Sexta-feira, 28 de abril de 2017
Ano XXIX - Edição 1454
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O jovem médico fofoqueiro...

06/08/2012 - Por Marcos Salomão
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   Eles trabalhavam em uma pequena cidade do norte do estado de Santa Catarina. Médicos, enfermeiros e demais atendentes de um Posto de Saúde. Este posto é a referência para aquela pequena comunidade.
    Como eram dois médicos que atendiam naquele posto, quis o destino que surgisse uma pequena discórdia entre eles. O mais novo passou a não gostar do médico mais velho.
    Então, tudo que o médico mais velho prescrevia aos seus pacientes, o mais novo dizia que estava errado, e trocava o medicamento por um similar, mas com o mesmo princípio ativo.
    Mais do que interferir na carreira do outro, o médico mais novo resolveu espalhar pela pequena comunidade que o médico mais velho se envolvia sexualmente com pacientes e que representava um perigo à sociedade.
    A fofoca circulou, circulou, circulou e um dia chegou aos ouvidos do médico mais velho.
    Indignado resolveu processar o colega alegando o abalo moral sofrido perante a pequena comunidade catarinense.
    Em sua defesa o jovem médico fofoqueiro alegou que a acusação se baseia em ciúmes, já que é mais novo e tem uma posição sociocultural mais favorável que a do colega.  Acrescentou ainda que as fofocas e histórias são fruto de mal entendidos entre pacientes e funcionários do posto de saúde onde trabalhavam. Disse não saber de nada, como todo bom fofoqueiro...
    O juiz então passou a ouvir as testemunhas e ficou evidente que realmente existiam as fofocas e trocas de medicamentos. Condenou o jovem médico a pagar uma indenização de R$ 20 mil ao colega. Indignado, o fofoqueiro recorreu ao Tribunal de Justiça.
    Ao examinar o processo o desembargador Jairo Fernandes, relator da matéria, levou em consideração que os fatos ocorreram em uma pequena cidade do interior onde as informações se espalham de forma rápida e acabam afetando a imagem pública do indivíduo.     Justificou ainda que ambos exercem a medicina, profissão que tem como pilar fundamental a confiança na relação médico-paciente e que qualquer comentário direcionado a um profissional desta área tem um impacto negativo na sua carreira. Manteve a condenação, mas reduziu o valor para R$ 10 mil, pois não foi comprovada a extensão do dano causado na imagem do médico. (fonte: TJSC Apel. Cív. 2008079139-4)
    Agora, realmente é impressionante a capacidade de algumas pessoas em se preocupar com a vida alheia. Todos têm seu espaço. Todos têm direito a crescer. Para um crescer não é necessário que o outro seja destruído. Se a energia utilizada nas fofocas contra o colega fossem canalizadas para um melhor atendimento no próprio posto, com certeza a comunidade estaria muito mais feliz com este profissional, e o seu reconhecimento viria naturalmente como recompensa pelo seu trabalho.    Isso me lembra a história do homem que jogava pedaços de carvão em um lençol branco que secava no varal, por pura maldade. Quando acabou de jogar os pedaços de carvão olhou para si mesmo e percebeu que estava tão sujo quanto o lençol que ele tentava atingir...

Das minhas leituras da madrugada:
 Não faça aos outros o que não gostaria que fizessem a você...

Um ótimo fim de semana a todos...





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