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ENVELHECIMENTO: conquista ou preocupação?

19/11/2013 - Por Jornal Semanal
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Lao-Tse Maria Bertoldo*

Podemos iniciar esta reflexão dizendo que o envelhecimento é uma conquista de nosso contexto, algo novo, pois enquanto fenômeno, não ocorria a décadas atrás. Entretanto indiscutivelmente, o envelhecimento ainda desperta preocupações de várias ordens, pois sendo algo novo, o envelhecer ainda é visto de forma geral com temores e desconfiança: quem é esse, no horizonte que se anuncia?
Esse desconhecido que sempre o é, chamado envelhecimento, possui este estatuto de estranhamento, pois cada um terá de atravessá-lo a sua maneira da forma que puder. Assim como qualquer outra fase da vida, envelhecer trata-se de uma experiência intransferível sobre a qual se tem alguma ideia, mas que de fato só se torna tangível quando está a ser vivenciada. 
Mas não é por isso, que devemos deixar para pensar o envelhecimento quando chegarmos próximos ao 60, idade cronológica  que marca a entrada na fase da velhice. Qual a alternativa então? o fato é que estudos com esta faixa da população, os idosos, mostram que quem vai durante a vida organizando-se para esta fase, tem maiores possibilidades de aproveitar sua velhice em todas as suas possibilidades. Quem soube se organizar para este momento, garante que são várias estas opções de qualidade de vida hoje para os idosos. Dentre estas possibilidade que vão desde ter mais tempo para aproveitar a vida, resgatar antigos projetos, realizar viagens, o que se destaca é um olhar diferenciado para as situações, mais amadurecido, menos ansioso.
Desta forma para pesarmos no que implica o envelhecer temos que toma-lo a partir de uma dimensão biopsicossocial. No aspecto biológico se farão presentes mudanças corporais que irão pouco a pouco se fazendo notar, como as rugas, os cabelos brancos, e certas perdas musculares, assim como o ritmo de funções vitais que não será mais o mesmo da juventude. Mudanças corporais irão ocorrer dependendo do material genético e indiscutivelmente da forma como cada um foi administrando seus recursos referentes a saúde. Velhice não é sinônimo de adoecimento, e não precisa ser, especialmente em um contexto onde se sofisticam os recursos relacionados à prevenção, diagnóstico e tratamento da saúde.
 No que se refere a esfera psicossocial  essa fase vai demandar uma reorganização do idoso frente as suas novas possibilidades. A mudança de um ofício no social, a busca de novas amizades, experiências, o crescimento e independência dos filhos, a chegada dos netos, e fundamentalmente, o deparar-se do idoso com um novo lugar no social, impõe que seja elaborado psicologicamente um novo olhar sobre si e sobre o mundo que o cerca. Se esta elaboração, que trata-se de um entendimento interno de cada sujeito, não ocorrer, podem vir adoecimentos psíquicos como a melancolia e a depressão, diminuindo muito a qualidade de vida que poderia ter o idoso.
 Portanto, a capacidade de recursos que cada idoso soube constituir ao longo da vida fará com que essa fase seja diferentemente vivenciada acerca de dimensões fisiológicas, psicológicas e sociais.  Desta forma, cada sujeito terá de se haver com os reflexos da construção de uma vida repleta de escolhas que compõe a sua história. Onde se estas puderem ser feitas de forma mais refletida e saudável, terão repercussões favoráveis no envelhecimento. Consequentemente, se tivemos um curso de vida marcado por traumas, descuidos, medos, na velhice isso irá se presentificar de algum modo. Ao contrário se sempre cuidamos de nossa saúde física e mental na velhice isso será fundamental para que se possa usufruir desta fase da melhor forma possível, representando um momento valioso da vida.
Com o progresso social e o incentivo à hábitos de vida saudável, hoje há cada vez um aumento do número de idosos satisfeitos e bem sucedidos na população, para que isso ocorra é portanto necessário que o sujeito tenha tido uma transição proveitosa nas fases anteriores de sua vida, para que no momento em que chegar na velhice esta seja mais um momento de aprendizagem. Afinal, os seres humanos são seres que jamais deixam de inscrever novas marcas em sua vida, experimentar de diferentes experiências, em qualquer idade. Neste sentido, infância, adolescência e adultez, as fases anteriores a velhice também trazem consigo tanto possibilidades quanto limitações, mas o equilíbrio e a justa reflexão entre o que é possível ou não, sempre é marcante para uma boa qualidade de vida em qualquer fase da vida.

*Psicóloga, Mestre em Educação e Professora 
do Curso de Psicologia da Setrem



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