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Petrobras: rentabilidade em queda livre

04/04/2014 - Por Jornal Semanal
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Por Reginaldo Gonçalves *
  
A notícia de destaque deste início de semana foi o levantamento do Crédito Suisse, que aponta que a Petrobras tem a pior rentabilidade entre as maiores petroleiras do planeta. Mesmo sendo a mais rentável em encontrar, desenvolver e produzir petróleo, a estatal brasileira se enrola com as perdas na área de refino, distribuição e revenda, devido ao controle de preços de combustíveis realizado pelo governo para manter a inflação domada. Para conversa da década de 80, mas infelizmente hoje, em 2014, a Petrobras, uma das maiores e mais respeitadas empresas brasileiras, está apresentando dificuldades na geração de caixa porque tem sido mecanismo para sustentar políticas econômicas por vezes equivocadas.

A companhia precisa honrar compromissos relativos a investimentos no pré-sal, cujo retorno, sabidamente, poderá demorar de cinco a dez anos. Devido a uma política nacional fragilizada, a estatal engessa parte do seu capital de giro, enfrentando, também, dificuldades com o autofinanciamento das importações de petróleo, tendo que alinhar, ainda dentro desse panorama, o cumprimento das metas fixadas no mercado internacional. 

Por conta de tal política, a Petrobras está cada vez mais sucumbindo a um enorme endividamento. Assumir os custos de importação do petróleo resulta em perdas subsequentes, além de  em operações realizadas com parcerias duvidosas e contratos fragilizados.

A posição da Petrobras vem atrelada a uma avalanche de situações complexas e de desmobilização, principalmente com subsidiárias no exterior sendo encerradas ou incorporadas sem transparência. O resultado é que muitas  empresas que estão sendo incorporadas sofrem denúncias de prováveis desvios de finalidade. Vale lembrar que algumas delas estão localizadas em paraísos fiscais, o que, indiscutivelmente, facilita fraudes e má gestão de recursos.

A política de aumento dos combustíveis, por meio de gatilho, não agradou ao mercado, pela falta de transparência nas ações e pela fragilidade do processo de busca de resultado, redução do endividamento e geração de fluxo de caixa sustentável. A situação agrava-se e a Petrobras poderá perder, irremediavelmente, seu grau de investimento. Para complicar ainda mais, a agência de avaliação de risco Standard & Poor´s rebaixou a nota do governo soberano e arrastou a Petrobras para a mesma situação, ou seja, de BBB para BBB-, configurando um investimento de maior risco.

Um mercado tenso e preocupado gera instabilidade nos preços dos papéis em bolsa que oscila, a todo momento, de modo inconstante. Tanto é que o valor patrimonial, estimado em R$ 26,67 com resultados apurados no fechamento de 25 de fevereiro, e média de negociação em torno de R$ 14,48, demonstra que o valor de mercado da companhia está bem abaixo do patrimonial. O reflexo disso é a elevação do custo dos recursos para financiar o capital de giro, aliada às suspeitas de desvio de capital e episódios confusos (para dizer o mínimo), como o recente caso da Pasadena.

Outro aspecto é o custo de produção do petróleo: quais serão os gastos com extração do petróleo e por quanto a empresa conseguirá importá-lo? É preciso considerar a possibilidade de que se conclua que o custo de importação é menor que o da produção no país, fazendo com que todos os investimentos sejam descontinuados.

Em virtude da dificuldade da geração de caixa e falta de recursos para investimentos, em médio e longo prazo, com juros mais altos em virtude do rebaixamento da nota pela S&P, o questionamento que se faz é: não seria o momento de se discutir a privatização e permitir que a empresa possa voltar a ser um negócio rentável, gerador de dividendos para os investidores e produtos de qualidade a preços competitivos?

Essa é a situação que a ala governista não quer ouvir. A ingerência e o abuso de poder está comprometendo a imagem de uma empresa que sempre foi orgulho nacional. Os descasos, a má gestão, a produção de documentos frágeis para orientar parcerias, os desvios de recursos farão com que a remuneração dos acionistas tenha um resultado pífio.

* Reginaldo Gonçalves é coordenador do curso 
de Ciências Contábeis da Faculdade Santa Marcelina - FASM




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