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Banheiros de estrada

07/03/2014 - Por Jornal Semanal
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*Gustavo Griebler

Quem viaja via terrestre inevitavelmente tem de parar para fazer suas necessidades fisiológicas, especialmente em postos de combustíveis. Com alguma quilometragem por este Brasil afora, além de Argentina, Paraguai, Uruguai e Chile, tenho reparado nos banheiros de estrada.

Sujos, limpos, molhados, secos, excrementos no vaso sanitário, com quase todos os mictórios interditados, com ou sem papel e sabonete, lotado, vazio, cheiroso ou não. Torneiras automáticas, de abrir, de bater. Descargas não funcionando. Descargas funcionando a toda. O antigo se confunde com o novo e o contemporâneo em questão de poucos quilômetros.

Já ouvi falar também da questão que define se um restaurante é bom vê-se pela limpeza do banheiro. Faz sentido. Mas existem exceções. Em um restaurante o banheiro era sujo, mas o sanduíche era bom. Um dos grandes problemas é quando você quer fazer o número 2 e não há tampa no vaso. Ou então papel. Sabonete então. Artigo de luxo em muitos locais. Em alguns banheiros a sujeira é tanta que você desiste de utilizá-lo e mesmo apertado segura para a próxima parada ou vai no ônibus mesmo. 

Há banheiros em que o funcionário te olha torto por você não dar a gorjeta dele depois de ter usado o mesmo. Mas o pior mesmo é você esquecer alguma coisa no banheiro, seja um fio dental, um creme dental, ou outro item, e somente dar-se conta muito tempo e quilômetros depois. Há banheiros que inclusive televisão têm, de tão modernos que são.

Deparei-me em um banheiro, certa feita, com um dizer que inclusive rendeu foto: "Não usar o banheiro pois estar emtupido". Puxa vida. Meu eu crítico de português retorceu-se com essa. Em outro, não propriamente um erro de português, mas a identificação de homens e mulheres era por feios e lindas. Tudo bem, entrei no dos feios e encontrei uma penca de colegas feios lá dentro.

Abro um parênteses para falar de outro item de fundamental importância nas viagens terrestres que são as lancherias e restaurantes. Lembro de uma vez que paramos em um lugar no meio do nada, em uma pequena cidade próxima a Bagé. Estava com fome. O pastel tinha uma cara bonita. Comprei um. No entanto, ao morder o mesmo a surpresa. Estava gelado. Parecia que tinham retirado do freezer. Mas fui em frente, estava com fome. Até hoje não passei mal, o que indica duas coisas: meu estômago é forte ou o pastel não estava estragado.

Fui  perguntar a uma mulher que viajou junto comigo o que ela teria a dizer do banheiro feminino, até para ter uma outra opinião e saber o que se passa no outro lado também. Ela disse que têm alguns bons, mas em geral são sujos e sem papel higiênico. Fiquei imaginando que para a mulher isso é o fim, enquanto a maioria dos homens nem bola dão para isso. Fazem suas necessidades e vão embora, muitas vezes nem se dando ao luxo de reparar nas coisas como eu fiz. 

* A visão é do banheiro masculino, até porque naturalmente foi esse que frequentei.

*Mestre em Educação nas Ciências.
 Professor Substituto do Instituto Federal Farroupilha.
Professor de Ensino Superior da SETREM



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