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Educação financeira na infância para uma vida adulta saudável

14/10/2013 - Por Jornal Semanal
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Em tempos de consumo desenfreado, a Educação Financeira para as crianças se torna cada vez mais importante, para que assim possam ter uma vida financeira saudável no futuro. As estudantes Bianca Konzen e Camila Martini estão aprendendo na prática o 'valor do dinheiro' através de atividades realizadas em sala de aula.

Educação e finanças: unidas para formar cidadãos responsáveis
Quem pensa em educar seu filho ou filha para economizar e fazer uma boa gestão do seu dinheiro no futuro pode pensar que existe uma "fórmula única", algo que funcione para todos os casos, porém, quando se trata de preparar as crianças para lidar com dinheiro, é importante lembrar que a matemática pode ser uma ciência exata, mas a educação financeira não é.
É fato que hoje as crianças e jovens ao redor do mundo têm um repertório de conhecimentos e ferramentas de acesso a informação muito maior do que aquelas de algumas décadas atrás. A internet e a grande disponibilidade de aparelhos eletrônicos com preços cada vez mais baixos são os responsáveis por esse fenômeno que faz com que crianças realizem tarefas anteriormente impossíveis de se concretizar devido ao controle dos pais e falta de opções de comunicação.
Tome como exemplo o próprio ato de comprar algo, por mais caro que seja. Hoje, com os sites de compras pela internet, qualquer jovem tem acesso a uma infindável variedade de produtos que, com um clique, podem ser "comprados".
O comércio virtual revolucionou o processo de compra e venda, tornando suas etapas mais fáceis, porém, imagine a situação de um jovem que não tenha uma orientação financeira adequada diante de um computador que lhe possibilite entrar em contato com vendedores do mundo todo! A partir daí podemos ter uma ideia da necessidade inserida em uma educação financeira. E quanto antes isso ocorrer, melhor.

Cifras na sala de aula

Mais do que simplesmente ensinar a fazer contas, a educação financeira envolve ensinamentos sobre como adquirir uma melhor qualidade de vida através do uso consciente do dinheiro. Economia, estabelecimento de metas, controle de gastos, tudo isso faz parte do trabalho.
No âmbito da Sociedade Educacional Três de Maio (Setrem) a educação financeira foi iniciada através do projeto da LUTERPREV Previdência Privada, entidade com sede em Porto Alegre, criada pela iniciativa da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil e da Rede Sinodal. No ano de 2002 a referida entidade implantou o Projeto Educação Financeira (PEF), que funciona na Setrem desde o ano de 2004.
Segundo a vice-diretora do Ensino Fundamental e Médio da Setrem Marilei Assini, os alunos da instituição três-maiense têm contato com o PEF a partir do 2º ano do Ensino Fundamental, envolvendo-se em trabalhos que integram as demais disciplinas. Esta fase do Projeto se estende até o 6º ano, sendo que, entre a 7ª e a 8ª série, os estudantes passam a ter uma disciplina semanal de educação financeira, que se torna um componente curricular.
"Dentro das disciplinas de matemática, língua portuguesa, língua estrangeira, história, geografia e ensino religioso são passados vários conteúdos, como a questão de ética, consumismo, juros, compra a prazo, à vista e, em cada ano, são feitos projetos anuais deste programa de educação financeira", diz a vice-diretora sobre o trabalho realizado com as crianças do 2º ao 6º ano.

Orientação nos primeiros anos

Um dos trabalhos desenvolvidos pelas séries iniciais da Setrem é a realização de uma viagem de estudos em novembro, promovida anualmente pelos alunos do 4º ano. Esse projeto começa logo no início da temporada e, através do trabalho de educação financeira, os estudantes promovem uma ação entre amigos visando arrecadar fundos para custear a viagem "quanto eles têm de dinheiro, quanto vai custar, quanto vão gastar, tudo é analisado pelos próprios alunos", conta Marilei.
Para Daniela Engel, professora do 4º ano, a viagem da turma também ajuda na questão financeira no que diz respeito à administração do dinheiro durante a jornada: "eles estudaram o valor de cada cédula em função da nossa viagem, porque eles vão ter que saber administrar seu próprio dinheiro e com isso nós também estudamos a questão do lucro e prejuízo, para também poder aplicar na prática".
Professora do 5º ano da Setrem, responsável por 26 estudantes, Rosemari Beck Bamberg esteve acompanhando seus alunos em apresentação no Salão de Pesquisa da Setrem nesta quarta-feira, dia 9.
Entre diversas atividades produzidas pelos estudantes para a mostra, a professora destaca a elaboração de uma caderneta de despesas, montada no dia 2 de setembro: "a partir daí, todos os gastos que eles iam tendo individualmente iam sendo anotados, para chegarmos ao final de setembro e vermos o que foi gasto". Ela também ressalta o trabalho de fim de ano que será elaborado pelos seus alunos.

