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Mulheres em quadra: equipes da região buscam seu espaço

28/03/2014 - Por Jornal Semanal
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Esporte da bola pesada, do passe rápido e de contato físico constante, o futsal exige muito dos atletas e é amplamente praticado no Rio Grande do Sul e em todo o país, principalmente pelos homens, porém, alguns times femininos vêm conquistando o seu espaço neste esporte e se organizando cada vez mais, formando equipes competitivas.

Na região de Três de Maio há bons exemplos de equipes femininas que têm vontade de jogar e, para isso, buscam participar de todas as competições possíveis, obtendo mais experiência e organização com o passar do tempo. Campeonatos organizados pelos municípios da região são as principais competições onde essas equipes atuam.

É verdade que, na maioria dos campeonatos, a categoria livre masculino sempre é vista como a principal, pois é lá que se concentra o maior número de times, com as outras categorias (juvenil, feminino, veterano etc.) sendo disputadas paralelamente, sempre com um número menor de competidores. Mesmo assim, a existência de equipes de mulheres na região é um grande incentivo para que mais meninas se interessem pelo esporte e para que, no futuro, os campeonatos locais possam ter mais equipes. 

Assim, dando sequëncia a série de reportagem sobre mulheres, nesta e na próxima edição daremos destaque para a atuação de meninas e mulheres da região na área do esporte. Hoje o destaque é para aquelas que estão se destacando no futsal. Na próxima semana, falaremos sobre as mulheres nas artes marciais e atletismo.


As mulheres de Três de Maio no futsal

Fundada em 2013, com a fusão dos times da Proambi e Equipedaço do Km 6, a ASF/Três de Maio é uma das atuais referências no futsal feminino da região. Com uma equipe qualificada, o time, formado em sua maioria por atletas residentes em Três de Maio, já participou de dois campeonatos municipais neste ano, em Independência e Boa Vista do Buricá, levando o título nas duas ocasiões. 

Técnico da Equipedaço convidado pelas meninas a assumir o comando da nova equipe no começo de 2014, Fabio Marmitt destaca o desempenho das atletas nas duas competições do ano, mas diz que os custos com transporte limitam a participação do time em outros campeonatos: "Mais pro final do mês deve começar o regional de futsal em São José do Inhacorá e também na cidade de São Martinho. Há outras cidades como Santo Augusto e Ijuí, mas a distância torna inviável a participação devido a gastos com transporte". Atualmente a ASF disputa o Campeonato de Verão de Três de Maio, junto com as equipes de Boa Vista do Buricá, São José do Inhacorá e Fênix, também de Três de Maio.  


ASF/Três de Maio já ganhou dois títulos neste ano


Em  Boa Vista do Buricá

A realização de competições municipais e regionais também serve de incentivo para instigar o interesse na formação de novas equipes, como aconteceu com as meninas de Boa Vista do Buricá, integrantes da equipe CMD Boa Vista, formada há cerca de quatro meses, com a união de times da cidade que praticavam o esporte como hobby. "Com a realização de campeonatos municipais e regionais que incluíam a categoria feminina e a vontade de ter um time atuante que levasse o nome do município, iniciaram-se os treinos e a formação da equipe", diz a técnica do time de Boa Vista, Marcele (Celi) Kerbes.

Apesar de formada recentemente, a equipe boavistense conta com uma base que vinha jogando há cerca de três anos, o que prova que o gosto pelo futsal não vem de hoje, porém, isso também não significa que as meninas estejam satisfeitas com o número de praticantes de futebol de salão entre as mulheres, reconhecendo que, para difundir o futsal feminino e aumentar o nível das competições pela região, é necessário que exista mais incentivo e participação.


Equipe CMD Boa Vista, de Boa Vista do Buricá


Em São José do Inhacorá

Também formado recentemente (abril de 2013), o time da Associação de Futsal de São José do Inhacorá (AFSJI), reuniu meninas que já jogavam juntas para criar uma versão feminina da Associação de São José, que representava o Município apenas com um time masculino.

Segundo a atleta da AFSJI, Andréia Griebler, a equipe que representa São José está inserida em uma realidade onde o futsal feminino ainda carece de apoio e incentivo, mas está melhor do que nos anos anteriores: "O futsal, anos atrás, era visto como uma modalidade masculina e hoje esta cultura está sendo superada. Órgãos públicos, particulares e a população em geral estão incentivando o futsal feminino, a própria mídia está direcionando um enfoque maior para que as mulheres sintam-se motivadas a praticar o futsal como benefício físico e mental, bem estar pessoal e, porque não dizer, como forma de independência financeira, uma carreira profissional". 

