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Empreendedorismo em foco

14/10/2013 - Por Jornal Semanal
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Pesquisa revela que 43,5% dos brasileiros pensam em deixar de ser empregados para abrir uma empresa.
33,8% dos novos empreendimentos são criados por jovens com idade entre 25 a 34 anos


O que antes era visto como algo arriscado hoje  aparece como intenção de 43,5% dos brasileiros, que, cada vez mais, pensam em deixar de ser empregados para abrir uma empresa. A informação é da GEM (Global Entrepreneurship Monitor 2012), estudo de atividades empreendedoras da Escola de Negócios de Londres e do Babson College que, em parceria com o Sebrae e o IBPQ (Instituto Braisleiro da Qualidade e Produtividade) trouxe uma série de dados referentes ao surgimento de empreendimentos no Brasil nos últimos anos.
Conforme a pesquisa, a taxa de empreendedorismo no Brasil cresceu cerca de 44% nos últimos dez anos e isso ocorreu porque o perfil da nossa economia mudou: expansão do mercado interno e ascensão da classe média como consumidora e empreendedora são mencionados pelo presidente do Sebrae Luiz Barretto, que ainda cita o surgimento da Lei Geral da Micro e Pequena Empresa, do Supersimples e o advento do Microempreendedor Individual. "O brasileiro está mais escolarizado e passou a abrir empresa por identificar uma demanda de negócio. É muito diferente do cenário há alguns anos, quando a pessoa abria empresa ao ficar desempregada", diz Barretto.

                                                                                                                      GENARO CAETANO

Setor de desenvolvimento da Migrate. Empresa com menos de 10 anos
emprega atualmente cerca de 50 pesssoas

Jovens são a maioria nas novas empresas


O levantamento da pesquisa também considera que, em 2002, 20,9% da população brasileira estava criando ou administrando um negócio. Já em 2012 esse índice evoluiu para 30,2% das pessoas entre 18 e 64 anos. Atualmente, cerca de 70% dos aspirantes a empresários abrem seu negócio por visar oportunidades no mercado, enquanto em 2002 esse número chegava a apenas 42%. A melhora no grau de escolaridade dos brasileiros também contribuiu para isso, pois a maior proporção de empresários por oportunidade é mais expressiva entre os mais escolarizados.
A pesquisa aponta que "empreendedores iniciais" são aqueles que possuem uma empresa com 3,5 anos de funcionamento. Os "estabelecidos" são os que têm mais de 3,5 anos de mercado.
Nas empresas iniciais a presença predominante é a de jovens entre 25 e 34 anos, que representam 33,8%, enquanto a faixa de 35 a 44 anos é responsável por 27% das novas empresas. As pessoas desta última faixa etária dominam o percentual de empresas estabelecidas, com 30%.

Homens e mulheres dividem índice de empreendedorismo


Além do aumento de novas iniciativas também destaca-se o número de mulheres entre as pessoas que iniciam carreira empresarial. De acordo com a pesquisa da GEM, 49,6% dos novos empreendedores são do sexo feminino, sendo que há mais mulheres entre empresários que abrem novos negócios do que entre os que já estão estabelecidos.

Escolaridade

Para finalizar, a pesquisa da GEM demonstra que, de fato, hoje em dia abrir uma empresa não é negócio de quem não teve sucesso como empregado e busca desesperadamente outra alternativa: nas empresas já estabelecidas observa-se que 30% dos empresários têm o ensino médio completo. Nas empresas iniciais este índice já corresponde a 37%.

Novas empresas para jovens empreendedores


O ingresso no mercado de trabalho faz parte da transição que muitos jovens enfrentam quando começam a dar seus primeiros passos como adultos, procurando se emancipar e garantir sua independência. Neste caminho alguns se antecipam e começam a trabalhar mais cedo que outros, porém, há também aqueles que resolvem abrir um negócio próprio, investindo tempo e dinheiro em um empreendimento todo seu. Esses são os jovens empreendedores.
O assunto sobre os jovens empreendedores surgiu quando a reportagem do Jornal Semanal entrou em contato com Geison Schmitz, 32 anos, para saber sobre oferta e demanda por imóveis em Três de Maio. Geison, que divide o trabalho de corretor com o de bancário, sugeriu na ocasião que fosse dado espaço para mostrar empreendimentos próprios de jovens. Ele também planeja se dedicar a empresa de sua família, a Imobiliária Schmitz, após cumprir seu horário no outro emprego.

                                 ARQUIVO PESSOAL

Geison planeja empreendimento próprio

Geison revela, que através da experiência com seus pais, que no momento tocam a empresa em tempo integral, quer adquirir a capacidade de seguir por conta própria no futuro, considerando que o apoio familiar é algo fundamental quando se é jovem e procura-se levar adiante um empreendimento por conta própria.
Ele também cita como fator positivo em ser um jovem que deseja ter seu próprio negócio é o fato de que, se a empreitada não der certo, ainda há  possibilidades de se conseguir uma recolocação no mercado de trabalho.    
A exemplo de Geison,  há muitos jovens que abriram suas próprias empresas e hoje trabalham com aquilo que gostam e se identificam.
Nesta reportagem, jovens contam como e porque decidiram trocar o trabalho em empresas de terceiros para investir nos seus próprios empreendimentos.