Continuidade

Noções de câmbio, dólar, cartão de crédito e débito são alguns dos assuntos que permeiam o conteúdo direcionado aos jovens da 7ª e 8ª série da Setrem através do componente curricular de Educação Financeira.
Luís Martini, 13 anos, e João Assini, 14, ambos alunos da 7ª Série, eram os responsáveis por um dos estandes do Salão do da Setrem promovido nesta semana, no qual apresentaram noções relacionadas ao conteúdo que lhes foi ensinado durante o ano, que incluiu visita um banco de Três de Maio e, segundo os estudantes, vai ser encerrado com um projeto sobre a situação financeira de Três de Maio em diversos setores, como saúde, agricultura, comércio etc.

                                                                             
GENARO CAETANO

Estudantes da 7ª série, Luís Martini e João Assmann estão perto de
concluir o projeto

                                                                             
GENARO CAETANO

Alguns alunos da turma do 4º ano com a professora Daniela Engel

O que dizem as crianças sobre educação financeira


"Antes de aprender sobre economia e vida a gente economizava um pouco, mas não economizava tanto como agora, porque a gente sabe que se economizar um pouco dá pra comprar uma coisa mais cara e economizar é bom porque às vezes a gente nem sabe no quê está gastando"
Camila Martini, 10 anos, estudante do 5º ano.


"Eu aprendi que dinheiro não é brincadeira, que às vezes o dinheiro pode nos ajudar e, economizando, a gente sempre pode ter mais"
Bianca Konzen, 11 anos, aluna do 5º ano.
 
"Eu achei bem legal esse trabalho pra gente aprender a não gastar muito, economizar, não comprar tudo o que você quer e comprar aquilo que é importante"
Adriel Secconi, 10 anos, estudante do 4º ano.

"Nós devemos economizar bastante porque, se eu começar a economizar a partir de hoje, daqui a dez anos eu posso fazer, por exemplo, a viagem dos sonhos que todo mundo quer"
Ana Carolina Müller, 10 anos, estudante do 4º ano.

"A professora ensinou que não pode gastar em coisa errada, coisa que a gente não vai usar tanto"
Christian Schneider,
9 anos, aluno do 4º ano.

Investimento no futuro

Como demonstrado pelos exemplos citados, o processo de educação financeira é essencial na nossa sociedade, uma sociedade na qual a cultura do consumo existe e, apesar de também ser importante como motor de impulso da economia, deve ser observada pelos jovens com cuidado e responsabilidade, pois, para que as crianças se tornem cidadãos    conscientes do seu papel no futuro, é preciso inserir o conceito do real valor do dinheiro, não só no sentido literal como também no aspecto social.

Teoria x prática

Uma das atividades integradas ao grupo do 5º ano da Setrem foi a elaboração de uma caderneta de despesas mensais e, junto com a caderneta, os alunos ganharam um cofrinho no qual estão depositando o dinheiro que sobra.
Segundo a professora Rosemari Bamberg, com o valor reunido no final do ano, no mês de novembro, durante o fechamento do Projeto de Educação Financeira, o 5º ano vai promover um Natal Solidário, no qual cada criança vai pegar uma carta do Correio e, com o dinheiro guardado, dentro das possibilidades, vão comprar os presentes que as crianças que mandam as cartas para o Papai Noel estão pedindo.


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Educação financeira não é apenas aprender a poupar e a cortar gastos.
Ela também ensina a gastar bem o dinheiro, investir em formação, capacitação e se preparar para o futuro.


63% dos alunos que tiveram aulas de educação financeira poupam pelo menos uma parte de sua renda.

16% fazem uma lista de suas despesas mensais. 

O exemplo dos pais é fundamental para uma boa educação financeira das crianças.

Segundo dados de uma pesquisa do Banco Mundial
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