havia ouvido falar em embargos infringentes. Desde então, o assunto virou tópico de discussão, em que as pessoas passaram a ir contra algo que acabara de lhes ser apresentado. É algo que está na lei, no entanto, como nossa lei é em alguns pontos ridícula, os ministros poderiam ter esquecido isso, e feito uma justiça que o povo está clamando há tempos. Não é a mídia que está direcionando nossa cabeça para pedir justiça, somos nós que a queremos. Queremos ver gente que rouba nosso dinheiro, que poderia ser investido em saúde, educação, melhores estradas, bolsas de estudos, atrás das grades.
Nos tempos recentes, eu estava finalmente acreditando em alguma coisa vinda da alta cúpula do país no que tange ao julgamento de políticos. A justiça estava sendo feita. O mensalão existiu, conforme foi debatido. No entanto, surgiram os tais embargos infringentes. E tudo embargou. Embargos infringentes!? Senhores ministros, vocês acabaram de infringir a vontade popular de justiça, retardando ainda mais um processo que se arrasta há muito tempo. Senão vejamos: lembro-me quando Roberto Jefferson fez a denúncia. Isso em 2005. De lá para cá, oito anos. Oito anos!
Disse Pedro Belmonte: "Votação dos embargos infringentes foi um teste ao Supremo com as preferências partidárias de alguns ministros aflorando. Grande parcela dos votos que decidiram pelos embargos infringentes partiu de ministros com passado ligado ao PT, ao qual pertencia ou pertence parte dos réus. Onze terão novo julgamento, arrastando o resultado para 2014, com risco de alguns crimes prescreverem".
O Brasil tem se popularizado pelo país do "tudo pode", do "passar a mão na cabeça", do "jeitinho". Isso é triste. As leis são muito mal elaboradas e muito mal interpretadas. Uma pena de 20 anos de prisão muitas vezes, para não falar na totalidade, transforma-se em cinco, quatro, três anos, e olhe lá.
Bastou Joaquim Barbosa, ministro do STF, querer enquadrar o país no certo para que alguns de seus colegas começassem a estranhar e a não querer isso, mesmo com o povo dando total apoio a Barbosa. Ele se tornou um herói nacional, sendo até cogitado para a presidência da República.
Ricardo Lewandowski. Guardem este nome. Ele está fazendo de tudo - de tudo mesmo - para abrandar a pena dos mensaleiros. Que vergonha, nobre ministro. O senhor deveria dar o exemplo e não ficar defendendo bandidos. Em troca do quê, senhor ministro? Dinheiro? Status? Fama? Pessoas como você, senhor ministro, fazem eu desacreditar do Brasil.
Desejo ao novo relator, Luiz Fux, que acompanhou Joaquim Barbosa em sua decisão de não querer embargos infringentes, muita sabedoria na condução do processo. Que a justiça seja, finalmente, feita.
*Mestre em Educação nas Ciências.
 Professor de Ensino Superior da Setrem.




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