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Moda Brasileira 2ª parte

14/04/2014 - Por Yara Lampert
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Lauro Lohmann é estilista, designer de moda,  com formação de Tecnólogo em Moda em Morombi, São Paulo.  Também em sua formação acadêmica o curso de Artes Visuais pela Unijuí, no ano de 2010. Apaixonado por moda e por bem vestir,  já assinou importantes editoriais, bem como, belíssimas criações em vestidos de noivas e para festas. Atualmente, além do trabalho direto de criação  na cidade de Ijuí, Lauro também atua como professor no curso superior de Design de Modas da Faculdade Setrem.

No processo criativo de moda, quais as principais referências?
As referências atualmente ainda são os desfiles no extenso calendário das semanas de moda que acontecem no mundo inteiro, as chamadas fashion weeks,  a partir delas é que tudo começa ser esboçado. Depois disso seguem também referências streets e de um tema inspirador,  o qual deve dialogar com as tendências de moda em voga, fazendo a coleção ou roupa ter informação de moda e o toque de beleza e individualidade do criador. 

Como começou sua história no mundo da moda? 
Desde muito cedo tive um certo fascínio por moda, lembro que desde de criança adorava ver desfiles que passavam na tv e ensaiava as primeiras roupas e rabiscos. Depois de formado trabalhei em uma casa de noivas, e em 2000 criei um vestido de tule, recoberto com folhas verdes de seda rebordadas, que acabou representando o Brasil em um concurso de miss no Japão, depois disso meu trabalho começou ser reconhecido no mercado.

E o  primeiro contato com o mercado de trabalho da moda?
O mercado da moda sempre é muito competitivo, costumo definí-lo com a clássica frase do Project Runway que diz " em moda ou você é in ou out", ou seja, ou está dentro ou se está fora, não existe meio termo. A colocação de um profissional nesse meio exige muita dedicação, trabalho, profissionalismo e bons contatos . Meu  primeiro contato foi em São Paulo onde conheci muitos dos grandes nomes da moda brasileira e onde comecei meu aprendizado e vivências com tudo o que acontece nesse mercado.

O que você leva em consideração na hora de criar uma coleção? 
Criar uma coleção para uma marca é um processo complexo, exige muita pesquisa. Inicialmente analiso todos os desfiles de moda de Milão, Paris, Londres, New York e Berlin, as temporadas de prêt- à-porter e haute couture, depois traço um paralelo com a moda brasileira e com o que as principais revistas e blogs de moda apostam como tendência de mercado. Terminada essa etapa é preciso levar em conta aspectos da marca como público alvo, seu estilo e os elementos que a definem. Só depois de toda essa analise é que escolho tema, inspiração e dou meu toque pessoal, pois uma coleção não pode simplesmente ser bonita, deve vestir bem, identificar-se com seu público,  seduzir e, no final, tudo vender bem. Se não atingir  esses aspectos ela fracassa. Para que isso não aconteça é preciso ter muita visão de moda e mercado, e sentir as necessidades do cliente antes delas surgirem, pois nos dias de hoje trabalhar com moda envolve custos bem altos, principalmente para produzir uma coleção, o fracasso de uma coleção pode causar sérios problemas para uma marca.

Algumas mulheres, ou mesmo, alguns homens são fashionistas. Qual a sua opinião?
Bem, como criador e amante de moda posso disser que acho muito bom vestir-se bem, faz bem para corpo, alma e mente. Justifico minha resposta salientando que quem consome moda hoje também consome informação, cultura  e arte, como é caso do verão 2015 que respira arte. Ao contrário do que muitas pessoas pensam, consumidores de moda não são fúteis, pois a moda enriquece culturalmente as pessoas, e falo isso por mim mesmo, tudo que sei até hoje aprendi através da moda, ela me ensina muito sobre tudo, e ainda tenho muito a aprender a cada coleção, ela me surpreende.
 
Fale um pouco sobre: modismo, vestuário formal e informal?
O modismo é um termo que usamos quando nos referimos a moda consumida pelas massas, por exemplo, quando uma tendência lançada  por estilistas nos desfiles, depois de um tempo é usada por um personagem de  novela com quem as massas se identificam. Esse produto ou tendência é produzido em larga escala, em materiais acessíveis e consumido em grande proporção, se tornando modismo. Já o vestuário informal e formal eram termos usados para definir roupas mais casuais usadas no dia a dia, já o formal definia as roupas de noite, porém, com a chegada do novo luxo em 2010, tornaram-se desatualizados ou fora de contexto, pois com o novo luxo o formal e informal se fundem e o que eles representavam, agora no novo luxo será definido pelo ato de compor o style.

