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Política clientelista: viva a democracia!

06/08/2012 - Por Jornal Semanal
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João Ricardo P. Froes*


Há muito tempo venho observando os movimentos políticos do nosso país; incluo as esferas municipais, estaduais e federal. Quando falo em política em meus minúsculos discursos nos corredores da faculdade, nas "rodas" de chimarrão e com os sujeitos "desconhecidos" que estão (sentam-se ao meu lado) no ônibus que vou ao trabalho em um município vizinho, muitas ideias e opiniões divididas em relação à situação da política no país.
Atualmente não tenho vislumbrado a presença de um "bom" político nos discursos que se enunciam na mídia televisiva e outras. Não falo aqui em política partidária (neste momento não me interessa falar), mas sim numa política que abrange diversas dimensões sociais. Esta politização que descrevo se traduz na maneira hábil de agir, em astúcia e civilidade de um cidadão que orienta e conduz um determinado grupo social.
O nosso querido povo tem sido e se permitido enrolar-se por "políticos" falastrões. Como pode alguém vender um "bem" tão precioso como seu voto, quem o vende não têm mais o direito de exigir mais nada (afinal: negócio é negócio); política não é negócio de botequim. Quem vende seu voto é tão corrupto quanto o candidato comprador. Ouço de muitas pessoas afirmações bizarras sobre a compra de votos em todas as esferas eleitorais; é um dado alarmante! Maldita herança lusitana!
Vou além! A nossa política brasileira está voltando a ser novamente uma política de clientes, nem parece que rompemos com a patronagem da "República Café com Leite", do nacionalismo de "Vargas", com o patrimonialismo de JK, do insulamento burocrático e fisiologista da "ditadura militar"; aliás! Este clientelismo que não conseguimos combater desde o processo de independência do Brasil. Sempre tem alguém obtendo benefícios em maior grau.  Eleitores viraram clientes de candidatos políticos!
Os candidatos políticos se utilizam de mazelas sociais para obter benefícios. Setores públicos como saúde, segurança e educação deveriam de ser proibidos de serem colocados nos discursos e propagandas políticas! É obrigação do político eleito, nada mais que seu dever. Os políticos devem (aqui eu uso esta expressão, por que estão nos devendo bons projetos!) buscar construir projetos sociais pra melhorar o espaço em que representam. Conviver com o povo e não viver as espreitas das ruas e estabelecimentos!
Em conversa com alguns pré-candidatos a futuros vereadores de alguns municípios da região Noroeste do RS, percebi a fraqueza de vocabulário e conhecimento relacionados às questões que se propõem defender. Falam em renovação, que tipo de renovação? O que querem renovar?  Descrevem mudanças, mas que mudanças são estas? Quem são os beneficiários? Outros propõem defender a causa das mulheres! Mas que tipo de mulher? Que mulher é essa? Ninguém, ninguém, ninguém me deu uma resposta convincente e digna de voto!! É um absurdo de falácias por aí!
O mesmo povo que há muito tempo saiu às ruas, que lutou, que destituiu e elegeu candidatos hoje tem se afogado em discursos ortodoxos de maus políticos. O leão apaixonou-se pelo cordeiro! Da aristocracia à oligarquia a democracia! Ou vice-versa ou versa-vice... Digamos que as políticas governamentais e de estabilização poderiam buscar a incorporação da população à comunidade politica e construir relações politicas saudáveis com seus eleitorados.
Nunes (2007) retrata que "O Capitão Frederico Cristiano Buys, um dos participantes da Revolução de 30, na construção de uma nova ordem no Brasil iria requerer a canibalização de governantes e instituições anteriores:" "Vamos comê-los. Devemos ser rudes como verdadeiros canibais." A intenção de recomeçar tudo da estaca zero, eliminar o mau pela raiz, não surtiu efeitos satisfatórios, por que a velha "pelegaguem" (grifo meu) continuou infiltrada nas relações políticas. Viva a democracia!
O mesmo Brasil de 1930, de 1945, aquele da maldita ditadura de 1964, tal como o de 1984 que teve que enfrentar duros obstáculos de organismos internacionais e além do desafio de criar um sistema partidário robusto e representativo e um congresso sólido hoje se degenera para um povo cômodo, fraco e sem autoestima. Lamentável a moléstia do nosso povão! "O Brasil moderno teria de ser um país industrial. Mas teria também de ser um país onde reinasse a justiça publica, conforme o sonho dos tenentes de 30, da UDN por um curto período e dos militares e tecnocratas desenvolvimentistas da década de 50". (Nunes, 1997). Somos um país industrial atualmente (conseguimos), mas assim como os grandes impérios Gregos e Romanos, estamos descaindo em questões de virtudes morais e corremos o risco de tornarmos um país "bárbaro", isto é, país de corruptos (não estamos longe conforme enunciam algumas pesquisas internacionais).
  Sem mais "rodeios" vou finalizando com algumas palavras do sábio filósofo grego Aristóteles (384-322 a.C.): "Para que uma cidade seja feliz, é preciso que ela seja grande; mas se isso é verdade então não se sabe o que é que faz uma cidade grande ou pequena...". Caro leitor defina o que é pra você uma cidade feliz?
Aristóteles conheceu o povo, por que viveu com ele. "Em tempo de guerra os cidadãos pobres demonstram pouco ardor pela defesa do país, se a subsistência não é garantida e eles são abandonados à miséria; mas se lhes forem fornecidos víveres, eles não desejarão outra coisa que não expor-se ao perigo." Queridos candidatos eis o desafio! Alimentem a esperança do nosso povo, não com falsas promessas e dinheiro, mas sim com trabalho e honestidade!

* Licenciando em Pedagogia/Setrem e Secretário DACAF - 8° Semestre/2012




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