  
ASFJI representa São José do Inhacorá


Apoio financeiro

Muitos reclamam da falta de incentivo ao esporte de modo geral, mesmo que seja para times formados por homens. No entanto, essa realidade pode ser ainda mais difícil quando envolve competições com mulheres, pelo fato de não haver tantas equipes competitivas e menos acompanhamento da mídia.

Considerando o pouco número de times de mulheres, para se manter em atividade, as equipes da região não têm escolha a não ser viajar para as cidades vizinhas para jogar com outros times, e isso envolve custos com transporte, que se somam às despesas com fardamento, alimentação etc.  

Por estar ligada ao Poder Público, a equipe de São José tem na Prefeitura uma grande fonte de apoio: "Sendo a AFSJI uma entidade jurídica com a finalidade de desenvolver o futsal e divulgar o nome do Município, contamos com o apoio do Poder Público, que nos repassa um valor em dinheiro para viabilizar as atividades da entidade. Este valor é repassado mediante plano de trabalho apresentado pela Associação Futsal e também previsto no orçamento anual do Município. No final de cada exercício, a Associação presta contas em relação aos investimentos e despesas realizadas com a verba do repasse", comenta Andréia Griebler, da equipe de São José.

 No entanto, o repasse da Prefeitura é apenas uma parcela do que o time necessita para viabilizar suas atividades, sendo que os demais recursos são buscados junto a empresas, rifas, eventos, etc. Outro time apoiado pelo Poder Público é o de Boa Vista, que custeia o transporte, inscrições em campeonatos e uniformes com auxílio da Secretaria Municipal de Esportes. Antes, todas as despesas eram repartidas entre as jogadoras. 

Segundo o técnico da ASF/Três de Maio, Fabio Marmitt, o time teve diferentes apoiadores ao longo deste ano, além da cedência do ginásio municipal pela Prefeitura  para treinos, mas a equipe ainda pretende elaborar projeto para  apoio contínuo.
 

Um time sem média de idade

A bola e as regras do jogo são as mesmas, porém, há mais diferenças entre o futebol/futsal feminino e masculino do que simplesmente a divisão entre homens e mulheres. Basta ir a qualquer campeonato municipal para ver o que acontece.

Entre os homens, existem as categorias juvenil (onde geralmente há atletas de 16 a 18 anos), livre (18 a 30 anos, podendo haver ainda atletas mais velhos ou alguns mais jovens) e veteranos (atletas na casa dos 30 em diante). Entretanto, não é assim com as mulheres. É verdade que, pelo fato de haver poucas praticantes, as atletas não têm muita escolha a não ser jogarem juntas, independente da idade, mas, realmente, a diferença física que separa as categorias masculinas é menor no caso das mulheres, o que permite uma maior integração entre as meninas de diferentes idades.

A ASF/Três de Maio é um bom exemplo disso. Atualmente integram a equipe as atletas Jennifer Felten (ala/pivô), 15 anos, e a goleira Idalina Corrent, 43. Jogando pelo Botafogo de Três de Maio, Jennifer se destacou a ponto de, em 2013, ter sido convocada para a Seleção Brasileira de Futebol Feminino sub-17.  


Nena é a goleira da ASF/Três de Maio


Jennifer comemora gol marcado na final em Independência

Praticante também de vôlei, handebol e tênis, Jennifer é integrante da ASF há alguns meses, tendo sido convidada pela colega de equipe Kátia Camargo. Saber que está fazendo algo bom para a saúde e ao mesmo tempo se sentir bem fazendo algo que gosta são as justificativas de Jennifer para o seu comprometimento com o esporte.
Morar fora de Três de Maio não impede que a goleira Idalina Corrent (mais conhecida como Nena)  seja uma das referências do time de ASF. Aos 43 anos, ela joga no mesmo nível que suas companheiras e, frequentemente, encerra os campeonatos como a menos vazada entre as defensoras das equipes - de seis competições jogadas no ano passado pelo time de Três de Maio em 2013, em cinco ocasiões a equipe foi a que menos levou gols.

Praticante de futsal desde o tempo em que era estudante e participava dos jogos Sol a Sol, Nena tem no time de Três de Maio uma oportunidade de jogar sem ter que se envolver com a organização de uma equipe de Santa Rosa, o que daria muito trabalho, considerando que, segundo ela, apesar de existir jogadoras na sua cidade, a falta de incentivo torna inviável a formação de um time. "Isso é muito bom pra mim, me faz muito bem", diz Nena sobre a prática do futsal, que lhe permite sair da rotina de trabalho e fazer uma atividade que lhe proporciona um grande bem para a saúde. "Agradeço às meninas de Três de Maio pelo convite que sempre me fazem, pois, se não fosse por elas, eu não estaria jogando, e quero fazer um agradecimento especial ao meu esposo, Marino, que sempre me incentivou e deu apoio", finaliza a atleta.





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