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ONG pelos Animais

29/10/2013 - Por Yara Lampert
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No contexto das zoonoses que os animais de rua, principalmente cães e gatos abandonados, podem causar, e se tornar um grande problema de saúde pública, nesta semana a entrevista é com a presidente da ONG Pelos Animais, Ana Cristina Dockhorn, para falar como está a atual situação da organização e as atividades que são realizadas. Por outro lado, em tom de desabafo, Ana Cristina revela as dificuldades enfrentadas pela ONG, desde a carência de recursos até a falta de apoio. Confira a entrevista.

Para uma cidade do porte de Três de Maio, é grande o número de animais abandonados? Há como estimar a quantidade de cães e gatos de rua?

São muitos sim, mas não temos como estimar quantos perambulam pela ruas da cidade. Não existe um censo pra sabermos realmente a quantidade de cães e gatos abandonados.

Na avaliação da ONG, porque isso ocorre?
São várias as situações, mas em resumo, primeiro, são os donos os responsáveis pelos seus animais de estimação, e, segundo, o poder público, pois em Três de Maio não há uma política pública municipal ao controle de zoonoses, que deveria ser feita através da Secretaria da Saúde - Vigilância Sanitária.

Como evitar essa proliferação de animais de rua?
O caminho é a esterilização. Existem cidades que a população de animais de rua já é igual ou maior que o número de habitantes, trazendo doenças para a população, uma séria questão de saúde pública. Há prefeituras que estão bem avançadas nesse sentido, com parcerias entre as ONGS, e a criação de um Conselho Municipal de Proteção aos Animais, com um centro de Controle de Zoonoses, mas que não compactua com a atividade de extermínio de animais, com a racionalização de captura dos animais, não retirando das ruas os que estão sadios, exceto nos casos em que representam risco real à população. Os animais são submetidos a uma triagem, castrados e reunindo condições clínicas e sanitárias e comportamentais são encaminhadas para adoção. Mas para que isso aconteça precisamos que o Poder Executivo e o Legislativo tenham vontade política de fazer acontecer, se nada for feito, a população de animais de rua tende a aumentar cada vez mais.

Sabemos que a ONG não recolhe estes animais, mas qual o papel da organização com relação a esta situação?

Nós fizemos feirinhas de adoções, inclusive no domingo, dia 27 de outubro, teremos mais uma edição na Praça da Matriz, às 16 horas, além de campanhas educativas na conscientização das pessoas na posse responsável. Também damos suporte e orientações em como proceder nas situações de maus tratos, e muitas vezes acabamos recolhendo alguns animais que encontram-se em risco iminente, e voluntários abrigam esses animais, até que possamos encontrar um novo lar para eles.

Sobre a ONG, quando foi fundada, quantos integrantes têm, qual o trabalho que realiza?

A ONG Pelos Animais foi fundada há dois anos e conta com o apoio de poucos integrantes. Hoje somos quatro pessoas apenas. O nosso objetivo em fundar uma ONG era o de dar um pontapé inicial, digamos assim, para que mais pessoas pudessem se engajar na causa dos animais, e se juntassem a nós, e que então pudéssemos fazer projetos, buscar recursos, apoio do poder público, com o intuito de esterilizarmos a maior quantidade possível de animais de rua e pertencentes a população de baixa renda, reduzindo assim o número populacional de caninos e felinos. Nós estamos fazendo a nossa parte, dentro de nossas possibilidades.

Qual a maior dificuldade da ONG?

A falta de recursos e de apoio são as principais. Porque mesmo as pessoas que se dispõe a ficar com um animal até que ele seja adotado, elas não tiram do bolso os recursos, a não ser com algumas exceções. Então precisamos medicar, dar de comer, abrigar e esterilizar, e tudo isso tem custo, embora contamos com o apoio incondicional dos veterinários Aline Campos Dias e George Kochhann, que nos auxiliam ao preço de custo e muitas vezes nem nos cobram. Vendemos camisetas, fizemos uma ação entre amigos, e assim vamos indo, devagar e sempre. Mas não sei até quando. Está difícil.

Como colaborar com a ONG?
Precisamos de mais pessoas voluntárias e as doações em dinheiro sempre são bem vindas. Os voluntários da ONG trabalham fora, tem suas famílias, e como são muito poucos, não temos como atender a todos. Se continuarmos nesse ritmo, infelizmente teremos que encerrar a ONG e retroceder. Vamos continuar auxiliando, como sempre fizemos, mas sem as cobranças de sermos uma ONG, pois as pessoas pensam que nós temos a obrigação de recolher os animais e bancar todo o custo. E quem teria o dever igualmente de implantar um sistema de controle populacional de animais, claro, juntamente com a parceria da ONG, também é o Município.

Quais as situações mais complicadas enfrentadas pela ONG? 

Para terem uma ideia, cito um exemplo prático dentre centenas: teve um caso de uma família que mantinha dois cães presos a uma corda no pátio de casa e no auge do inverno, eles não tinham abrigo, passavam frio e muita chuva. Houve denúncia e nós da ONG fomos várias vezes conversar e solicitar para que os proprietários colocassem casinha para os cães, porque aquela situação configurava maus tratos. No final da história, depois de muita conversa, eles decidiram doar os cães. Pois bem, na semana passada essa mesma família me ligou que teria aparecido uma cadela de porte grande no pátio da casa deles, e agora está prenha e me pediram que eu fosse imediatamente recolhê-la, caso contrário, iriam me processar por eu ter levado os cães (aqueles que estavam na chuva) ou 'largariam' a cadela em frente à minha casa. É bem complicado. As pessoas me ligam 24 horas por dia, citando exemplos de maus tratos, cães atropelados em que na maioria das vezes os donos nunca aparecem, entre outros casos.
É bem cômodo a pessoa pegar o telefone, ligar, e pedir para que a ONG recolha um animal que está em frente a sua casa, doente, atropelado, ou no frio, mas elas próprias fazem muito pouco ou quase nada para ajudar, em saber quem vai pagar as despesas, nos ajudar financeiramente, ou recolher esse animal até que um novo lar seja encontrado. É simples querer não ver mais um problema e passá-lo adiante sem nada fazer.



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