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Considerações sobre a saúde pública em Três de Maio

11/11/2013 - Por Jornal Semanal
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*BERNARDO S. JOST
Manifesto  de maneira espontânea, sem constrangimentos, compromisso ou interesses, considerações sobre a saúde.
 Recentemente me submeti a uma cirurgia de catarata realizado pelo Dr. Matheus Eickhoff, a quem venho agradecer pela sua competência e dedicação profissional, desde o acolhimento até a realização dessa intervenção realizada com sucesso.
Éramos seis pacientes recebendo os preparativos para a cirurgia, entre nós uma senhora idosa e emocionalmente perturbada diante dos preparativos, um cidadão com 86 anos que fazia a segunda cirurgia para a recuperação total da visão e todos recebemos por parte do Médico anestesista e equipe de enfermagem um tratamento irrepreensível e até carinhoso deixando  todos tranquilos e manifesto minha gratidão. Reconhecer, também, ao Hospital São Vicente que oferece a sua estrutura e servidores desde a recepção e profissionais que ali trabalham, tornando-o cada vez mais uma referência regional.
Destaco a atuação do Prefeito Municipal Bel. Olívio José Casali que no comando da saúde do município está implementando melhorias dos PSFs e posto central onde profissionais e servidores se esforçam para atender dignamente a todos. Ressalto o PSF São Francisco do qual participo e recebo por parte da Dra. Luciana de Camargo uma competente dedicação profissional até me cobrando exames de rotina quando não os faço,  bem como a dedicação dos demais servidores que atuam  naquele local.
Acredito que a atuação do Senhor Prefeito esteja em sintonia com a política de saúde pública do Governo da União, que liberou verbas consideráveis para construção e reforma de hospitais e rede de atendimento em todo o país. O programa mais médicos contratará, até abril de 2014, mais 13 mil profissionais que atenderão um universo de mais 46 milhões de brasileiros que ainda  estão excluídos de  atendimento de saúde básica de qualidade e acessível a todos.
 Penso que meu caso não  seja isolado e relato outro instante, talvez o mais difícil da minha vida, quando no ano de 2007 fui atacado pelo mosquito da dengue, cheguei ao Hospital São Vicente em estado deplorável e sentido dores indescritíveis. A médica plantonista era a Dra. Carmem Wachter que prestou os primeiros socorros e encaminhou para UTI. Foram sete dias de diuturno sofrimento e providências da médica, enfermeiros e o Hospital ofereceu até veículo que se deslocava entre S. Rosa e Ijuí em busca de sangue e plaquetas quando necessárias. Durante todo o processo a Dra. Carmem foi incansável e competente e lhe atribuo participação decisiva na minha recuperação.
Durante mais de quarenta anos que minha família utilizou serviços da área de forma particular e asseguro que, numa família de seis pessoas (casal e quatro filhos), não foram poucas as consultas, exames, internações hospitalares, cirurgias e até complexos exames e acompanhamentos com medicina nuclear realizados, na época, somente  pelos hospitais da PUC e Moinhos de Vento em P. Alegre, dependendo sempre da agenda dessas instituições.
Constato que a maioria que faz comentários negativos sobre a saúde pública, jamais utilizou esses recursos e o desconhecem, por medo de ineficiência ou temor de não condizer com sua posição social.
Conheço diversas pessoas que fizeram transplantes de rins e fígado que certamente teriam morrido sem essa assistência prestada pelo SUS sem custo nem de transporte do paciente. Uma gama de procedimentos de alta complexidade e que seriam de custo inacessível para muitos brasileiros, são arcados pelo sistema, diminuem a dor salvando vidas.
Escutei a história de um cidadão que necessitava de uma prótese do fêmur e que teria dito que "não daria seu coro" para qualquer cirurgião de interior e iria realizá-la na Capital. O infausto acontecimento de rejeição da prótese o submeteu a fortes dores durante meses, apesar da medicação recebida. Posteriormente se obrigou a realizar a segunda cirurgia para reparar o acontecido. Minha esposa Marisa realizou a mesma cirurgia pelo SUS, há sete anos, e após dois dias teve alta hospitalar, vindo para casa, onde o conforto e acompanhamento familiar contribuíram para perfeita recuperação, obedecidas todas as prescrições e procedimentos recomendados pelo cirurgião. Hoje preciso lembrá-la, às vezes, de que é portadora de prótese de tão bem que ela se sente e nem parece que realizou esse procedimento. Risco cirúrgico existe em qualquer intervenção, grande ou pequena, no interior ou na capital.
É notório que existem falhas e necessidade de ampliação dos atendimentos, no entanto, devemos usar o SUS quando necessário e não fizer dos pontos de atendimento local de peregrinação. As cirurgias seletivas são demoradas porque a demanda é grande e a emergência não recusa ninguém. Todos os cidadãos devem se conscientizar do universo que depende do sistema, usá-lo com parcimônia, pois acredito que o relato que presto não é fato isolado e depende de nossa compreensão e paciência para atingir nossos objetivos.
Circulou a história do falecimento de uma ilustre personalidade que recebeu acolhimento de São Pedro que procurou deixá-lo à vontade. Começou mostrando as instalações chegando numa enorme sala, repleta de atendentes que, apesar do trabalho frenético não conseguiam atender a demanda. Adiante encontraram uma sala igual onde um sonolento atendente esboçava um preguiçoso cumprimento. Indignado o novo morador perguntou o que se fazia nessas salas. São Pedro respondeu que na primeira, utilizando os melhores sistemas de registro, eram processados os pedidos recebidos da terra e na segunda haviam preparado outra, mesmo tamanho e sistemas, destinadas a processar os agradecimentos recebidos da terra.
A razão de minhas considerações é que não pretendo ser apenas um pedinte, mas engrossar a fila dos agradecimentos.
*APOSENTADO



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