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Ana Paula: Um passo de cada vez

04/04/2014 - Por Jornal Semanal
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Transpondo barreiras

Contrariando todos os diagnósticos negativos a respeito de sua recuperação, Ana Paula Soares de Almeida, acometida por uma doença rara, romboencefalite criptogênica, no dia fatídico de 31 de agosto de 2012, está provando ser um milagre de vida. Persistente, a jovem de 22 anos, que conta com o apoio incondicional dos pais, bem como da família, amigos e profissionais que a auxiliam a vencer as dificuldades diárias, fica com a parte mais difícil para ela: romper barreiras, transpor limites e voltar a ser a Ana Paula de antes, claro que em razão de tudo o que está vivendo, em uma versão melhorada de si mesma.

De volta aos primeiros passos

Esperando sua mãe preparar seu café da manhã, Ana Paula assistia ao programa Mais Você, quando apareceu uma reportagem de um pai que havia feito um simulador elétrico de caminhada para seu filho voltar a andar. "Me chamou a atenção e gritei para minha mãe, nós gostamos da ideia e procurei na internet pra mostrar para o meu pai e minha fisioterapeuta, eles também gostaram e foram atrás de pessoas que aceitaram fazer",  conta Ana.

A fisioterapeuta Betina Rigon Pereira recorda que num dia de atendimento Ana falou do simulador de caminhada e, naquela semana, havia saído uma matéria no jornal sobre um berço que embalava sozinho, produzido pela Setrem. "Fui à Instituição e o professor Lovato estava disponível e logo aceitou o desafio, chamando duas acadêmicas para trabalhar no projeto, concluído mais rápido do que esperávamos". Pensando na parte motora, Betina acompanhou o processo, fez alguns ajustes e participa ativamente do treinamento. "Quando a Ana voltou para casa, mexia apenas os olhos. Hoje, escorada pelo quadril já se mantém em pé, sem precisar das talas para estender os joelhos, usadas em um primeiro momento, e está começando a esboçar contrações para flexionar os joelhos, o que nos leva a ter esperança de que vai voltar a andar", explica.

Setrem entrega simulador elétrico de caminhada

Foi com um sorriso brilhante nos olhos que Ana recebeu na terça-feira, 1º, o aparelho que lhe auxiliará a retomar os movimentos do corpo. O simulador foi   projetado e desenvolvido durante três meses pelo professor Adalberto Lovato e pelas acadêmicas Andressa Brüning e Vanessa Andréia Schneider, do curso de Engenharia de Produção da Sociedade Educacional Três de Maio (Setrem). "Preciso dizer que depois de quase dois anos sem caminhar, é maravilhosa essa sensação. Algo que parece tão simples, mas nesse momento pra mim é algo difícil, algo que é feito meio sem pensar, que antigamente eu não dava valor. Hoje agradeço por cada passo que dou. Não sei como agradecer ao professor Lovato, à Vanessa , à Andressa, à tia Marli, à Setrem, à Betina  e a todos que doaram algo, que ajudaram de algum modo e aos meus pais. Muito obrigada por me possibilitarem andar novamente e sei que isso vai ajudar na minha cura completa", escreveu Ana em sua página do Facebook.

Da esquerda para a direita, Flávio Magedanz, diretor da Setrem; Marcelo Oliveira, gerente do Sicredi;
Ana Paula no simulador de caminhada; professor Lovato; fisioterapeuta Betina, 
acadêmicas Vanessa e Andressa e, agachados, os pais Aldair e Marli

Num piscar de olhos

Ana Paula se comunica com o mundo pelos olhos. No início, despendia tempo e dedicação para sinalizar com o cerrar das pálpebras a letra certa no alfabeto Esarin (quadro no qual as letras são organizadas na ordem de uso mais frequente), maneira encontrada para expor o que a mente, intacta, pensava e sentia. Atualmente, graças ao Kit de Inclusão Social e Digital (KIDS), tecnologia inovadora de reabilitação e inclusão desenvolvida pela Ortobras, sob a coordenação geral do pesquisador do CNPq, Dr. Gilson Lima, a qualidade de vida da jovem melhorou significativamente.


Tecnologia precursora no Brasil, o KIDS permite, através do reconhecimento facial de Ana, que ela se comunique

ENTENDA O CASO DE ANA PAULA:
Dia fatídico: 31 de agosto de 2012. A jovem sentiu uma forte dor de cabeça. Depois de três idas ao plantão médico, sofreu uma convulsão, à qual seguiram-se 49 dias de internação no Hospital São Vicente de Paulo. Sobreviveu, mas perdeu, praticamente, todos os movimentos.
Diagnóstico da doença: Romboencefalite criptogênica. Inflamação que atinge o tronco cerebral e pode ter diversas causas, como um vírus, uma bactéria ou até uma doença autoimune e de difícil confirmação em adultos.
Quadro inicial: Sem conseguir falar e movimentar pernas e braços, sendo totalmente dependente para se comunicar, mexer, deslocar, alimentar (por sonda), vestir, calçar, higienizar, a vida se resumia a um quarto, da cama para a cadeira de rodas e vice-versa.
Evolução: Se alimenta sem a sonda, se comunica sem necessitar de ajuda (através de seu computador), fica em pé (escorada pelo quadril, sem precisar de talas), esboça contrações para flexionar os joelhos, e anda no simulador de caminhadas a 10 passos por minuto.
Futuro: À Deus pertence, mas com a fé de Ana, sendo o milagre que é, certamente apresentará melhoras ainda mais significativas. 

FOTOS: ALINE WINTER

Confira a matéria completa no jornal impresso





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