Como surgem as tendências?
As tendências de moda hoje podem surgir de qualquer contexto. Inicialmente, podemos dizer que elas nascem na rua e morrem nela. Olheiros de moda no mundo todo se dedicam a ir aos mais diversos lugares para ver o que as pessoas usam em seus diversos momentos do dia. Por meio de fotos essas informações são processadas e servem de base pra entender o que as pessoas estão buscando e esperam  da moda, como também para produtores de fios e tecidos, assim como, para estilistas e marcas  criarem novas roupas que  respondam a essas necessidades, surgindo assim novos estilos ou tendências,  que acabam sendo usadas pelas pessoas, chegando à rua novamente e morrendo no final do ciclo com o surgimento de uma nova tendência. Existem ainda macro e micro tendências, as primeiras são amplas e relativas a novas visões de mundo oriundas das preocupações do ser humano, já as micro dizem respeito a um fato representativo do momento como, por exemplo, um filme que acaba lançando moda.

As mulheres estão usando roupas mais curtas e decotadas? É tendência, veio para ficar? 
Com o advento do novo luxo em 2010, a linha coktail dress veio como uma opção para mulheres estarem bem vestidas em festas e eventos mais glamorosos, eles também resgatam uma elegância vintage do lifesytle dos anos 50. Nos últimos anos fala-se muito em nova elegância, em lady  like, ambos  remetem ao retorno a esse refinamento  e estilo desse período. Porém, a tendência  se tornou modismo principalmente no Brasil,  com roupas extremamente curtas, justas e decotadas, que remetem mais a uma sensualidade exacerbada  e atinge as massas que são seus grandes consumidores. Se veio pra ficar, creio que não, pois como já disse, tendências obedecem um ciclo e acabam um dia.

O que pode e o que não pode uma mulher de 30, 40, 50 e 60 anos?
Vivemos numa época bem diferente das nossas avós, se há 50 anos o que esperava uma mulher aos 50 anos era se fechar em casa, cuidar dos netos e fazer tricô, vestindo roupas que revelassem o menos possível do seu corpo , hoje a realidade é bem diferente. Graças aos avanços da cosmética e da medicina muitas se mantém jovens e belas, e as acima de 50 fazem de tudo hoje, menos tricô, e a cada ano que passa vejo mais mulheres na faixa de 60 anos com corpos bem definidos e que são fashionistas sem serem vulgares. Para resolver essa questão hoje a regra é bom senso,  aliado a um espelho bem grande em casa, como já dizia Contansa Pascoalato.  Se você tem estilo, está em  forma, tem uma liberdade maior na hora de escolher o que vestir, lógico que não significa que uma mulher de 60 saia por aí de micro vestido  tomara que caia. Com o passar do tempo algumas partes do corpo perdem um pouco da beleza da juventude como, por exemplo, joelhos, e a parte superior dos braços, que se não estiverem bem, não devem ser veladas, mas essa é uma regra básica pra qualquer idade e biotipo. Chamamos sempre atenção pra nossos pontos fortes e ofuscamos nossos pontos fracos.

Como usar roupas sensuais sem ser vulgar?
A sensualidade é uma característica muito importante na hora de vestir, mas ela deve ser sutil para não ser vulgar.  A regra básica é não exagerar, quando se usa um decote ousado prefira não mostrar muito as pernas, se usar algo bem justo evite transparências, etc.. Nunca use tudo ao mesmo tempo, tipo decote, transparência  e micro comprimentos, pois com certeza você vai ficar vulgar  e ser mal interpretada.

Qual a dica para nossos (as) leitores (as)?
Moda é muito mais do que um simples ato de vestir-se. Em uma sociedade consumista é o pilar  da estrutura, conforme Lipovetsky já dizia. Consumimos moda desde que acordamos até na hora de dormir, pois tudo hoje, desde  o creme dental que você  usa quando acorda, o seu carro, o projeto paisagístico do seu jardim ou urbano, e até mesmo a cama que você deita pra dormir, surgiu de um processo de criação de design, e este por sua vez, seguiu uma tendência em voga, e isto é moda.




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