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Dez anos sem o velho

14/01/2014 - Por Jornal Semanal
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Gustavo Griebler*

Escrevemos para ti em dezembro de 2008, após cinco anos de teu falecimento. Deves se lembrar. De lá para cá, muitas coisas aconteceram. Vou começar por uma das coisas que tu mais me incomodavas: o Inter. Acredito que o nome do time nunca foi mais internacional do que neste período. Ganhamos tudo e começamos a ganhar tudo de novo, como a Libertadores em 2010. Esqueçamos o jogo do mundial. O Inter não foi pros Emirados naquele campeonato. E deste ano é melhor nem comentar muito, pois seria zoado por ti. Dinheiro demais às vezes pode ser um problema.
Entrei em um mestrado e concluí o mesmo. Eu sei que de repente tu deves estar pulando de raiva onde quer que tu estejas pela escolha de minha profissão. Mas não adianta, eu gosto disso, ser professor e fazer pesquisas me completa. Poderia ter escolhido algo que desse muito mais dinheiro como tu querias e acredito que todos os pais querem isso para os seus filhos. Mas ser médico não me faria feliz. Na verdade, quem busca a docência abre mão, neste País, de ganhar dinheiro. Não conheço professores ricos no Brasil.
Teus ex-alunos continuam a lembrar de ti. Seguidamente falam de ti para mim. Estou chegando ao ponto de dar aula para teus ex-alunos. Isso me deixa feliz, pois a missão não parou. A Gabriela entrou para Educação Física e já trabalha. E a mãe se aposentou. Mas creio que ela está trabalhando mais do que antes, porque não consegue ficar quieta.
Da outra vez que te escrevi falei em cabelos brancos. Achava que somente com cabelos brancos iria começar a escrever para ti lembrando de tua perda. Este dia, por mais traumático que possa parecer, chegou cedo. Nem cheguei nos 30 e já despontam vários brancos na cabeça que nem encaro direito. Foco nos negros. Vou acreditar na ideia do charme que o grisalho proporciona e pronto. Para perder os cabelos, entretanto, não estou preparado ainda. Isso será mais traumático ainda.
Dez anos é muita coisa para quem somente passou 16 contigo. Mas tenho aprendido que algumas coisas quando são para acontecer vão acontecer. Muitas vezes o caminho traçado não pode ser modificado. Um forte abraço meu, da mãe e da Gabriela, mestre!

*Mestre em Educação nas Ciências.
Professor de Ensino Superior da Setrem.



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