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Música: uma ponte para a inclusão social

07/10/2013 - Por Jornal Semanal
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Terapia musical é opção de tratamento para o autismo, transtorno que não tem cura

Disfunção que pode ser notada antes dos três anos de idade e atinge ambos os sexos (apesar de ser cerca de quatro vezes mais comum em homens), o autismo provoca alterações qualitativas na comunicação, interação social e imaginação dos indivíduos.
Segundo matéria publicada no site do Jornal Nacional no dia 2 de abril (Dia Mundial de Conscientização do Autismo), estima-se que existam 500mil pessoas com autismo no Brasil. Tendência ao isolamento, dificuldade para falar, execução de movimentos repetitivos e repertório restrito de atividades e interesses são características comuns em autistas, que podem ser diagnosticados em diferentes níveis, alguns com efeitos mais moderados, outros com efeitos mais comprometedores, o que dificulta o estabelecimento de um modelo para lidar com essa disfunção.

Trabalho que faz a diferença
Em meio a tantos tratamentos existentes para os autistas, o trabalho de Éderson da Silva Martins, 24 anos, natural de Palmeira das Missões, se tornou uma alternativa interessante, pois une a dedicação do jovem com algo que todos gostam: música.
No dia 9 de setembro Éderson acompanhou o colaborador da Universidade Federal Fronteira Sul (UFFS) - Campus Chapecó Marcelo Recktenvald em uma palestra destinada aos acadêmicos do Curso Superior em Administração da Setrem que fez parte das atrações do Dia do Administrador, interagindo com a plateia através de canções acompanhadas de violão. Foi a primeira vez que Éderson visitou Três de Maio.
O talento para a música demonstrado na Setrem foi o mesmo que acabou fazendo com que Éderson participasse de festivais e apresentações na APAE de Palmeira das Missões. Hoje ele trabalha na APAE de sua cidade como funcionário após passar um período como voluntário.  "Após um tempo me foi lançado o desafio de trabalhar na APAE de Palmeira com música, sendo montado um coral com os alunos. Dei continuidade ao coral e também criei um grupo de alunos para participar do Festival Nossa Arte, no qual nossa escola foi premiada em primeiro lugar na fase regional em Constantina e em segundo lugar na faze estadual em Porto Alegre", comenta Éderson sobre o início de sua experiência na APAE.

Terapia musical
O trabalho do jovem agradou e o próximo passo foi dado com a turma dos alunos autistas: "Fui convidado pela equipe de professores para fazer um trabalho com a turma dos autistas e em uma das reuniões foi cogitado o uso da musicoterapia, que é uma ótima ferramenta para desenvolver potenciais ou restaurar funções do individuo para que ele alcance uma melhor qualidade de vida", diz Éderson.
Devido às particularidades relacionadas ao comportamento dos autistas o trabalho apresentou alguns desafios que, segundo Éderson, foram facilitados pela interação proporcionada pela música, que agrega muito aos demais trabalhos relacionados com os alunos. Éderson destaca o fato de ter ganhado essa oportunidade, que lhe fez ter boas experiências e crescer como pessoa e profissional.
Além do trabalho com a APAE, há dois anos Éderson faz parte da equipe de cuidadores do Lar Adventista Nosso Amiguinho, realizando trabalho no qual auxilia crianças na rotina diária da casa "lá eles recebem tudo o que uma criança precisa e é muito gratificante poder fazer parte da vida deles, dar atenção quando precisam e, como a música sempre está presente em minha vida, no Lar também cantamos canções que edificam a alma e a adoração a Deus e nos sábados cantamos na Igreja. Agradeço a Deus por me permitir fazer parte de tudo isso no meu dia a dia, por cada sorriso e cada superação dos alunos", conclui Éderson. Assim como na APAE, Éderson também trabalha como funcionário remunerado no Lar Nosso Amiguinho.

Características relacionadas ao autismo:
- Dificuldades em relacionamentos, não apenas no sentido verbal
- Inflexibilidade em quebrar hábitos rotineiros
- Problemas de dicção
- Risos em situações inesperadas ou inapropriadas
- Ausência ou pouca expressão facial, exceto em situações
 de raiva ou agitação
- Agressividade consigo mesmo ou com outros em situações distintas

Formas de tratamento:
Tratamento médico:
pediatria, neurologia, psiquiatria e odontologia
Tratamento não-médico: psicologia, fonoaudiologia, pedagogia, terapia ocupacional, fisioterapia e orientação familiar
Como os níveis de autismo variam bastante, o tratamento, por sua vez, também é diversificado conforme o caso - não existe tratamento específico para o transtorno autista, sendo que o sucesso no mesmo depende não só do empenho e qualificação dos profissionais como também do apoio da família e amigos.
Mais informações: www.autismo.com.br

FOTO: ARQUIVO PESSOAL



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