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O perigo das zoonoses

28/10/2013 - Por Jornal Semanal
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Para alertar sobre o perigo das zoonoses, doenças transmitidas pelos animais aos seres humanos e dos homens para os animais o Sindicato Rural de Três de Maio em parceria com o Senar (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural) promoveu na semana passada, um ciclo de palestras sobre o assunto em municípios da região Noroeste

Doenças transmissíveis entre animais e seres humanos preocupam, mas podem ser prevenidas com mudanças de hábitos e medidas de higiene

Para alertar sobre o perigo das zoonoses, doenças transmitidas dos animais aos seres humanos e dos homens para os animais, o Sindicato Rural de Três de Maio, em parceria com o Senar (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural) promoveu na semana passada um ciclo de palestras sobre o assunto em municípios da região Noroeste, entre eles Três de Maio, Alegria, Independência e São José do Inhacorá.
As palestras foram ministradas pelo instrutor do Senar, médico veterinário Ricardo Soares Matias, e destinadas a todos os segmentos da sociedade, na área urbana e rural, professores, estudantes e público em geral. Embora a importância sobre o tema, Matias lamenta o fato das pessoas não terem conhecimento sobre os riscos à saúde que as zoonoses causam, tanto para o homem como para os animais.
De acordo com o médico veterinário, as zoonoses mais prevalentes na atualidade são a tuberculose, brucelose, leptospirose, toxoplasmose e teníase - cisticercose. E a forma de transmissão depende da zoonose.
Por outro lado ele  assinala que existem quase 200 zoonoses diferentes e que o número de enfermidades que podem ficar sendo transmitidas de homens para animais e vice-versa é muito grande.

Como evitar
Na avaliação de Ricardo Soares Matias, evitar a transmissão das zoonoses é um grande desafio. "O número de casos é alarmante. Atualmente está se perdendo o controle destas zoonoses porque elas dependem muito de decisões individuais. Por exemplo: quem decide o que comprar é o consumidor. Posso comprar um salame fiscalizado ou não. Se opto pelo fiscalizado, tenho a certeza de um produto de qualidade, sem risco. Caso contrário, o risco se torna maior".
Matias revela que tem observado que em todos os encontros nas comunidades sempre tem alguém no grupo que teve ou está com alguma destas zoonoses, alertando que essas doenças ocorrem tanto na zona rural como urbana. "Tanto faz, os riscos são os mesmos. A vaca está no meio rural, mas o leite vem para a cidade. O gato, o cachorro estão nos dois ambientes; o rato também. Não dá para dizer onde o risco é maior".

Formas de prevenção

A higiene é um importante aliado na prevenção das zoonoses. Matias orienta sobre a importância de recolher e enterrar  as fezes dos animais de estimação, especialmente de gatos e cachorros.
Porém, ele reitera que existem outros fatores de alerta. "Muitos têm seus cães em casa, mas os animais estão soltos nas ruas. Daqui a pouco eles se contaminam no ambiente, voltam para casa, e nas fezes deles o parasita é eliminado. Se eu, dentro de casa, recolho estas fezes, estou fazendo higiene ambiental e evitando que este parasita que está nas fezes possa passar para alguém da residência. Mas o mais importante é não deixar que o cachorro saia de casa. O local dele é no pátio de casa e não na rua. Essa é uma forma de evitar que ele se contamine fora e traga as zoonoses para dentro de casa".
Outra orientação é sobre o uso de luvas quando for mexer na terra da horta de casa. "Os gatos vêm da rua e acabam colocando suas fezes onde a terra é mais solta, normalmente na horta. E o gato é o responsável pela transmissão da toxoplasmose".
Para Matias, são medidas simples, que todos podem fazer. "É questão de mudança de comportamento. Muitos acham que 'comigo isso nunca vai acontecer', até que um dia acontece. Por isso que temos que trabalhar preventivamente", aconselha.

                                                                ALINE GEHM

Instrutor do Senar e médico veterinário Ricardo Soares Matias


Outras dicas de prevenção:
- Lavar as mãos e as unhas após manipular carnes cruas.
- Consumir carne sempre bem cozida e assada.
- Consumir leite fervido.
- Cachorro de estimação sempre dentro do pátio de casa.
- Consumir produtos de origem animal, derivados de carne e de leite sempre fiscalizados.
- Fazer corretamente as vacinas nos animais.
- Lavar sempre as mãos depois de mexer na terra, horta ou ter contato com animais domésticos.
- Lavar bem as verduras em água corrente ou consumi-las cozidas.