Migração constante

                                                                                    ARQUIVO MIGRATE

Glauber Weddigen, Jean Benatti  e Adilson Weddigen

A tendência de evolução permanente da tecnologia foi o que originou o nome da Migrate, fundada no ano de 2004 por Adilson Weddigen (35 anos), natural de Três de Maio, Glauber Weddigen (31), também três-maiense e Jean Benatti (30), de Dr. Maurício Cardoso, todos formados em Sistemas de Informação na Setrem, MBA (sigla em inglês para Mestre em Administração de Negócios) além de Gestão Empresarial (Adilson e Galuber) e Gestão de Pessoas (Jean).
Acompanhar os avanços tecnológicos foi exatamente o que o trio fez desde a sua inserção no mercado de trabalho, quando eram funcionários de empresas de Três de Maio, até surgir a oportunidade de fazer um estágio na área de TI da John Deere em 2002. Adilson e Glauber fizeram parte da primeira turma de estagiários, enquanto Jean foi com a segunda.
Após o fim do estágio foi fundada a Migrate, em 2004.Trabalhando com desenvolvimento de sistemas personalizados, a empresa foi se desenvolvendo e, como mencionado  por Adilson, passou a "migrar", adquirindo novas características ao longo do tempo, até mudar o seu foco e oferecer soluções para notas fiscais eletrônicas, serviço mais caracterizado como produto, ao contrário da proposta inicial, que se direcionava ao público de forma personalizada.
Segundo Adilson hoje a Migrate trabalha exclusivamente com o desenvolvimento de soluções e tem um grupo de 50 funcionários e, já conta com uma filial no Uruguai e um funcionário em São Paulo. Ele diz que o início precoce dá mais chances para o jovem empreendedor errar e isso deve ser aproveitado como oportunidade de amadurecimento.

Boas perspectivas

                                                                                     GENARO CAETANO

Márcio e Joseane investiram em uma microindústria de alimentos e hoje
vendem seus produtos para todo Estado


A ideia que surgiu em um curso acabou se transformando em empreendimento próprio quando Márcio André Rosa da Silva resolveu colocar à prova o que aprendeu no curso de Engenharia de Produção da Setrem, inaugurando a Casa das Massas junto com Joseane Knüppe em fevereiro de 2011. Hoje o casal (ele com 27 anos e ela com 23) procura desenvolver o empreendimento já consolidado, uma microindústria de alimentos voltada a produtos de panificação, com licença para vender em todo o Estado.
O domínio da técnica foi fundamental para a implantação da empresa, mas as primeiras dificuldades com o novo empreendimento foram logo sentidas pelo jovem casal. "Como não tínhamos outra renda, havia dificuldade financeira, além da burocracia e do fato que os clientes, a princípio, têm uma desconfiança, porque querem ter certeza que você sabe fazer o trabalho", lembra Márcio.
Apesar das dificuldades iniciais os dois ressaltam as vantagens de se começar um empreendimento em uma idade jovem. "A perspectiva é boa porque, com essa idade, você já pode ter independência", enfatizam. Devido a demanda pelos produtos e para maior espaço para as máquinas e também buscando um lugar mais confortável para trabalhar eles já pensam em investir em outra sede. Para ano que vem o casal planeja inaugurar uma nova instalação, mais ampla.

Da técnica para administrar o próprio negócio


Na promissora e ampla área da internet e aparelhos digitais sempre há espaço para inovações e essa é uma das propostas da Inofly, empresa três-maiense fundada em fevereiro de 2011 e dirigida por Katiuscia Schröer (23 anos), Maurício Schiavo (22) e Thomas Cavalli (19), todos professores do Curso Técnico em Informática da Setrem - Katiuscia também é professora do Curso Técnico em Vendas da referida Instituição.
Trabalhando com sistemas para internet e dispositivos móveis a empresa oferece soluções personalizadas, desenvolvimento de sites corporativos, aplicativos personalizados para dispositivos móveis, marketing digital entre outros serviços. Como não há fronteiras quando o assunto é mídia digital, a Inofly também procura expandir a sua atuação, abrangendo o público de fora dos limites três-maienses, sendo que hoje a empresa conta com nove pessoas.

Experiência

Com experiência técnica de sobra para iniciar o novo empreendimento, os gerentes da Inofly contam que a dificuldade foi sentida na parte administrativa: "é desafiador, porque você não tem experiência na área" dizem, ressaltando que, em razão do perfil do profissional de informática se caracterizar como alguém menos voltado ao contato direto com o público, o relacionamento com os clientes foi uma novidade e uma barreira a ser superada.
Na busca por mais experiência os jovens empreendedores se associaram a outros dois profissionais da mesma área, Carlos Ceccon e Maidi Dalri, seguindo adiante no empreendimento. Dentre os benefícios de começar cedo a trabalhar por conta própria eles destacam o sentimento de atuar em algo que gostam e que faz parte de suas vidas diretamente: "como é um negócio nosso, temos mais vontade de fazer, de sair de casa e ir para o trabalho", finalizam.

