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A importância da doença cardiovascular

31/01/2014 - Por Jornal Semanal
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A doença cardiovascular representa hoje no Brasil a maior causa de mortes - o número estimado de portadores de Diabetes e de Hipertensão é de 23.000.000; cerca de 1.700.000 pessoas têm doença renal crônica (DRC), sendo o diabetes e a hipertensão responsáveis por 62,1% do diagnóstico primário dos pacientes submetidos à diálise. Essas taxas tendem a crescer nos próximos anos, não só pelo crescimento e envelhecimento da população, mas, sobretudo, pela persistência de hábitos inadequados de alimentação e atividade física, além do tabagismo. As doenças cardiovasculares estão em declínio, provavelmente como resultado dos esforços para o controle do fumo e da melhoria do acesso aos cuidados primários; infelizmente, o aumento das taxas de obesidade, diabetes e hipertensão está ameaçando esse progresso. A mortalidade proporcional causada pelas doenças cardiovasculares cresce progressivamente com a elevação da faixa etária, representando o significante percentual de 15,3% dos óbitos de adultos jovens entre os 20 e 49 anos de idade, embora a faixa com 50 anos ou mais de idade, seja primordialmente atingida (na faixa etária da população de 50 anos e mais esta taxa sobe para 2.554,7 óbitos por 100.000 habitantes).

A importância do gênero
Por volta dos quarenta anos de idade a mulher apresenta menor risco de desenvolver doença arterial coronária em relação aos homens, estes têm chances de 49% enquanto elas em torno de 32%. O primeiro evento ocorre por volta dos 70 anos de idade nelas, e em torno de 65 anos nos homens. Porém, esse aumento se processa temporalmente de maneira distinta, um aumento acentuado com o avançar da idade em mulheres diminui a diferença de incidência entre os dois sexos. Os fatores de risco têm impactos semelhantes na população em geral, sendo maior nas mulheres a presença de hipertensão arterial sistêmica e diabetes. Por outro lado elas se beneficiam da prática de atividade física e do menor consumo de bebidas alcoólicas. Após a menopausa há uma tendência ao aumento de ocorrência de hipertensão, sendo que em torno dos 75 anos a ocorrência em mulheres é disparada em relação aos homens, cerca de 80% das mulheres desenvolvem hipertensão nessa fase; o aumento de prevalência com o decorrer da idade em mulheres contribui com uma parcela significativa dos eventos cardiovasculares e cerca de quase metade dos casos de infartos não diagnosticados.

A importância do estresse
Existem pesquisas que mostram que estresse afeta o organismo e produz alterações celulares que podem aumentar a incidência de doenças. A maioria dos estudos relaciona o estresse à hipertensão e às doenças do coração. Dados convincentes sugerem que o medo crônico, a ansiedade, a solidão e a depressão podem ser letais para pessoas com cardiopatia. Em um estudo de seis anos, que envolveu pessoas acima de 65 anos, inicialmente sem doenças do coração, pesquisadores descobriram que aqueles que apresentavam sintomas de depressão tinha 40% mais chances de desenvolver doenças do coração. Coração partido (do inglês broken heart) é uma metáfora comum usada para descrever a intensa dor psicológica ou sofrimento que a pessoa sente depois de perder um amado, por morte, divórcio, fim de relacionamento, separação, traição ou amor não correspondido; está normalmente associado com a perda de um cônjuge ou parceiro romântico, embora a perda de pais, filhos, animais de estimação ou amigo íntimo também "pode quebrar o coração" de alguém, sendo o sentimento frequente durante fases de luto e pesar. A frase refere-se à dor física que pode ser sentida no peito como resultado da perda, embora também, por extensão, inclua o trauma emocional, mesmo que não seja acompanhado de dor somática. Embora a dor do "coração partido" não implique normalmente um defeito físico no coração, existe uma patologia conhecida como "cardiomiopatia Takotsubo" ou Síndrome do Coração Partido, onde um incidente traumatizante desencadeia no cérebro a distribuição de substâncias químicas que enfraquece o tecido do coração, produzindo um quadro grave de ataque cardíaco com aumento do risco de morte.

A importância dos fatores de risco
Fatores de risco são condições que predispõem uma pessoa a um maior risco de desenvolver doenças do coração e dos vasos; existem diversos fatores de risco para doenças cardiovasculares, os quais podem ser divididos em imutáveis e mutáveis.