Exemplos de zoonoses mais prevalentes

Brucelose
Acomete os bovinos, caprinos, ovinos, equinos, cães e o homem. Provoca graves perdas na produção animal, chegando a causar 25% de diminuição na produção de leite e 15% na produção de carne, sem contar com a perda de bezerros ocasionada por abortamentos.
Em rebanhos comerciais é recomendado o sacrifício dos animais. Em animais de estimação o tratamento é baseado em antibióticos, porém, é comum que o animal não elimine totalmente o agente do organismo.
Prevenção: vacinação do animal. No homem, os sintomas da brucelose se apresentam com febre, dor de cabeça, mal-estar, falta de apetite, dores no corpo, ínguas no corpo, entre outros.

Tuberculose
Levantamento do Ministério da Saúde aponta que a cada ano no Rio Grande do Sul surgem ao redor de 4.500 casos novos de tuberculose.
Todos os mamíferos são suscetíveis à tuberculose.  No homem, os sintomas se apresentam com tosse, febre, escarro (que em fase adiantada da doença pode apresentar sangue), dificuldade respiratória e emagrecimento progressivo. Nos animais, os sinais clínicos mais frequentes são tosse seca, curta e repetitiva, mastite e infertilidade, além de cansaço e baixa capacidade respiratória. No homem, a doença tem tratamento e grande chance de cura. No caso do animal infectado, a única alternativa é abatê-lo.

Leptospirose
É alta a taxa de mortalidade da leptospirose, doença que afeta seres humanos, ratos, cães, gatos, bovinos, suínos, equinos, ovinos e animais silvestres, como capivara, papagaio e outros. No RS, a leptospirose mata 12 pessoas de cada 100 que contraem a doença.
A transmissão ocorre através da urina contaminada do rato e de qualquer animal doente, através de objetos e alimentos contaminados com a urina de animais doentes. Nos homens, leptospirose causa dor de cabeça, dor muscular, na panturrilha, falta de apetite, náuseas, vômitos, hemorragia, pele amarela e urina de cor alterada. Se não diagnosticada e tratada a tempo, pode levar à morte.

Toxoplasmose
A toxoplasmose, conhecida como doença do gato, também é uma doença de alto risco, principalmente para as gestantes. A zoonose afeta gatos, cães, caprinos, ovinos, suínos, bovinos e os homens.
Nos humanos, a toxoplasmose pode causar febre, ínguas, manchas vermelhas pelo corpo, cansaço, cegueira, dor de cabeça, e nas gestantes, pode provocar abortos, bebês com retardo mental, líquido no cérebro e aumento da caixa craniana. Nos animais, ocasiona problemas neurológicos, deficiência visual, hepatite, aborto, tosse, fraqueza, emagrecimento, tremor, convulsão e febre.
O gato contrai a infecção ao comer carnes cruas, ratos ou pássaros contaminados e, também, pelas próprias fezes. O homem adquire a doença comendo carnes ou embutidos (linguiças, salames) contaminados, mal cozidos, verduras contaminadas ou mal lavadas, mãos mal lavadas após trabalhar em terra contaminada por fezes de gato.
No caso da mulher grávida, é de fundamental importância que ela realize os exames pré-nupcial e gestacional, para detectar a doença e, se necessário, fazer o tratamento adequado. Para pessoas com defesas imunológicas diminuídas, como transplantados, pessoas com Aids, e doenças crônicas, a toxoplasmose pode ser fatal.

Teníase - cisticercose
As larvas de tênias são responsáveis pela cisticercose em animais e humanos. A cisticercose é causada pela ingestão acidental dos ovos da tênia solium. A gravidade da doença depende muito da região infestada. Alojada na coluna e região muscular, causa dor e dificuldades de locomoção e na região ocular, distúrbios visuais e até cegueira.
Nos animais, a doença não tem sintomas aparentes. A transmissão se dá pelo consumo da carne mal cozida de suínos e bovinos. Prevenção: lavar sempre as mãos, principalmente antes de se alimentar e após usar o sanitário; não irrigar horta com água de rio; lavar bem as frutas e verduras antes de ingeri-las; tomar água apenas se estiver tratada. O acompanhamento médico dos portadores de cisticercose e teníase são as principais formas de evitar seu contágio e o de outras pessoas a curto e a longo prazo.
O tratamento para a cisticercose é para o resto da vida. Uma das formas mais graves da doença é a neurocisticercose, quando os ovos da tênia se localizam no cérebro e causam infecção no sistema nervoso central. No Brasil, estima-se que cerca de 140 mil pessoas sofrem dessa doença, que pode causar lesões cerebrais graves e até a morte.

FOTOS: ALINE GEHM; DIVULGAÇÃO/JS



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