                                                                                              GENARO CAETANO


Os jovens empresários, Thomas, Katiusca e Maurício  que investiram na Inofly


O sonho da empresa própria

Formado no curso de Tecnologia em Redes de Computadores na Ulbra de Canoas em 2010, Eduardo Casali Fracari, 25 anos, sempre quis ser dono do próprio empreendimento. Ao adquirir a farmácia Viva Bem, em Três de Maio, ele assumiu o compromisso que também é visto pelo jovem como um sonho realizado. "Em 2010 eu trabalhava  como técnico em Sistemas de Impressão, em uma empresa em Canoas. No início de 2011 fui transferido para a matriz, em Horizontina, para coordenar a área técnica da unidade. Ali fiquei até outubro do mesmo ano, quando fui transferido para a filial de Ijuí para coordenar a área técnica e assumir algumas tarefas administrativas, que foram essenciais para ter uma ideia do funcionamento de uma empresa", diz Eduardo, que teve a oportunidade de adquirir uma farmácia em fevereiro, assumindo efetivamente o novo empreendimento em abril, juntamente com a noiva Flávia Riese.
Eduardo destaca o crescimento profissional e pessoal como fatores que o motivaram a ingressar  em uma empresa do ramo farmacêutico, mesmo sem possuir formação nesta área. "Para ser um empreendedor, acredito muito no perfil de cada pessoa. Ela tem que ter o 'tino' o 'click', tem de estar no sangue. Um funcionário pode trabalhar por anos na gerência de uma empresa e não ser bem sucedido em um empreendimento próprio. Cada pessoa tem um perfil e deve visualizá-lo para utilizar no negócio ou na profissão da maneira certa. Conheço pessoas que não concluíram o segundo grau escolar e são empresários muito bem sucedidos", ressalta Eduardo.

                                                                                          GENARO CAETANO

Eduardo Fracari adquiriu recentemente a Farmácia Viva Bem para ter seu
próprio negócio, após morar por cerca de seis anos fora de Trës de Maio


Ele também considera Três de Maio  um lugar onde há espaço para jovens empreendedores."Fiquei aproximadamente seis anos fora e, entre idas e vindas, vi muita mudança e crescimento no município nestes últimos anos. Três de Maio tem um potencial muito grande. Conheço várias pessoas da minha faixa etária que estudaram fora e voltaram para ter seu negócio próprio."

No hobby, uma oportunidade de negócios

Objeto de constante observação e análise, tanto do povo em geral como de pessoas que dependem dela para tocar sua vida, a meteorologia foi o alvo do investimento do três-maiense Ricardo Bourscheidt, 23 anos, responsável pela Loja do Clima, empresa fundada no mês de fevereiro de 2013.
Bancário e professor de inglês, Ricardo assumiu outro compromisso quando iniciou seu trabalho com a Loja do Clima, empreendimento voltado à comercialização de instrumentos de medição meteorológica - estações meteorológicas, termômetros, higrômetros, pluviômetros, barômetros, anemômetros, etc.
Direcionada a pessoas que lidam com agricultura e alguns ramos da indústria, a empresa oferece possibilidades de maximizar a produção através de informações precisas sobre o tempo. Sem sede para a empresa, Ricardo usa a internet para chegar aos seus clientes, além do contato pessoal.

                                          ARQUIVO PESSOAL

Ricardo divide seu empreendimento pessoal
com mais duas profissões

ESTUDOS X PRÁTICA

Inicialmente considerada um hobby, a meteorologia passou a ser tratada como algo profissional pelo jovem, que, na época, cursava o 9º semestre do curso de Administração da Setrem: "Com um TCC pela frente, surgiu a ideia de aliar um hobby, meus estudos e a uma oportunidade de mercado. A constituição do negócio me possibilitou verificar como a teoria (representada pelo plano de negócio que fora desenvolvido no final do curso de Administração) se comportou na prática, o que melhor funcionou e o que precisou ser adaptado", diz Ricardo.
A formação administrativa deu subsídios para Ricardo lidar com o processo de abertura e planejamento de seu empreendimento, porém, o fato de ter dois empregos restringiu o seu tempo para se dedicar ao novo negócio. Além disso, o jovem empreendedor também teve que se virar com a obtenção de fornecedor do exterior, conhecimento do procedimento de importação e criação de um mercado, considerando que o seu produto é relativamente novo no Brasil.

VANTAGENS


Segundo Ricardo, benefícios com o novo empreendimento não faltam: "Você aprende a ver as empresas na perspectiva de quem as constitui e coordena, aprende que ter problemas é inevitável e que seu papel é resolvê-los, aprende também a vender por conta própria o seu produto, a gerenciar seu dinheiro, suas economias, a investir e, além disso, expande seu networking, cria coragem e reforça a autoconfiança."



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