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Poupar, uma questão de cultura e valores

17/02/2014 - Por Jornal Semanal
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Assim como a Economia, nossas finanças também se movem em ondas - poucas pessoas conseguem ter estabilidade financeira por muito tempo. Por isso, é preciso ser previdente e saber que, como dizem os americanos, "shit happens!" - problemas acontecem. Manter uma poupança, previdência ou qualquer tipo de reserva financeira é de suma importância, porém é uma questão comportamental, cultural. A falta de uma base, de começar a prática de poupar desde criança, interfere na responsabilidade dos adultos quanto aos seus gastos. Costumamos recomendar uma reserva de pelo menos seis meses de salário (ou renda) para fazer face a eventualidades adversas, como a perda do emprego.

O sacrifício de consumo no presente para usufruto de algo maior no futuro é uma medida inteligente, que demonstra maturidade e confiança na própria vida, na longevidade. A atitude de quem gasta tudo o que ganha é comparável às formas mais cruas de vício. Para essas pessoas, o prazer imediato é mais importante. A atitude acabou se tornando alvo de amplos estudos em Economia que refletem a decisão das pessoas em viver somente o presente ou viver o presente olhando para o futuro.

O consumismo, a sofisticação no vestir, no comer, no viajar etc., tem corroído as finanças das pessoas desnecessariamente. A pessoa realmente elegante, bem educada, tem um guarda-roupas com poucas peças, bem escolhidas, clássicas, de bom gosto e repete roupas sem o menor problema. Pessoas inseguras, novos ricos e vaidosos têm guarda-roupas abarrotados e nunca sabem o que vestir. Ou, olham para o armário cheio e dizem: "Não tem nada para eu vestir! Preciso comprar roupas!"

Por que, por exemplo, comprar um vinho de R$ 100,00 quando você pode beber vinhos muito bons a R$ 30,00? Os de R$ 100,00 são melhores? Sim, são melhores (ligeiramente), mas testes às cegas (blind tests) já enganaram muitos entendidos. Não faz muito sentido o sujeito beber vinhos de primeira linha toda semana e morar em casa alugada.

É preciso conhecer a sua realidade financeira e procurar viver a vida em um padrão compatível com o seu bolso. As pessoas precisam ser mais modestas e pensar que poderiam estar vivendo com uma renda menor - aliás, para falar a verdade, já devem ter tido uma renda menor e viveram bem com ela. Da mesma forma, por exemplo, é preciso ter criatividade, desenvolver um lazer mais barato, dedicação para pesquisar preços mais baixos, inteligência para fazer substituições econômicas e integridade para assumir perante família e amigos um orçamento mais condigno.

Mas, uma coisa é extremamente importante distinguir: as despesas dos investimentos. As despesas proporcionam retornos de curtíssimo prazo, enquanto os investimentos sempre carregam consigo a perspectiva de retornos de longo prazo. Pessoas conscientes direcionam seus gastos muito mais para investimentos do que para despesas, muito mais para momentos importantes com a família do que para gastos sem muito sentido de utilidade durável.

Enfim, o gasto pessoal é uma questão de estilo, educação e consciência - coisas que você tem ou simplesmente não tem. E outra coisa: ninguém é mais feliz por consumir coisas melhores, mais sofisticadas ou mais caras. A felicidade também está nas pequenas coisas que nos dão prazer, aquelas desfrutadas sem que seja necessário pagar mais caro.

Se você gasta tudo o que ganha, ou até mais do que isso, então está na hora de repensar seus valores.

Giuliano Barbato Wolf é CEO da
Advanced Design in Management S.A.



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