Fatores imutáveis

São aqueles que não podemos mudar e por isso não passiveis de intervencao. São eles:
Hereditários:
Os filhos de pessoas com doenças cardiovasculares tem uma maior propensão para desenvolverem doenças desse grupo. Afrodescendentes são mais propensos à hipertensão arterial e neles ela costuma ter um curso mais severo.
Idade:
Quatro entre cincos pessoas acometidas de doenças cardiovasculares estão acima dos 65 anos
Sexo:
Os homens têm maiores chances de ter um ataque cardíaco e os seus ataques ocorrem numa faixa etária menor. Mesmo depois da menopausa, quando a taxa das mulheres aumenta, ela nunca é tão elevada como a dos homens.

Fatores mutáveis
São os fatores sobre os quais podemos influir, com medidas preventivas ou terapêuticas.
Fumo:
O risco de um ataque cardíaco num fumante é duas vezes maior do que num não fumante. O fumante de cigarros tem chances duas a quatro vezes maiores de morte súbita do que um não fumante. Os fumantes passivos também tem o risco de um ataque cardíaco aumentado.
Colesterol elevado:
Os riscos de doença do coração aumentam na medida em que os níveis de colesterol estão mais elevados no sangue. Junto a outros fatores de risco como pressão arterial elevada e fumo esse risco é ainda maior. Esse fator de risco é agravado pela idade, sexo e dieta.
Pressão arterial elevada:
Para manter a pressão elevada, o coração realiza um trabalho maior, com isso ocorre hipertrofia do músculo cardíaco, que se dilata e fica mais fraco com o tempo, aumentando os riscos de um ataque. A elevação da pressão também aumenta o risco de um acidente vascular cerebral (derrame), de lesão nos rins e de insuficiência cardíaca.
Vida sedentária:
A falta de atividade física é outro fator de risco para doença das coronárias. Exercícios físicos regulares, moderados a vigorosos tem um importante papel em evitar doenças cardiovasculares. Mesmo os exercícios moderados, desde que feitos com regularidade são benéficos. A atividade física também previne a obesidade, a hipertensão, o diabete e abaixa o colesterol.
Obesidade:
O excesso de peso tem uma maior probabilidade de provocar um acidente vascular cerebral ou doença cardíaca, mesmo na ausência de outros fatores de risco. A obesidade exige um maior esforço do coração além de estar relacionada com doença das coronárias, pressão alta, colesterol elevado e diabete. Diminuir de 5 a 10 quilos no peso já reduz o risco de doença cardiovascular.
Diabete melito:
O diabete é um sério fator de risco para doença cardiovascular. Mesmo se o açúcar no sangue estiver sob controle, o diabete aumenta significativamente o risco de doença cardiovascular e cerebral. Dois terços das pessoas com diabete morrem das complicações cardíacas ou cerebrais provocadas. Na presença do diabete, os outros fatores de risco se tornam mais significativos e ameaçadores.

Importância da atividade física
Foram publicadas as novas diretrizes da Associação Americana do Coração demonstrando o indiscutível benefício da atividade física na prevenção e tratamento da doença cardiovascular. O texto esclarece as indiscutíveis evidências dos benefícios da atividade física aeróbica feita regularmente. A ênfase agora é para que o médico oriente e não apenas recomende a atividade física para seu paciente. Além de prevenir o desenvolvimento da doença arterial coronária (angina e infarto) e reduzir os sintomas se essas doenças já estão estabelecidas, também ficaram demonstradas redução de outras doenças crônicas: diabetes tipo II, osteoporose, obesidade, depressão e câncer de mama e do colo. Pacientes portadores de doença cardíaca deverão passar por avaliação cardiológica. Também deverão passar por avaliação quem tiver mais de 35 anos; quem tiver parentes próximos com problemas cardiovasculares, portadores de fatores de risco, indivíduos sedentários e que nunca praticaram exercícios intensos e na presença der algum sintoma clínico não habitual e suspeito.

OS DEZ MANDAMENTOS:

1 - Diga não à obesidade e controle o seu peso
2 - Consulte o seu médico periodicamente
3 - Meça a sua pressão arterial com frequência
4 - Diga não ao fumo
5 - Verifique a quantidade de sal nos rótulos dos alimentos
6 - Diga não ao sedentarismo. Pratique esportes
7 - Escolha bem os alimentos
8 - Saiba se é diabético e se tem colesterol alto
9 - Evite o estresse
10 - Ame a vida e o seu coração

Dr. Eduardo Fialho Roman
Médico cardiologista
CRMRS 17590



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