Quinta-feira, 19 de outubro de 2017
Ano XXIX - Edição 1479
(55) 3535-1033
jsemanal@jsemanal.com.br
diagramacao@jsemanal.com.br

Produtores rurais ainda sentem os reflexos da seca que se somam aos danos da geada

17/08/2012 - Por Jornal Semanal
Tweet Compartilhar
O produtor rural sempre está à mercê das condições climáticas para cultivar os alimentos. Nas culturas de verão a seca é temida e no inverno, a geada. Parece que o tempo sempre está contrário a agricultura. Nestas horas, os sindicatos dos trabalhadores rurais se tornam um importante aliado da classe para buscar auxílios contra as adversidades climáticas.

O reflexo da seca
Com a seca 2011-2012 e a baixa produtividade das lavouras, os poucos produtores que plantam milho e soja para utilizar o grão como semente da próxima safra, não conseguiram guardá-la nesta safra. "Consegui guardar só um pouco, menos que ano passado, porque o grão é de má qualidade, tenho ainda que fazer o teste para ver se vai nascer. Se não tenho que comprar", conta o agricultor Arcenio Retore.
Já a maioria depende da aquisição no comércio. E se por um lado o valor maior pago pela soja ajudou a recuperar um pouco as perdas, agora na hora de comprar a semente, este peso é sentido no orçamento. "A semente de soja está toda encomendada para a próxima safra, mas está muito cara. Paguei R$ 2,40 kg, sendo que na safra passada o preço era 1,20", ressalta o produtor Airton Huneimeier, de Vila Manchinha.
Segundo os comerciantes de sementes, a maioria dos produtores rurais fizeram como Retore, antecipando a compra e alcançando um preço menor. A procura no momento não é grande, já que o pico foi nos meses de junho e julho.
Com o milho não foi diferente, o preço no comércio alterna de acordo com a variedade da semente, ficando entre R$ 90,00 a R$ 600,00 a cada 60 mil sementes. Para muitos agricultores os sindicatos dos trabalhados rurais entram com a importante missão de intermediar a compra de sementes, disponibilizadas todo ano pelo programa Troca-Troca de sementes do governo federal com preço 40% menor para os agricultores familiares, garantindo um custo mais baixo para produção.

Venda antecipada de soja
As vendas da próxima safra de soja são incentivadas pela expectativa de uma colheita maior e pela alta cotação do grão no cenário internacional. Segundo a Federação das Cooperativas Agropecuárias do Estado, 20% da safra que ainda será plantada no final do ano já foi comercializada. As vendas são feitas na Bolsa de Valores do Brasil, mas o preço sofre influência direta da Bolsa de Chicago, nos Estados Unidos.
Mauro do Rosário, gerente comercial da Cotrimaio, orienta que o produtor deve travar o seu custo de produção e comercializar antecipadamente somente até 40% da produção, não mais.

O reflexo da geada
 Para as culturas de inverno, a geada muitas vezes é prejudicial.  E neste  ano atingiu o Rio Grande do Sul de forma mais intensa no início de julho e os primeiros registros ainda em maio. A intempérie prejudicou o desenvolvimento de muitas plantas, principalmente as hortaliças.
Um dos reflexos da geada pode ser sentido pelos produtores de mandioca, que tiveram perda significativa de ramas, material reprodutivo para o próximo plantio. Muitos agricultores ficaram sem mudas por não terem armazenado-as em tempo hábil. Em Três de Maio, novamente o Sindicato dos Trabalhadores Rurais pode proporcionar a compra de ramas, que segundo Nestor Glinke de Vila Manchinha, é difícil de conseguir a não ser cultivando sua própria rama. "Depois da geada, a mandioca brota, mas demora, então peguei para ter mandioca ainda neste ano".
Segundo Nestor ele pagou R$ 16,00 o feixe de 250 mudas. A plantação garantirá a venda da mandioca e de produtos fabricados com a raiz na feira municipal e para consumo próprio.
Anísia Trevisan de Nossa senhora do Carmo, interior de Três de Maio, também cultiva mandioca, no caso, para consumo próprio. Ela conta que a perda da produção de dois mil pés foi com a geada do início de julho que atingiu fortemente a região. "A rama se desenvolveu quase que normal, não tão bem devido à seca, o que atrasou a maturação dela, por isso que o agricultor não conseguiu guardá-la, porque era muito verde. E se a rama for guardada verde acaba secando e por isso muita gente ficou sem, pois ela morre. E quando veio a geada matou aquela que ainda estava plantada", explicou Anísia.

Entidade se firma como importante aliada do agricultor
No frio ou na seca, o Sindicato dos Trabalhadores Rurais é um aliado importante ao agricultor. "É função do sindicato como entidade representativa de classe dos agricultores ir em busca de   auxílio, no caso da seca e da geada, como outros. No caso das ramas se não fosse o sindicato, muitos agricultores ficariam sem mudas. Em relação as dívidas e subsídios é o sindicato que vai reivindicar os auxílios através da federação. Nós sempre antecipamos as necessidades dos produtores e ficamos preparados nestes casos", esclarece Pedrinho Signori, Presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Três de Maio e São José do Inhacorá.

Mais 2.500 sacas de milho estão sendo entregues pelo Programa Troca-Troca por meio do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Três de Maio e São José do Inhacorá para ambos os municípios.




Indicar a
um Amigo

Comentários

Deixe a sua opinião

Veja Também

29/09/2017   |
29/09/2017   |
15/09/2017   |
08/09/2017   |
01/09/2017   |
01/09/2017   |




Todos os direitos reservados - Jornal Semanal - Três de Maio - RS